Entrar
Perfil
MAIS CARO

Semae alega que aumento da conta de água segue o reajuste da Sabesp

Autarquia justifica elevação de 30% nos custos para promover o reajuste de 12,8% que passará a ser cobrados a partir de setembro de 145 mil consumidores

Silvia Chimello
13/08/2022 às 08:03.
Atualizado em 13/08/2022 às 08:03

Prefeitura de Mogi reajusta a água em 12,8% e afirma que os custos da operação aumentaram 30% na comparação entre 2021 e 2022

Olá, quer continuar navegando no site de forma ilimitada?

E ainda ter acesso ao jornal digital flip e contar com outros benefícios, como o Clube Diário?

Já é assinante O Diário Exclusivo?
MAIS CARO

Semae alega que aumento da conta de água segue o reajuste da Sabesp

Autarquia justifica elevação de 30% nos custos para promover o reajuste de 12,8% que passará a ser cobrados a partir de setembro de 145 mil consumidores

Silvia Chimello
13/08/2022 às 08:03.
Atualizado em 13/08/2022 às 08:03

Prefeitura de Mogi reajusta a água em 12,8% e afirma que os custos da operação aumentaram 30% na comparação entre 2021 e 2022

O Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) anunciou nesta sexta-feira (12) um reajuste de 12,8% nas faturas de água e esgoto dos 145 mil consumidores residenciais e comerciais da cidade. Parte das ligações (34%) terá o reajuste em setembro e o restante em outubro (64%) O decreto que autoriza o reajuste foi publicado ontem pela Prefeitura de Mogi das Cruzes.  A correção no valor das contas segue o índice aplicado pela Sabesp desde maio deste ano, aprovado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). 

Segundo a autarquia esse aumento vai reduzir o impacto provocado pela elevação de mais de 30% nos custos registrados neste primeiro semestre de 2022 nos insumos utilizados para manter a qualidade dos serviços da cidade. Mesmo com o reajuste, a empresa de saneamento municipal alega que “os valores pagos pelos mogianos continuam sendo os mais baratos de todo o Alto Tietê”.

De janeiro a junho de 2021, o Semae esclarece que foram destinados R$ 4.886.956,80 para custear os produtos químicos empregados no tratamento da água distribuída e do esgoto coletado. No mesmo período de 2022, a despesa foi de R$ 6.410.917,69, uma diferença de R$ 1.523.960,89, o que representa um aumento de 30% no orçamento.

A direção do órgão observa ainda que o percentual de 30% de alta nos custos refere-se à média geral de todos os reajustes de produtos. O Serviço afirma que em alguns casos específicos a elevação no valor dos insumos foi bem mais impactante, apontando alguns agentes químicos utilizados no processo de tratamento da água, que teve reajuste maior que 300%.
As despesas com energia elétrica é outro ponto citado pelo Semae, com elevação de 40,60% nas contas no primeiro semestre de 2022, em comparação a igual período de 2021, além dos combustíveis que subiram 55,83%. 
As altas nos custos seguem os aumentos de outros produtos e serviços provocados pela inflação e pela guerra na Ucrânia.

O principal argumento, no entanto, é a necessidade realinhar os valores com o preço cobrado pela Sabesp, que fornece um terço da água consumida no município. De janeiro a junho de 2022, Mogi pagou à estatal R$ 23.186.324,09, o que dá uma média mensal de R$ 3.864.387,35. 

Sem essa revisão dos valores, a estimativa era de um deficit de aproximadamente R$ 17 milhões em suas contas em 2022, o que compromete a prestação de serviços e os investimentos. 

Comparação

O Semae divulgou comparativo com os preços cobradas pela Sabesp na região para justificar o reajuste de 12,8%. A última correção foi de 9,3% foi em julho do ano passado, para começar a ser pago em setembro de 2021. 

Com a elevação da tarifa, a autarquia observa que o cliente residencial que ocupa a primeira faixa de consumo (que vai até 10 mil litros de água por mês) pagará uma conta 41% menor que a cobrada pela estatal nas demais cidades do Alto Tietê, considerando a mesma categoria e volume consumido.

De acordo com o diretor-geral da empresa de saneamento, João Jorge da Costa, “com o reajuste da Sabesp, em maio, a diferença ficou ainda maior. E mesmo com a atualização que vamos implementar agora, o valor pago pelos mogianos continua sendo bem inferior, sendo que os desafios e os custos do saneamento são os mesmos”.

Essa faixa de consumo concentra mais da metade da população do município, chegando em um índice de 55%. Neste caso, a atualização da conta representará R$ 5,27 a mais, passando de R$ 41,14 para R$ 46,41. Em outras cidades da região, a tarifa para a mesma faixa de consumo residencial, é de R$ 65,42.

