Uma das saídas para os problemas de mobilidade urbana em César de Souza, principal vetor de crescimento de Mogi das Cruzes nos últimos anos, é a extensão da circulação das composições da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) até o distrito, em um trecho de 5 quilômetros.

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A reivindicação que se estende por 12 anos e já foi alvo de abaixo-assinado - hoje com 26 mil adesões -, além de maior facilidade e agilidade de locomoção e economia aos moradores, contribuiria para desafogar o intenso tráfego de veículos, principalmente nos horários de pico, como opção de transporte ao centro, Braz Cubas e Jundiapeba.

A proposta é a mudança da estação ferroviária, que fica após a transposição em nível da linha férrea, na avenida Ricieri José Marcatto, para a área anterior à cancela, a fim de que não seja preciso parar o fluxo de veículos para passagem dos trens. 

Segundo o presidente da Associação dos Moradores do Jardim São Pedro, Adalberto Santana de Andrade, diretor do Sindicato dos Policiais Ferroviários Federal de São Paulo, estudo de 2011 da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa) prevê investimentos de R$ 65,5 mil em eletrificação de rede aérea, R$ 26,9 mil (via permanente), R$ 13,6 mil (sinalização), R$ 5,8 mil (trilhos) e R$ 7,3 mil (obra da estação).

“Desde 2011 são muitos empreendimentos imobiliários, com a construção de centenas de apartamentos e casas, então, a demanda pelo transporte ferroviário cresceu ainda mais, sendo maior do que em várias estações da CPTM. Além de César, o trem atenderia moradores do Botujuru e outros bairros desta região, mas falta vontade política para isso. Já levamos o assunto à Câmara Municipal e à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Vamos retomar a luta após as eleições”, diz Andrade.

 Engenheiro aponta investimentos

O percurso diário entre César de Souza e a região central de Mogi das Cruzes e vice-versa, comum para muitos mogianos e que hoje demanda até mais de meia hora em horários de pico, poderia ser feito em menos de 10 minutos com a circulação dos trens de subúrbio até o distrito.

“Não se consegue fazer isso de carro em nenhuma hora do dia. Para cruzar toda a cidade de trem de lá até Jundiapeba seriam 20 minutos. César é uma região que cresceu muito nos últimos anos e esta demanda por opções de transporte também aumentou, por isso a importância do trem, que além de ser um meio de locomoção acessível e rápido, contribui para reduzir o número de veículos nas ruas, melhorando o trânsito”, defende o engenheiro ferroviário Mário Edison Picchi Gallego, 72 anos, que atuou na antiga Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e, aposentado após 30 anos de trabalho, presta serviços na área de supervisão e projeto no transporte sobre trilhos.

Gallego, que também preside a Delegacia do Alto Tietê do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), explica que para viabilizar a operação dos trens da CPTM até César de Souza seria necessário duplicar a atual linha férrea existente, que liga a estação Estudantes ao distrito, e hoje é utilizada para transporte de carga pela MRS Logística.

“Também são necessários investimentos na sinalização, construção da linha aérea e eletrificação, além de uma ponte mais larga sobre o rio Tietê, porque pela atual só há espaço para uma linha. Mas a grande demanda de passageiros justifica este trabalho da CPTM”, detalha o engenheiro, que trabalhou na inauguração da estação Estudantes, em 1976, ainda com linha simples. “Acompanhei toda a fase de eletrificação de Mogi até lá e a duplicação foi feita depois, em 1984, oferecendo maior viabilidade de tráfego”, lembra.

Na avaliação de Gallego, o investimento na linha férrea de César de Souza também resultaria em valorização imobiliária do distrito, servindo ainda de incentivo aos comércios locais.

“Quando se faz um benefício deste porte são vários os benefícios, porque a demanda por este tipo de transporte aumenta, os imóveis são valorizados e novos moradores são atraídos para a região devido às facilidades de locomoção. Isso aconteceu quando foi construída a linha 9-Sul, que ladeia o rio Pinheiros, com a inauguração das estações Berrini, Cidade Jardim, Santo Amaro e Capela do Socorro, no governo Mário Covas. Na época, aquela região tinha 200 mil habitantes e hoje são mais de 1 milhão”, enfatiza.

Outra vantagem apontada pelo profissional é a economia, já que hoje quem sai de César de Souza em direção à estação Estudantes paga R$ 4,50 pelo ônibus municipal e mais R$ 4,40 para embarcar no trem. “Na ida e volta, já são R$ 17,80. Se o trem circulasse até César, este gasto cairia para R$ 8,90”, compara Gallego.

Ele lembra ainda que, para conseguir embarcar no trem que parte da estação Estudantes às 4h40, por exemplo, os moradores de César de Souza precisam sair de casa às 4 horas, o que não seria necessário se a composição partisse do distrito. “Haveria economia de tempo”, reforça.

 Longo trajeto diário

Diariamente, o editor de imagens e operador de sistemas Cléber Silva Soares, 24 anos, precisa de quatro conduções para fazer o trajeto de sua casa, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, até o local de trabalho, no distrito de César de Souza, em Mogi das Cruzes.

“Pego ônibus até a estação Ermelino e trem para Calmon Viana, onde faço a troca para a linha sentido Estudantes (linha 11-Coral). Desço lá e preciso de ônibus até César. Este percurso é feito todos os dias, mas no retorno, paro em Calmon Viana, onde fica meu segundo local de trabalho e, no final do dia, pego o trem de novo até Ermelino, de volta para casa. Se o trem fosse até César, este caminho de lá até Calmon, que hoje leva uma hora por causa do ônibus, poderia ser feito em menos de 40 minutos”, destaca.

 CPTM insiste em inviabilidade técnica

Como tem feito desde 2008, quando começou a reivindicação para expandir a circulação dos trens entre as estações Estudantes e César de Souza, a CPTM voltou a descartar a possibilidade. “Existe uma inviabilidade técnica para levar a Linha 11-Coral até César de Souza, visto que o trecho em questão é uma faixa de domínio sem eletrificação e designada apenas para o transporte de cargas”, trouxe nota enviada a O Diário.

 RAIO-X DA LINHA 11-CORAL

Abertura: 1992 (criação da CPTM )

Extensão: 50,5 km

Número de estações: 16

Estações em Mogi das Cruzes: 4

Frota de trens: 35 trens CAF Série 8500 e

                               9 trens Alstom

Velocidade de operação: 60 km/h (37 mph)

Embarques em agosto/2020:

Jundiapeba – 137.533

Braz Cubas – 123.364

Mogi das Cruzes – 203.556

Estudantes – 166.657

O que é preciso fazer entre as estações Estudantes e César de Souza 

- Duplicar a linha férrea

- Adequação da linha permanente e da sinalização

- Construção da parte elétrica aérea

- Implantação de ponte sobre o rio Tietê