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ENTREVISTA

Secretário Lucas Porto avalia a posição de Mogi no ranking de competitivdade dos municípios

Em pesquisa divulgada nesta semana, Mogi das Cruzes ficou em 109º. É a melhor colocação do Alto TIetê, mas 27 posições abaixo de 2020; a O Diário, o secretário municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, Lucas Porto, faz uma avaliação sobre o tema

Heitor Herruso
26/11/2021 às 18:46.
Atualizado em 26/11/2021 às 18:47

Além de ser pós-graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Lucas é pós-graduado em Gestão e Liderança Pública pelo CLP, onde trabalhava antes de entrar na administração de Mogi (Divulgação)

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ENTREVISTA

Secretário Lucas Porto avalia a posição de Mogi no ranking de competitivdade dos municípios

Em pesquisa divulgada nesta semana, Mogi das Cruzes ficou em 109º. É a melhor colocação do Alto TIetê, mas 27 posições abaixo de 2020; a O Diário, o secretário municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, Lucas Porto, faz uma avaliação sobre o tema

Heitor Herruso
26/11/2021 às 18:46.
Atualizado em 26/11/2021 às 18:47

Além de ser pós-graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Lucas é pós-graduado em Gestão e Liderança Pública pelo CLP, onde trabalhava antes de entrar na administração de Mogi (Divulgação)

Nesta semana, foi publicado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) o Ranking de Competitividade dos Municípios. Mogi das Cruzes ficou em 109º. É a melhor posição do Alto Tietê, mas houve queda de 27 colocações na comparação com o desempenho de 2020. A O Diário, o secretário municipal de Planejamento e Gestão Estratégica, Lucas Porto, faz uma avaliação sobre o tema.

Além de ser pós-graduado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Lucas é pós-graduado em Gestão e Liderança Pública pelo CLP, onde trabalhava antes de entrar na administração de Mogi. Ou seja, ele conhece o ranking não apenas como gestor, mas também como um "insider", alguém que entende o funcionamento do sistema.

Na reportagem publicada por este jornal na terça-feira (23) há uma explicação sobre os “65 indicadores, organizados em 13 pilares temáticos e 3 dimensões: instituições, sociedade e economia”, que norteiam o estudo. O secretário explica que são “dados oficiais”, mas comuns a todas as 411 cidades avaliadas. Ou seja, nenhuma informação foi fornecida diratamente pela Prefeitura de Mogi, e sim obtida com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outras fontes.

“A gente valoriza muito, na administração do Caio (Cunha) e da Priscila (Yamagami), esse tipo de iniciativa. Traz clareza para nossos desafios. Não só os nossos, mas de maneira geral, para todos os municípios que estão dentro da pesquisa. É complicado ter mão de obra e tempo para fazer um super estudo, então nos ajuda demais, apontando caminhos que eventualmente com a equipe interna não conseguimos olhar, a partir de dados, o que é super importante. Fazer política pública a partir de dados é o caminho que a gente está construindo com a nova Secretaria Municipal de Transparência e Comunicação Social – SMTCS”.

É claro que existe conferência para a tomada de decisões baseadas nos números apontados pelo ranking. “Infelizmente vivemos um apagão de dados generalizados no Brasil, em virtude do atraso, da não realização do censo. Então sim, a gente faz etapa de verificação, de aprofundamento. E tem outro fator também. Esse ranking é ‘olhando pelo retrovisor’. Muitos indicadores usados são de 2020 ou até mesmo de outros anos, por conta desse ‘gap’, desse escuro de indicadores que está tendo no país”.

Aqui, Lucas Porto deixa claro que “a gente precisa entender que essa fotografia que o ranking proporciona não é de 2021, e sim dos outros anos, de gestões passadas inclusive”, e que é preciso “atuar para mudar a realidade”.

 Análise

Com essa afirmação sobre a retroatividade dos números, o secretário de Planejamento e Gestão Estratégica inicia a avaliação sobre o Ranking de Competitividade dos Municípios, que considerou Mogi das Cruzes 27 posições abaixo do resultado de 2020, quando a cidade estava em 82º.

Isso se deve, segundo ele, a “alguns fatores”. Para explicar, parte para uma análise “dos principais indicadores” em que houve queda. Alguns dos mais críticos estão na categoria ‘Funcionamento da Máquina Pública’, como por exemplo a ‘Transparência Municipal’, que está em 359º, a ‘Qualidade da Informação Contábil e Fiscal’, que está em 232º, e a ‘Qualificação do Servidor’, que está em 128º.

“Falando um pouquinho das medidas que a atual administração está fazendo, de maneira muito acertada com base no diagnóstico, é criação da Secretaria de Transparência e Comunicação Social. A gente sabe, desde o início, que transparência não era ponto forte da Prefeitura de Mogi, e esse diagnóstico vem a ser validado pelo ranking do CLP”, avalia.

Para voltar à queda no ranking, ele explica uma série de medidas que estão sendo adotadas agora, e que devem ter como reflexo a elevação dos números na próxima contagem. “A gente fez uma espécie de convênio, parceria, termo de cooperação, com o Ministério da Justiça, para trabalhar essa questão da transparência. E estamos em processo de reformulação do Portal da Transparência, que terá PDFs pesquisáveis, além de diversas ações e projetos que estão em andamento que atacam o indicador onde tivemos maior queda”.

Outro ponto que tem recebido atenção da administração é a ‘qualificação do servidor’, segundo Lucas. “Estamos em um amplo processo de planejamento, de valorização dos servidores, de fortalecer a Escola de Governo e Gestão que a gente tem aqui”.

