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ECONOMIA

Uma proposta para gerar R$ 200 milhões por ano em Mogi

A AGFE defende mudança de lei e a compra de bens e prestação de serviços entre empresas da própria cidade

Eliane José
18/12/2021 às 07:05.
Atualizado em 18/12/2021 às 07:06

(Foto: Eisner Soares / O Diário)

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ECONOMIA

Uma proposta para gerar R$ 200 milhões por ano em Mogi

A AGFE defende mudança de lei e a compra de bens e prestação de serviços entre empresas da própria cidade

Eliane José
18/12/2021 às 07:05.
Atualizado em 18/12/2021 às 07:06

(Foto: Eisner Soares / O Diário)

Desde agosto, a ideia de  um grupo de amigos e empresários  dá corpo à Agência de Fomento Empresarial de Mogi das Cruzes, a AGFE, associação composta atualmente por 20 empresas e engrenada para defender interesses comuns como a melhoria da qualificação e capacitação da mão de obra mogiana, além da redução de impostos e de custos, que deverão ter como resultado, a ampliação da base de empregos na cidade e da economia, por consequência.

Na reunião de dezembro deste ano, a AGFE definiu metas que poderão movimentar, por ano, R$ 200 milhões a mais, e fez um balanço dos cinco meses de atividades. Entre os projetos, destacam-se a melhoria da busca de fornecedores e prestadores de serviços locais, o lançamento de uma plataforma de empregos que reunirá os 600 cargos gerados por esse time e a concretização de uma academia de formação profissional.

O economista e ex-diretor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Claudio Costa, prevê que será possível alcançar essa cifra milionária com a conexão entre as empresas da própria cidade. “Entre os membros da AGFE, há empresas que contratam a manutenção de ar-condicionado, em São Paulo, quando nós temos uma fabricante deste produto aqui mesmo (a Elgin). Manutenção, segurança, serviços de TI, consultoria, assistência jurídica e econômica, limpeza são outros exemplos do que poderia ser melhor aproveitado na cidade. A nossa ideia é descobrir os motivos disso. Seria o alto valor dos contratos? O desconhecimento do que existe na cidade, ou até a falta de qualificação local? Buscar solucionar esses problemas, se for o caso, será o nosso papel”, promete ele.

Oportunidades de trabalho em 20 empresas mogianas serão divulgadas em cadastro no próximo mês (Foto: Eisner Soares / O Diário)

A ampliação da carteira de fornecedores e terceirizados desse pool de empresas que gera entre 24 mil e 25 mil colaboradores compõe uma das fatias desses R$ 200 mil projetados.

Outros mecanismos seriam mudança na legislação municipal de isenção fiscal a empresas da cidade e criação de uma plataforma de cadastro de empregos que será gerida pela AGFE, mas estará a serviço das empresas na hora da contratação de um novo funcionário e do próprio mogiano que está em busca de um emprego.

Em parceria com a plataforma digital TAQE, a Agência de Fomento vai disponibilizar um cadastro online que irá mostrar quais são os 600 cargos gerados pelas empresas e os requisitos esperados dos candidatos.

Mogi das Cruzes, afirma Claudio Costa, gera por ano cerca de 100 mil empregos, mas é grande a rotatividade dessas vagas. Pelo perfil dessas 20 empresas, apenas elas vão gerar 13,5 mil vagas em 2022. O cadastro servirá para divulgar esses cargos e também o que o trabalhador previsa para disputá-los.

No cadastro, o trabalhador vai saber quais cursos ele poderá fazer para disputar esses cargos. Em resumo, a ideia dessa iniciativa é promover a redução do chamado turnover, a reposição anual que prejudica a economia e gera custos com a admissão, demissão e o tempo de preparo do profissional para exercer a função.

“Essas vagas vão surgir durante todo o ano que vem, e no cadastro, o inscrito poderá atualizar cursos e aprimoramentos. As empresas terão acesso a esse grande banco de dados”, afirma ele.

Para fechar o ciclo, a AGFE Academy, em parceria com instituições de ensino como a Universidade de Mogi das Cruzes, a escola e a faculdade técnica estadual (Etec e Fatec), Senai e outros, irá aprimorar a oferta de cursos focadas na real necessidade das empresas e prestadores de serviços local.

“Com os cursos, o trabalhador vai melhorar a posição no ranking para ter mais oportunidades de ser contratado na cidade”, diz.

Entre as empresas representadas na AGFE, estão algumas das que mais emprego geram na cidade, como Vamos, JSL, NGK, Elgin, Padrão, Ponsse, Rud, Universidade de Mogi das Cruzes, AGCO (Valtra), Höganäs, GM, Neobpo, McDonald’s, Air Products, MGITech, Padrão e Club Med.