A autarquia argumenta que nas outras cidades da região a tarifa de água e esgoto foi reajustada nos três últimos anos. Em Mogi, o conta ficou mais cara em 2021 e agora, em 2022.

A Prefeitura esclarece que 36% das ligações já terão o reajuste em setembro. Outra parte ou seja, 64%, em outubro, porque “leituras são feitas pelos leituristas com muita antecedência, por causa do tamanho da cidade, tanto que a conta vem com data de vencimento de um a dois meses para frente não daria tempo .de fazer o lançamento em todos os lotes ao mesmo tempo”. 

Obras e investimentos

Para justificar o reajuste nos preços, o diretor do Semae, João Jorge, alega que essa medida é necessária para que a autarquia prossiga com os planos de obras e investimentos para atingir as metas exigidas pelo Novo Marco do Saneamento.

A empresa municipal cita que recentemente foram concluídos a ampliação do abastecimento de água nas Chácaras Guanabara, a setorização e modernização na região leste e o sistema de esgotamento sanitário do Botujuru e parte de César de Souza.

Consta na relação de obras em andamento, a reforma de filtros na Estação de Tratamento de Água (ETA) Centro, ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Esgoto Leste, instalada em César de Souza, próximo ao Parque Centenário. O investimento é de R$ 32,6 milhões, com financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

O órgão esclarece que trabalha para ampliar a automação, telemetria - controle das unidades de abastecimento por comunicação sem fio-  e telesupervisão, com foco em coleta de dados para controle e redução de perdas de água no sistema de distribuição. 

Outras intervenções estão previstas no Sistema de Esgotamento Sanitário no Parque das Varinhas, orçadas em R$ 11,8 milhões e a construção de Coletor-tronco de Esgotos Parque da Cidade, com investimento de R$ 846 mil. 

Colaboração

A companhia detalha ainda que gastos com a rede de esgoto que poderiam ser evitados pela população. 
O órgão observa que precisa manter um trabalho diário de limpeza e desobstrução da rede de esgoto e que o principal motivo de entupimentos são os materiais lançados de forma irregular no sistema: gordura (que se solidifica), pedra, plásticos pedaços de madeira e de colchão, por exemplo. São materiais que jamais poderiam estar na tubulação de esgoto.

O trabalho é realizado diariamente por seis equipes que atuam na limpeza e desobstrução. Três delas trabalham com a desobstrução mecânica (uso de varetas), cada uma com dois funcionários. 

Outras três equipes atuam com caminhão hidrojato (equipamento que faz o jateamento de água sob pressão), com três funcionários cada uma. Os funcionários prestam serviços de segunda a sexta, 8 horas por dia, além de plantões que aos fins de semana para atender emergências

Caminho da água

A água servida aos mogianos é captada no Rio Tietê. São 830 litros por segundo, tratados nas estações Centro e Leste. Esse volume, no entanto, tem a capacidade de abastecer 60% da cidade. Os outros 40%, que representam um volume de aproximadamente 550 litros por segundo de água já tratada são fornecidos pela Sabesp.

A quantidade de água extraída da Pedra de Afiar, no Tietê, representa 99,55% do volume de produção do Semae. Os outros 0,45% vêm de captações subterrâneas (poços) dos sistemas autônomos de abastecimento em núcleos isolados, como a Chácaras Guanabara, Jardim Nove de Julho, Biritiba Ussu e outros.

A cidade conta atualmente com145 mil ligações, para atender aproximadamente 450 mil habitantes, com abastecimento de água de 99% da área urbana. Quanto ao esgoto, apesar de o Semae fazer a coleta 94%, só é feito o tratamento de 64%. 
Para a água tratada chegar ao consumidor, Mogi possui uma rede de 1,2 mil quilômetros, sendo 200 quilômetros de adutoras e 1.000 quilômetros de distribuição. Há cerca de 104 km de vias públicas na cidade dotadas de sistema de drenagem com galerias subterrâneas que absorvem as águas da chuva. Essa estrutura, segundo o Semae, garante o escoamento da água, contribuindo para a diminuição de enchentes e alagamentos.

De acordo com a direção do Semae, seria importante se o abastecimento público fosse feito com a captação de água nas represas do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat) que ocupam mais de 30 km2 do território do município, com as barragens de Taiaçupeba, Jundiaí e Biritiba Mirim, não só pela reserva, como pela qualidade, que é melhor que a do rio. 
Mas apesar de ter discutido essa proposta com o Estado, o Semae ressalta que possibilidade ainda é remota, pois não há autorização dos órgãos governamentais responsáveis pela gestão das represas e outorgas.

O município não enfrenta riscos com racionamento, mas mesmo assim, o Semae orienta os moradores a economizar água. Quanto às perdas na distribuição, a autarquia reforça que vem atuando na redução dos índices, que é um processo que demanda grandes investimentos.

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conosco
O Diário de Mogi© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por