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DESAFIO DIÁRIO

Trânsito em Mogi: motorista leva mais tempo para percorrer poucos quilômetros

Fluxo intenso de veículos no eixo César de Souza, Nova Mogilar, Mogilar e Socorro, principalmente nos horários de pico, ainda espera por soluções para diminuir impactos

Carla OlivoPublicado em 10/10/2021 às 12:20Atualizado há 7 dias
Arquivo O Diário de Mogi
Arquivo O Diário de Mogi

Um trajeto de apenas um quilômetro é meio percorrido em meia hora na cidade. O trecho da avenida Francisco Rodrigues Filho, na altura do Parque Centenário, no distrito de César de Souza, até a rotatória Kazuo Kimura, conhecida como do Habib’s, no bairro Nova Mogilar, é marcado por congestionamentos diários, principalmente nos horários de pico, entre 7h15 e 8 horas, e das 12h às 12h45. 

Quem passa por lá diariamente rumo ao trabalho, escola e outros compromissos sabe que é preciso se programar e sair de casa mais cedo para não chegar atrasado, porque a lentidão no trecho é inevitável. E tem mais: no retorno, o problema, dependendo do horário do dia, pode se repetir, exigindo uma dose a mais de paciência.

Assim é a rotina diária em um dos principais eixos de locomoção e de crescimento de Mogi das Cruzes, que permite acesso a vários bairros, equipamentos e serviços de grande demanda, como universidades, shopping center, terminais rodoviários, estação ferroviária, Ginásio de Esportes, Poupatempo, entre outros, além de ser um dos caminhos em direção à Mogi-Dutra e à Capital Paulista. Vale lembrar que a região de César de Souza espera a construção de loteamentos, que aumentarão significativamente o número de moradores e, consequentemente, de veículos em circulação.

Alvo de constante de críticas, polêmicas e sugestões de mudanças, a rotatória do Habib’s, com seus atuais oito semáforos e acesso à César de Souza, Mogilar, Nova Mogilar, Socorro, Parque Monte Líbano, centro e outros bairros, recebe cerca de 90 mil veículos diariamente, segundo estudo da Prefeitura de Mogi.

O ponto nevrálgico do trânsito mogiano, um dos principais gargalos da cidade, pode receber mudanças em breve. Está em fase final de elaboração na administração municipal, um projeto com expectativa de início das intervenções ainda neste mês e previsão de término até o final do ano.

Na proposta da Prefeitura, que já vem sendo discutida nos últimos anos e deve ser colocada em prática agora, a rotatória do Habib’s dá lugar a um cruzamento com semáforos e a faixa da direita livre para motoristas que vêm se todos os sentidos hoje oferecidos pelo dispositivo, que também funciona como retorno.

Segundo a secretária municipal de Trânsito de Mogi, Cristiane Ayres, a área vem sendo monitorada 24 horas no estudo que irá compor a fase final do projeto. “Faltam alguns ajustes finos para validação do projeto pelo prefeito (Caio Cunha, Podemos), apresentação e início dos trabalhos”, explica, contando que ainda não estão definidos quantos dos oito semáforos existentes hoje na rotória devem permanecer no cruzamento.

Apesar do prazo de conclusão das intervenções até o final do ano, como o projeto também envolve os entornos da rotatória, algumas etapas devem ficar prontas antes, com possibilidade de contribuirem para melhoria da fluidez do trânsito na região.

“O cronograma dependerá de fatores externos, como ocorrência de chuvas, mas a previsão de conclusão de uma obra deste porte, geralmente, é de três a quatro meses. Porém, o trabalho será feito em etapas e quando se abre uma rua e faz-se uma aduela, é possível dar maior funcionalidade. Por isso, independemente da retirada da rotatória, os motoristas já terão novas opções”, explica.

Mais abaixo, ainda nesta página, O Diário traz um infográfico preliminar mostrando como deverá ficar a rotatória após a implantação do cruzamento.

  

Perimetral é opção para ‘fugir’ da rotatória

Na tentativa de ‘escapar’ do fluxo intenso de veículos nas proximidades da rotatória do Habib’s, muitas pessoas, principalmente aquelas que seguem de César de Souza, Botujuru, Sabaúna e Guararema rumo ao Rodeio, Nova Mogilar, Mogilar, Ponte Grande, Vila Industrial, outros bairros da cidade, e inclusive, à Mogi-Dutra - que dá acesso à Capital Paulista -, e vice-versa, optam pela Via Perimetral. Resultado: mais congestionamentos.

A fila de veículos que se estende pela avenida Francisco Rodrigues Filho, antes do acesso à Perimetral já é comum diariamente e, assim como na região da rotatória do Habib’s, exige paciência do motorista e programação para sair mais cedo de casa a fim de não perder a hora e chegar atrasado nos compromissos.

