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Igreja Católica

Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós será construído às margens da avenida das Orquídeas

Construção do templo é idealizada pelo padre Jonatas Pereira Diniz, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Sabaúna

Carla OlivoPublicado em 04/12/2020 às 17:50Atualizado em 07/12/2020 às 14:46
Divulgação
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O Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, idealizado pelo padre Jonatas Pereira Diniz, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Camo, de Sabaúna, será construído na região da avenida das Orquídeas, novo acesso entre Braz Cubas e Jundiapeba, em Mogi das Cruzes. Os empresários Fumio Horii e Hissao Horii formalizaram ao bispo diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini, e ao sacerdote, nesta sexta-feira (4), a doação de uma área localizada na margem direita da nova via, no sentido Mogi-Suzano, para sediar o templo religioso. Na segunda quinzena deste mês, uma reunião discutirá os custos e o cronograma da obra.

No terreno, que contará com cerca de 15 mil m², além da igreja principal, serão construídas duas capelas, uma em louvor a São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia, e outra a Santo Ivo, padroeiro dos advogados, promotores e juízes. O projeto, elaborado pelos arquitetos Ciro Pirondi, diretor da Fundação Oscar Niemeyer, e Ana Longato, preocupou-se com a integração da construção com a natureza e tem espaços destinados ao desenvolvimento de projetos sociais. Na reunião para formalização da doação da área, também estiveram presentes os advogados Dirceu Valle, presidente da 17ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mogi das Cruzes, e Jéssica Lourenço, que cuidarão dos procedimentos jurídicos.

"A construção do Santuário de Nossa Senhora Desatadora de Nós, cuja representação também é de devoção do Papa Francisco, é a realização de um sonho. Deus cumpriu sua promessa e estou muito feliz. Realizaremos trabalhos sociais no Santuário, que contará com fácil acesso pelo trem, já que há projeto para uma nova saída da estação Braz Cubas, que ficará bem em frente à entrada do Santuário", explica o padre Jonatas, que nos últimos anos tem atraído fiéis a Sabaúna para acompanhar as missas de cura e liberação que celebra a céu aberto, no pátio externo da igreja

Nascido em Resende, no Rio de Janeiro, onde passou a infância com os pais, o pedreiro Jorge luiz Diniz e a manicure Ana Maria Rodrigues Diniz, e os irmãos Júlio César, Júnior e Kelly, Jonatas ingressou, aos 15 anos, no Seminário Diocesano de Volta Redonda (RJ) e depois completou os estudos na Faculdade de Filosofia e Teologia Paulo VI, em Mogi das Cruzes.

Ao chegar a Sabaúna, ainda como seminarista, acompanhou o então pároco, Orlando Cruz. Depois de ordenado padre, ele assumiu a paróquia e há meses passou a reunir fiéis vindos de várias cidades, nas noites de quinta-feira, para as animadas missas de cura e libertação, assim como nas celebrações em louvor à Nossa Senhora Desatadora dos Nós, toda última quinta-feira do mês.

O movimento é tanto que as orações precisaram ser transferidas do interior da paróquia para o pátio externo, a fim de que todos pudessem acompanhá-las.

Além disso, o padre recebe dezenas de pessoas por dia que o procuram para bênçãos, conselhos, orientações, desabafos e confissões. 

Na Entrevista de Domingo publicada em O Diário, em setembro de 2019, o padre Jonatas contou sua história:

 Como chegou a Sabaúna?

Aos 15 anos, entrei no Seminário Diocesano de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, onde estudei nove anos. Vim para Mogi das Cruzes e fiquei mais dois anos na Faculdade de Filosofia e Teologia Paulo VI. Morei na Cúria, fiz estágio em algumas paróquias com o bispo dom Pedro (Luiz Stringhini) e há dois anos cheguei a Sabaúna, onde acompanhei o padre Orlando Cruz. Depois da minha ordenação como padre, continuei aqui e quando ele foi transferido para Jundiapeba, assumi primeiramente como administrador e depois como pároco, em fevereiro deste ano. Tenho compromisso aqui até 2025.

 E a ideia de celebrar as missas de cura e libertação?

Cresci neste movimento carismático e desde a infância acompanho isso muito de perto, que é um produto da igreja, resultado do carisma dado pelo próprio Espírito Santo. Isso sempre me atraiu e durante os anos no seminário nunca mudei meu jeito de pensar.

 Quais as recordações da infância no Rio de Janeiro?

Minha família é simples. Meu pai é pedreiro e minha mãe manicure e tenho orgulho da profissão deles. A infância foi tranquila. Desde os 13 anos, eu trabalhava na farmácia e como sempre gostei de química, me identificava com as atividades de farmacêutico e creio que se não fosse padre, essa seria minha profissão. Meus pais nos ensinaram a lutar e batalhar para conseguir as coisas. Aos 15 anos, decidi entrar para o seminário e nesta fase, eles se separaram, mas isso nunca foi um empecilho e jamais desanimei, porque sempre me apoiaram.

 De que forma descobriu a vocação?

