Entre outros projetos, em 2020, Valéria Custódio foi selecionada pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC) e fez uma turnê digital com banda durante a pandemia. Produziu também um mini-documentário sobre o disco ‘Púrpura’, estabeleceu forte parceria com o Rio de Janeiro e muitas outras atividades. Ainda há,  contudo, fôlego para o novo ano, quando ela planeja lançar um disco novo e sair em turnê mundo afora, começando por Londres. É por isso que se deve ficar de olho nesta mogiana em 2021.

Recém contemplada pelo Prêmio Funarte Respirarte, Valéria, estabeleceu, mesmo diante das dificuldades de um período pandêmico, um novo patamar na própria carreira. Além de cantora que já levou o nome da cidade para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, ela passou a ser produtora e apresentadora. Tudo isso – e ainda mais – aos 25 anos.

“Não parei na pandemia”, diz ela, que se esforçou o quanto pode para abrir portas, mesmo à distância. Algumas delas seguem sendo destrancadas ainda neste começo de ciclo. 

Com recursos da Lei Aldir Blanc, o documentário com imagens e depoimentos dos bastidores da turnê de ‘Púrpura’ deve ser lançado em janeiro; e em fevereiro ela poderá ser vista e ouvida pelo Festival Reconecta, do Rio de Janeiro. 

Depois disso, vêm novos projetos. “A ideia é fazer uma turnê presencial pelo Brasil e também fora do país”, comenta Valéria, que pretende começar por Londres e seguir para “espaços independentes em Nova York”.

A visão da cantora é “menos bairrista” e mais expansionista. “Lançado em 2018, o projeto ‘Púrpura’ criou vida própria e não quero ficar no mesmo espaço”, é o que argumenta a mulher que coleciona contatos e parcerias internacionais desde 2019, quando participou do festival internacional Ethno Brazil. 

Valéria foi, em 2020, ouvida em pelo menos oito países. O principal, aliás, não foi o Brasil, e sim a Alemanha. “Nossa música tem muito espaço lá fora, principalmente na Europa”,.

Sendo artista, mulher, jovem e negra, para ter esse reconhecimento Valéria diz ser necessário combater uma série de preconceitos, e quer, em 2021, fazer com que outros mogianos também os enfrentem. 

“Estou escrevendo um projeto, junto do rapper Acme Sam, para dar visibilidade a artistas negros na região”, explica a artista, que também tem ideias para “promover maior união” na cena artística local, a exemplo do cenário favorável que encontrou na capital fluminense. 

Além destas ações, devem surgir no ano novo mais ações que ramificam as atuações de Valéria, a exemplo do ‘É Tudo Ao Vivo’, programa de entrevistas que conduziu durante a primeira etapa da Movi.Ar (Mostra Virtual: A Arte não Esqueceu de Você), organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

“Em 2021, tem muita coisa para ser colocada em prática”, finaliza ela, sem demonstrar ansiedade ou petulância. Isso não quer dizer, porém, que Valéria Custódio não sonhe. Uma das aspirações é o “gramofone dourado”, nome carinhoso para o Grammy Latino.

Sobre Valéria

Aos 25 anos, Valéria Custódio é cantora, artista, produtora cultural e apresentadora mogiana. Apaixonada por música desde a infância, começou a tocar violão aos 15. Aos 20 tornou-se a primeira artista da família. 

Ela buscou em nomes como Nina Simone, Lauryn Hill e Chico Buarque a inspiração necessária para lançar o primeiro disco. E encontrou, no livro ‘A Cor Púrpura’, de Alice Walker, o caminho para fazer isso acontecer. Desde então tem levado o EP ‘Púrpura’ para diferentes estados, seja em palcos presenciais ou virtuais.