 Sobre os ‘potenciais’ de Mogi

O ranking mostra quais são os “potenciais” das cidades avaliadas. No caso de Mogi, consta “Acesso à Educação”, na 38ª posição e queda de 16 em relação a 2020 e "Qualidade da Educação", na 113ª posição e redução de uma apenas.

Sobre estes temas, Lucas apresentou o seguinte cenário:  “Estamos em uma bateria de inaugurações de novas creches. Temos aproximadamente uma fila de creches no nosso diagnóstico de aproximadamente três mil crianças à espera de uma vaga na educação infantil, e essa é uma das principais metas da atual administração. Vamos inaugurar cinco escolas nesse ano - algumas já foram inauguradas - e para os próximos anos serão mais 10 creches, em regiões em que identificamos que existe essa necessidade. E além da construção de novas unidades existe também a questão do replanejamento e reorganização para aumentar a eficiência da distribuição das vagas da educação”.

Emendando este assunto com a Transparência, o secretário prometeu “publicar a lista da fila da creche”, para que as pessoas possam “saber de maneira fácil e transparente em que posição a criança está nessa fila”

Já sobre a Qualidade da Educação’, ele cita a inauguração de ‘Escolas de Futuro’, como uma que está planejada para Jundiapeba, e fala em “adequar a educação para o século XXII”.

Outros pontos fortes da cidade são “Segurança”, “Sustentabilidade Fiscal”, “Saneamento” e “Meio Ambiente”. Além destes, a “Qualidade da Saúde”, impressiona por ter subido 98 posições, alcançando a 117º agora.

O crescimento deste item é impulsionado pela “questão da mortalidade materna e mortalidade infantil”, diz Lucas, que reconhece, porém, um “desafio muito grande” na área, que devido a pandemia de Covid-19 está com um “represamento, um estoque grande de consultas”. Por isso, “o principal foco é retomar e voltar a atender as pessoas”.

Nesse ponto, ele cita algo que é coerente com os pensamentos do prefeito Caio Cunha (PODE), desde a campanha, com o plano de governo ‘Vamos Ocupar a Cidade’: o foco tem que estar em “não deixar as pessoas ficarem doentes, e sim em prevenir as doenças, ter promoção da saúde”.

“Mogi avançou e a gente precisa reconhecer. Tem o Hospital Municipal, tem a contribuição importante do SUS, que é referência, tem as UPAs que foram construídas ao longo dos últimos 15 anos. Mogi teve esse avanço, mas não no acesso à saúde, da saúde básica. Precisamos melhorar na abrangência da unidade da saúde da família, não deixar que as pessoas fiquem doentes”.

 Sobre os ‘desafios’ de Mogi

São desafios para a cidade, apontados pelo ranking, temas como “Inserção Econômica”, "Acesso à Saúde”, "Telecomunicações” e "Capital Humano". Mas, como já foi comentado acima, o item “Funcionamento da máquina pública’ (275º, com queda de seis posições) é um dos principais problemas.

“Muito se dá na Transparência, que é o principal indicador dentro dessa categoria. E eu também destacaria o Planejamento. Não tínhamos até então uma secretaria de Planejamento, e sim Planejamento Urbano, que trata de urbanismo, lei de uso e ocupação do solo, quando uma pessoa vai fazer alguma obra, enfim. Mas agora temos uma, para olhar para os indicadores, para o orçamento da cidade e quais são as escolhas, alocações estratégicas que precisamos fazer em termos de recursos financeiros para formular melhor políticas públicas, para decidir quais delas a gente precisa fortalecer”, argumenta Lucas Porto, que é o titular desta nova Pasta.

Outra problemática é “Inovação e Dinamismo Econômico” (138º, com queda de seis posições). Para melhorar este índice, Mogi “prepara uma nova lei de incentivo para estimular a atração de empresas de tecnologia”.

Está na mira o futuro. “Temos Etec, Fatec, Polo Digital, UMC. Temos ecossistemas, equipamentos, instituições importantes, só que desconectados”, diz ele.

O gestor cita a promoção de áreas de “potencial logístico”, como o distrito do Taboão – que está “à beira da principal estrada do país e perto do Aeroporto de Guarulhos” e também a criação de um “HUB de Inovação”, área que ficará no Centro da cidade e que deve reunir vários dos equipamentos de tecnologia da cidade, inclusive o Polo Digital, que hoje opera em César de Souza e pode ser transferido para lá, talvez ainda mantendo alguma atividade no atual endereço.

Para ele, todas essas mudanças podem não ter “impacto no curto prazo, de um ano para outro”. Muito do que está sendo alterado pela atual gestão “será sentido ao longo dos próximos anos”, e certos pontos “serão legado para próximas administrações”.

 Mogi na liderança regional

Em 109º no ranking, Mogi ficou à frente de todas as outras cidades da região. Arujá ficou em 114º, Suzano em 171º, Poá em 214º, Ferraz de Vasconcelos em 257º e Itaquaquecetuba em 283º. Biritiba Mirim, Guararema, Salesópolis e Santa Isabel não entraram na pesquisa, por ter menos de 80 mil habitantes cada. 

Para Lucas Porto, a liderança mogiana é um cenário natural. "Sempre tivemos protagonismo no cenário regional, e vamos continuar tendo. É o polo, a 'capital do Alto Tietê', pelo seu tamanho, potência econômica.Todas essas políticas públicas e projetos que eu cito para atacar os desafios que foram apontados pelo ranking  com certeza vão manter Mogi nessa rota de liderança da região, de reafirmamento da cidade nessa posição".

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