Promessa: elevar a 60% a base de emprego local  

Plano da AGFE é ampliar  de 51% para 60% o número de trabalhadores mogianos contratados nas empresas locais. Esse aporte de mão de obra contribuiria para aumentar os empregos. indiretos e a economia informal

Lei é aposta para abrir 4 mil vagas

PLANOS Claudio Costa fala sobre proposta para melhorar incentivos fiscais (Arquivo / O Diário)

Para compor o futuro banco de dados sobre o emprego nas 20 empresas da Agência de Fomento Empresarial, a AGFE, o economista Claudio Costa escaneou o mercado de trabalho da cidade, em busca dos cargos de todos os níveis e as estatísticas sobre a economia mogiana. Ainda sob graves dificuldades econômicas intensificadas pela pandemia, ele diz que Mogi das Cruzes poderá gerar entre 1,3 mil e 1,5 mil empregos novos entre as 13,5 mil vagas previstas para 2022, e atingir a marca de 60% de moradores contratados na cidade. “E não é só isso, com melhor qualificação, a renda per capita sobe”, resume na seguinte entrevista:

Como a AGFE pretende ampliar a base de empregos?

“Nós estamos organizando um ecossistema em que todos conversam mais e podem gerar ganhos como a melhor qualificação profissional e as oportunidades de emprego dentro da própria cidade. A nossa ideia é promover um olhar para dentro, para que os negócios e parcerias sejam feitos dentro da cidade, as pessoas sejam contratadas na própria cidade e os ganhos sejam compartilhados pelo comércio, pela geração de impostos. E, veja, hoje, essas empresas já trazem o dinheiro de fora para a cidade.

Qual é a participação das empresas na geração de empregos?

Temos algumas das maiores geradoras de empregos na cidade que, segundo o IBGE, possui 101 mil pessoas economicamente ativas, sendo uma população representada por 38% das famílias atendidas por programas federais e outras 40% na economia informal. Das vagas formais, esse grupo responde por 24 mil a 25 mil colaboradores. Por outro lado, essas empresas têm cerca de 51% desses trabalhadores que residem na cidade. Se as empresas ampliarem esse índice para 60%, nós alcançaríamos 4 mil novas contratações e a injeção de R$ 200 milhões/ano na cidade.

E como isso aconteceria?

Temos sugestão para um projeto de lei que prevê a ampliação das compras e contratos dentro da própria cidade, e a elevação de 51% para 60% dos trabalhadores mogianos. Hoje, a cidade conta com o Promae (Programa Municipal de Atração de Empresas e Geração de Empregos, aprovado em 2019, de incentivos fiscais) e vamos propor uma mudança para melhorar o incentivo a quem contratar e fizer negócios na cidade.

Qual é a expectativa para 2022?

A indústria fecha esses dois últimos meses bem, mas com muitas interrogações pela instabilidade econômica mundial e política brasileira. Temos um país dividido. Com inflação, falta de rentabilidade e essa polarização entre a extrema direita e a extrema esquerda, a indústria que já aplica o seu dinheiro aqui freia, reavalia o futuro. Na cidade temos dois braços fortes: o rodoviário (caminhões e carros) e o agronegócio. Mas para mudanças maiores, a indústria e o  país precisam de estabilidade. E, isso, não está acontecendo ainda.

OS ÍNDICES MOGIANOS

Emprego 2021
Mogi possui 101 mil pessoas economicamente ativas
Empresas da AGFE mantêm 
24 mil empregos diretos (24%)
Total de vagas de empregos/ano: 
42 mil
Por ano, média de 4 mil 
pessoas contratadas/mês
51% dos trabalhadores 
empregados são de Mogi

Emprego  2022
Geração de 13.500 vagas/ano
1,3 mil empregos novos
600 cargos AGFE*
50% de nível técnico e superior
60% trabalhadores empregados em Mogi
4 mil empregos a mais a mogianos
• Total de cargos mantidos pelas 20 empresas associadas à AGFE Mogi das Cruzes

R$ 200 milhões 
de movimentação da economia
Fonte: AGFE Mogi das Cruzes
 

A luta contra pedágio

Cidade se une contra proposta de instalação de pedágio em Mogi (Eisner Soares)

 Criada para fortalecer a atuação empresarial e comercial de empresas fundadoras e convidadas, a Agência de Fomento Empresarial, a AGFE, sedimenta um caminho político logo de entrada: ela foi uma das protagonistas na campanha que uniu setores econômicos, políticos e sociais contra o projeto de construção de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra, uma intenção do Governo do Estado, defendida pela Artesp, que encontrou forte resistência na cidade.

A participação da AGFE casa com um conceito que ela persegue: o de criar um ecossistema que permita a conexão entre as empresas e os interesses da cidade, a partir de atuações baseadas em prospecções em cima de dados concretos, atuais.

Foi a AGFE que contratou uma pesquisa que detalhou a opinião do mogiano sobre os prejuízos que o pedágio causará na vida das pessoas e na economia da cidade.

Esse mesmo sentido vai nortear, prometem os participantes, a grade de cursos e capacitação da  AGFE Academy, com a formação de pessoas em profissionais e funções existentes no polo empresarial e comercial mogiano. Está projetada, por exemplo, a manutenção de laboratórios de mecânica  em parcerias que começam a ser concretizadas, segundo os gestores, nos próximos meses.

Conheça mais sobre a AGFE em www.agfemc.com.br

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