A aproximação com a igreja começou quando da minha casa ouvia os sinos e dizia para minha mãe que queria ir onde eles estavam tocando. Ela me levou para a igreja em um domingo. Gostei, voltei no outro domingo e ela me colocou na catequese. Aquilo foi tão envolvente, quando vi já fazia parte de várias coisas na igreja e logo me tornei coroinha. Aliás, a maioria dos padres foi coroinha, porque a vocação nasce no altar. Fui caminhando cada vez mais ajudando a comunidade. Conheci o padre Carlos Augusto, que era um exemplo, muito simples, humilde, extremamente atencioso e era cativante a sua fé na eucaristia. Ele tinha uns 60 anos e não deixava de atender a todos. Chegava cansado de andar pela estrada de terra, com a batina suja de barro. Fui me inspirando nesta vocação e seguindo os estudos. De 34 seminarista da minha turma, ficaram apenas eu e mais um. Não é fácil. Alguns desistem, outros a Igreja vê que não têm condições de continuar na caminhada vocacional.

 Como vem sendo a receptividade ao seu trabalho, com missas inovadoras de cura e libertação, em Sabaúna?

A receptividade vem sendo boa. Aqui é um local de tradições e de famílias conservadoras, mas sempre gostei de festas. No seminário, quando se falava em uma festa, eu era o primeiro a me candidatar para cuidar da organização. Quando cheguei a Sabaúna, vi que era um distrito bem pacato e que mesmo a vida da igreja era um pouco parada, então procurei movimentar isso. A missa é uma festa e a eucaristia significa ação de graças. Claro que no começo houve um pouco de dúvida, não digo resistência. Os ministros da eucaristia são 30 a 40 anos mais velhos que eu e é normal que isso aconteça, mas a receptividade do povo foi boa porque me simpatizei com as pessoas e isso foi recíproco. E cada dia é uma nova conquista. A cada dia você conquista um coração. Não se conquista todos no mesmo dia. Uma jornalista perguntou a Madre Teresa de Calcutá como ela havia salvo tantas almas. Ela respondeu que foi uma por vez, porque em um dia só era impossível. O trabalho na paróquia é assim e eu preciso ter a docilidade de me adequar a este tradicionalismo e conservadorismo. Por isso, às quintas-feiras, as missas são carismáticas, mas aos domingos são tradicionais. Preciso atender todos os públicos. Aqui tem missas de terça a domingo e apenas nas quintas-feiras, às 19h30, há a missa de cura e libertação.

 Como são estas missas?

Vem gente de todos os lugares, do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro, Vale do Paraíba, São Paulo, Minas Gerais…. Todas as quintas-feiras, às 19h30, celebro a missa de cura e libertação, que é bem animada, onde todos cantam e participam bastante, desde as crianças até as pessoas de mais idade. Já na última quinta-feira de cada mês, faço a missa de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, que é minha santa de devoção e colocou um desejo no meu coração para que distribuísse a oração, o óleo santo e um cordão com três nós para que as pessoas os desfaçam. Tem gente que não consegue. Esse óleo tem feito milagres na vida das pessoas, que podem passá-lo nos doentes, inclusive animais, na porta da casa, no local de trabalho, e até fazer comida com ele. O óleo é para necessidades espirituais, emocionais, humanas, físicas, financeiras, entre outras. Disponibilizo meu WhatsApp para todo mundo e recebo uma média de 200 a 300 mensagens por dia de pessoas relatando milagres e testemunhos desse óleo santo. As missas reúnem cerca de 3 mil pessoas.

 De que forma vê esta repercussão?

O número de pessoas foi aumentando a cada quinta-feira. Não esperava isso, mas vejo como um presente, dádiva de Deus e ação do Espírito Santo. Durante o dia, atendo as pessoas, converso, ouço o que têm a dizer e procuro entendê-las. Há muita gente que vem desabafar, confessar, pedir benção ou relatar milagres. E esse trabalho que está acontecendo só me faz acreditar na graça de Deus e não nos meus méritos, porque sou pecador como todos os que vêm aqui. Dia desses atendi uma mulher de 36 anos que me disse que não queria mais viver, começou a chorar e falou que pretendia se suicidar. Deus já colocou muitas pessoas com depressão para eu atender e busco especializações constantes para usar nesta área. Temos 45 suicídios por dia no Brasil. Estamos no Setembro Amarelo, dedicado ao combate ao suicídio, mas ainda é necessário fazer muito mais. Não sou mágico e não tiro da cartola algo para resolver os problemas das pessoas que entram aqui. Mas Deus me usa na minha vocação para fazer alguma coisa na vida delas para que saiam transformadas. O que acontece aqui não é natural, é algo sobrenatural.

 Por que há tantas pessoas em depressão ou com doenças emocionais hoje?