“Não tem mais jeito mesmo. Quem tenta fugir da rotatória do Nova Mogilar, encontra trânsito pesado na Perimetral. E se busca outro caminho para se deslocar e escapar destes dois locais, cai na avenida Riccieri Marcatto e na João XIII, que também ficam congestionadas em vários horários do dia. A solução é mesmo sair bem mais cedo de casa para não chegar atrasada”, conta Ana Cláudia Soares, 45 anos, que diariamente faz o percurso entre César de Souza e a Capital Paulista para trabalhar.

“O congestionamento já começa em Mogi das Cruzes. E na volta para casa é a mesma situação, todos os dias”, lamenta a secretária-executiva.

 Especialista fala em viaduto

Ex-secretário de Transportes  de Mogi e consultor em mobilidade, Nobuo Aoki Xiol, explica que a semaforização da rotatória do Habib’s está saturada pelo excesso de veículos. “A transformação em cruzamento já é estudada há alguns anos e os problemas maiores para o cruzamento são os dois movimentos de maior fluxo, vindos de César pela Francisco Rodrigues Filho e do Mogi Shopping para César”, explica Xiol.

Outro complicador, segundo ele, é a impossibilidade de criação de alças e opções de looping de quadra no lado par, próximo à linha férre. “Quando se fez o loteamento daquela área onde está a rodoviária e o depósito em frente ao Habib’s, deveria ter sido prevista uma rua paralela à linha do trem. Ali não dá para fazer alças ou o looping de quadra, o que é possível do lado ímpar, na área dos prédios do Nova Mogilar’, diz.

Ele aponta a construção de viadutos como outra medida para resolver o problema, como o previsto em uma das diretrizes do plano de mobilidade de Mogi para ligar a avenida Narciso Yague Guimarães, no Socorro, à rotatória da Francisco Rodrigues Filho, próximo ao Parque Centenário.

 Rotatória X cruzamento

Prefeitura quer iniciar até o final deste mês as obras de intervenção no local

 Até o final deste mês, a Prefeitura de Mogi das Cruzes pretende iniciar a substituição da rotatória da praça Kazuo Kimura, conhecida como do Habib’s, no Nova Mogilar, por um cruzamento com semáforos e a faixa da direita livre. 

Se não houver intercorrências pelo caminho, a expectativa é concluir a implantação do cruzamento até o final deste ano.

Segundo a secretária municipal de Trânsito de Mogi, Cristiane Ayres, a obra não se trata de um simples cruzamento, estudos ainda são realizados no local e o projeto está em fase de ajustes finais para validação do prefeito Caio Cunha (Podemos). 

“É um trabalho complexo, com a intenção de descentralizar o volume de passa por ali diariamente. Será necessário manter alguns semáforos remanejados para disciplinar o trânsito, porque o movimento é grande na rotatória, que hoje oferece a possibilidade de 20 movimentos, de acordo com a entrada e saída de veículos. Quando estudamos o projeto para retirada da rotatória, não é simplesmente implantar o cruzamento, mas analisar todo o entorno e opções de acessos”, explica.

Um dos focos do levantamento diário de informações no local é identificar a origem e o destino dos veículos. “Cada horário do dia e cada dia da semana tem uma realidade diferente. Estamos fazendo um levantamento com câmera a cada 15 minutos, durante 24 horas, por uma semana, para acompanhar o movimento de veículos no local. É importante entender quem vai para César, quem entra na avenida Yoshiteru Onishi, quem quer acessar o Mogilar ou seguir em direção ao Shopping, Socorro e centro da cidade. Com isso, conseguiremos dar uma capacidade melhor, determinar o tempo de semáforo necessário para cada acesso e entender aquele fluxo e a demanda de intervenções”, completa.

Uma das alternativas para dar maior fluidez ao fluxo de veículos vindos de César de Souza rumo à rotatória é o looping de quadra. “São opções para que os veículos possam entrar uma ou duas quadras antes da rotatória. No Nova Mogilar, isso é possível. Quem quer seguir pela Yoshiteru Onishi já pode entrar em uma das ruas do bairro e não precisa passar pela rotatória para acessar a avenida. Para quem pretende ir ao Ginásio de Esportes, haverá um acesso saindo atrás do Habib’s, passando pela Yoshiteru, que terá o córrego canalizado, e pela rua que será aberta cortando o terreno da Ribeira, que faz parte do Grupo Julio Simões (área do antigo Departamento Municipal de Materiais para Obras - Demapo), e saindo no Ginásio”, detalha Cristiane.

Na avaliação da secretária, quando há um estudo maior, com informações para as pessoas e oferecendo opções de rotas, o retorno concentrado se dissipa e descentraliza. “Desde o início da administração, entendemos a importância e urgência deste trecho, mas por ser uma intervenção complexa, é importante que este trabalho seja validado, com ajustes finos.

Por isso, estamos fazendo estudos do entorno e sondagens”, acrescenta.

A obra, que corresponde à contrapartida da concessão do Terminal Rodoviário Geraldo Scavone, será financiada pela empresa Atlântica Construções, Comércio e Serviços, mas o custo não foi divulgado porque depende da aprovação do projeto.

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