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MORTES NO TRÂNSITO

Sem radares, Mogi-Salesópolis é sinônimo de perigo

Desde que os radares do acesso foram desligados, pelo menos sete mortes ocorreram nesta rodovia, a SP-88

Eliane José
14/05/2022 às 07:33.
Atualizado em 14/05/2022 às 16:38

Sem prazo para radar fixo, moradores acompanham os graves acidentes no acesso (Arquivo)

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MORTES NO TRÂNSITO

Sem radares, Mogi-Salesópolis é sinônimo de perigo

Desde que os radares do acesso foram desligados, pelo menos sete mortes ocorreram nesta rodovia, a SP-88

Eliane José
14/05/2022 às 07:33.
Atualizado em 14/05/2022 às 16:38

Sem prazo para radar fixo, moradores acompanham os graves acidentes no acesso (Arquivo)

Graves registros de acidentes com vítima fatal na rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura, a SP-88, conhecida como Mogi-Salesópolis, coincidem com o período em que os radares do acesso foram desligados, em janeiro do ano passado. Não há um levantamento oficial, mas em 2021, pelo menos 7 mortes ocorreram no acesso entre as três cidades. Neste ano, três pessoas, uma mulher e dois homens, morreram na estrada que continuará sem a fiscalização eletrônica, por período indeterminado, segundo resposta do Governo do Estado.

O Diário solicitou à Secretaria Estadual de Transportes, mas não recebeu informações atualizadas sobre as mortes na estrada nos dois últimos anos, e nem sobre quando a fiscalização eletrônica será reativada.

Um levantamento em publicações em sites da cidade e região revela que sábado e domingo são os dias com mais registros, e motociclistas são a maioria das vítimas que vieram a óbito. Nestas tragédias, chama atenção a presença de caminhões e ônibus nas colisões (veja balanço abaixo).

Entre janeiro a julho do ano passado, as mortes já alertavam sobre os riscos que prosseguem até hoje. No final de semana passado, uma mulher de 88 anos, e um homem, de 20 anos, morreram na mais recente colisão. Na manhã de terça-feira (10), um acidente envolvendo um ônibus e um caminhão carregado de madeira deixou 5 feridos leves.

 Com alguns trechos em linha reta, onde o excesso de velocidade costuma ser flagrado com frequência, a estrada de pista simples recebe o tráfego de caminhões que escoam a produção rural e industrial – no trecho de Mogi das Cruzes, a partir do bairro do Cocuera, até Salesópolis.

Nos finais de semana, o perfil dos usuários tem mudado com a oferta de mais chácaras e sítios para veraneio. O morador Ronaldo Leme, do Cocuera, lembra que a falta fiscalização ao excesso de velocidade também ocorre nas estradas vicinais e acessos como a Estrada do Nagao. “Sem os radares, seria necessário colocar mais policiais rodoviários, no trecho estadual, e agentes, no municipal, mas, isso não acontece, nem aqui, nem nos outros distritos, como Taiaçupeba”.

Os acidentes na Mogi-Salesópolis e na Estrada das Varinhas (rodovia Engenheiro Cândido Rego Chaves) ganharam destaque no início deste mês, com a morte do missionário Peter Vitek que estava andando de bicicleta quando foi atropelado, ao lado de um outro ciclista, também missionário que trabalha na Associação São Lourenço, em Taiaçupeba. O segundo ciclista teve ferimentos nos braços.

O corpo de Peter Vitek deverá ser enterrado na quarta-feira (11) em Senec, na Eslováquia, onde ele nasceu e residem os familiares dele.


Riscos

Vereador de Mogi das Cruzes,  Vitor Emori (PL) é ciclista e contou que, em outras oportunidades, solicitou a volta dos radares na Mogi-Salesópolis, mas não obteve retorno do DER (Departamento de Estradas de Rodagem).
Emori é contra o “radar do tipo pegadinha”, mas defende que a fiscalização eletrônica, ali, se faz necessária porque há trechos em reta, onde motoristas irresponsáveis desenvolvem velocidade acima do permitido.
Há trechos na rodovia Mogi-Salesópolis, nas proximidades de escolas e áreas mais populosas, com velocidade máxima de 40 km/hora a 60 km/h. “Ando de bike e vejo abusos”, comentou o parlamentar.

Questionado sobre o desprestigio das moções encaminhadas ao DER, Emori defendeu a ampliação da bancada de deputados estaduais. “Temos apenas o (Marcos) Damásio, do PL, que faz o que pode, mas precisamos ter mais representatividade para a cidade ser mais ouvida”.

DER afirma que ainda trabalha na licitação de radar

No ano passado, em julho, após uma série de reportagens sobre o excesso de acidente, em resposta a O Diário, o DER, órgão ligado à Secretaria de Estado de Transporte e Logística, confirmou que após o término do contrato com a empresa responsável pelo trecho, os radares foram desligados e removidos.

A promessa era que “o processo licitatório para novos aparelhos segue os trâmites previstos na legislação, e será concluído em breve. O DER informa que a fiscalização da velocidade continua sendo realizada pela Polícia Militar Rodoviária por meio dos radares portáteis, operados por agentes”.

A caminho de se completar um ano desse posicionamento, o acesso que voltou a receber mais veículos, após a melhoria dos quadros da pandemia, segue sem a fiscalização eletrônica.

O morador Ronaldo Leme cobra a presença dos policiais,  já o vereador Vitor Emori diz que vê policiais. “Não é um policiamento zero, há policiais, mais precisa ser intensificado”.

O vereador defende a educação para o trânsito para reduzir os índices. “A gente se sente impotente diante da falta de respostas e o vereador não tem o poder de polícia, o que temos são as campanhas, como o Maio Amarelo (de prevenção aos acidentes de trânsito)”, contou.

 Sem prazo

O Diário solicitou informações ao DER sobre os radares e os acidentes. A curta respota foi: “O DER trabalha na licitação para a instalação de novos radares na rodovia. Enquanto isso, a fiscalização da velocidade continua sendo realizada pela Polícia Militar Rodoviária, por meio dos radares portáteis.  O DER alerta que o respeito às leis de trânsito, como dirigir dentro da velocidade determinada na via, é vital para um trânsito mais seguro”.

  

Veja a seguir, alguns dos acidentes no acesso (não há informações sobre vítimas que tenham morrido após o encaminhamento para os hospitais):

29 de janeiro  de 2022 -  O policial militar aposentado Milton Piva após atropelamento, e a mulher dele teve ferimentos graves.
2022

19 de fevereiro – Capotamento de um veículo no quilômetro 59 fere três pessoas 

18 de abril – Caminhão carregado de areia tombou no quilômetro 59. Não houve vítimas

9 de maio – Cinco pessoas tiveram ferimentos leves após a colisão entre um caminhão e um ônibus

 2021 

3 de janeiro  – Motociclista morre em colisão com ônibus. 
14 de fevereiro – Motociclista morre após queda no trecho inicial rodovia
21 de março – Um homem morre e duas pessoas ficam feridas no quilômetro 69, em Biritiba Mirim
21 de maio  – Uma vítima fatal, colisão entre carro e caminhão, no quilômetro 66
17 de julho de 2021 – Dois trabalhadores morrem em acidente entre um carro e um ônibus, no quilômetro 61.
25 de setembro – Carro derruba poste e rodovia fica congestionada durante horas.
17 de dezembro – Funcionário do Semae, , voltava para casa de moto e morreu após colisão com um veículo no quilômetro  79.
 
2020
18 de novembro – Motociclista morre em acidente ao colidir moto em um caminhão, no km 62.
9 de novembro – Motociclista morre após colisão com veículo.
25 de maio – Quatro pessoas morrem em um acidente na Estrada do Nagao, que liga as rodovias Mogi-Salesópolis e Mogi-Bertioga.

*Os dados são de levantamento baseado em reportagens de O Diáro e outros órgãos de Imprensa

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