As pessoas estão carentes, precisam de uma palavra, de alguém que as ouça. A Igreja é uma casa e na nossa casa, a gente quer se sentir bem. Os responsáveis pela casa são os pais. Na Igreja, é o padre, que precisa acolher e amar as pessoas. Tenho um ano como padre e já batizei 253 crianças, incluindo casos de filhos de mães solteiras, de pais divorciados e outras situações consideradas irregulares. Outro dia me criticaram, mas tive o cuidado de sentar e escutar família por família para entender seus motivos. Isso é acolher. Hoje ninguém se importa com a dor dos outros e ainda falam que depressão é frescura. A dor deve ser respeitada e entendida. Tenho feito isso sem pressa. Assim como nas missas de cura e libertação, que duram três horas. Quem vem doente pela manhã volta curado à noite. Também sou devoto de São João Bosco e tem uma frase dele que diz que Deus nos colocou no mundo para os outros e eu acredito nisso.

 A tecnologia aproxima ou separa as pessoas?

Hoje não tem mais aquela coisa dos vizinhos irem na casa dos outros tomarem café e das crianças brincarem na rua. Todo mundo, desde muito cedo, está conectado com a tecnologia. Tem muito fiel que diz que não vai à missa porque a assiste pelo Facebook. Tem o lado bom e ruim disso. O bom é que doentes ou impossibilitados podem acompanhar a missa pela live, mas o ruim é que os que não estão nestas condições não aparecem nas missas também. A maioria dessas crises é justamente por causa disso deste afastamento. Os jovens chegam da escola ou do trabalho e se isolam. Não têm contato com os pais e quando fazem as refeições com eles estão com o celular na mão. Não sou contra usar as redes sociais, porque eu também uso. Mas é preciso dosar, caso contrário tem feito muito mal às pessoas, porque a rede social não te faz críticas e é uma fuga. Você vê e curte o que quer e o que te incomoda você bloqueia. Na vida real você não consegue bloquear as pessoas e você pode tentar se esconder, mas uma hora será encontrado. São mundos diferentes.

 Qual sua posição sobre temas polêmicos que vêm sendo abordados pelo papa Francisco, como celibato, aborto, homossexualismo…

O nosso papa é maravilhoso e é uma resposta ao tempo de hoje. É o papa do diálogo, que quebra protocolos, se reúne com líderes de outras religiões, procura entender as pessoas e acolhê-las. Assisti ao seriado “Pode me chamar de Francisco” e me emocionei com a história vocacional dele. Rezou missa em cima de caixote na favela. Sobre algumas polêmicas, como o celibato, é claro que ele não vai ser extinto, porque é bíblico. Jesus não casou e é por isso que os padres não se casam. Nesta questão, o papa não vai mexer. Há pessoas falando sobre isso, mas são achismos. Agora, sobre o aborto, o papa é contra, assim como nós, mas há inúmeras razões de alguém que provoca aborto. O papa Francisco procura entender cada caso porque não é possível dar uma sentença única sem saber o que se passou na vida da pessoa. A questão do homossexualismo, não se pode jamais dizer que é doença. Todos são filhos de Deus.

 Quais seus planos?

Quando nascemos já temos um projeto definido para nós. Meu sonho é construir um Santuário de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, igual ao do padre Marcelo Rossi. Quando era criança eu já me espelhava nele. Se Deus quiser eu vou conseguir. E será um santuário internacional. Ainda não tenho terreno, mas o bispo dom Pedro já abençoou o projeto e já tenho o mais importante, que é o santuário humano, que são os fiéis. O restante vai vir aos poucos. Entreguei nas mãos de Deus e de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, assim como fiz na época em que estava no semnário diante das dificuldades. Sempre fui recebendo sinais e em janeiro deste ano, no Cerco de Jericó, durante sete dias, o número de pessoas ia aumentando até chegar à multidão de fiéis no último deles, debaixo de chuva. Acredito que em cinco anos, este santuário e a clínica possam estar prontos. Quero que tudo siga os caminhos normais, nada de errado. Quero morrer usando batina e sapato. Não quero roupa de marca, carro caro, mas sim uma vida modesta e saber acolher e ajudar as pessoas. São Tiago nos disse que em vez de palavras e pedras preciosas é preciso mostrar obras concretas, senão fica apenas no discurso ideológico. Ao lado do santuário será a clínica para pessoas depressivas e com doenças emocionais, que poderão passar ali uma semana, um mês, o tempo que for necessário para se sentirem acolhidas e amadas. Quero salvar vidas.

 O padre Marcelo Rossi é um ídolo. Pretende cantar e escrever livros também?

Não tenho vocação para cantar. Com o grupo de música da igreja eu seguro as pontas, mas sozinho não. Estou escrevendo um livro e quero lançá-lo até o final deste ano. Chama-se “Desertos não duram para sempre” e fala que todo sofrimento tem começo, meio e fim, assim como o deserto, que é um lugar muito quente durante o dia, mas muito frio à noite. Ele vai de um extremo a outro. É um livro para pessoas depressivas, que precisam caminhar pelo deserto, às vezes rastejando e sem forças para ficar em pé, mas assim como no deserto, existe um oásis no final. Com o sofrimento humano também é assim.

 A batina é usada o dia todo?

Faça chuva ou faça sol, quando acordo já visto batina e coloco o chapéu barrete e assim fico até o final do dia. Esta é minha identidade e como tenho 27 anos, se colocar calça jeans e camiseta vou parecer um jovem qualquer. A batina me identifica como padre e as pessoas já me reconhecem. E o chapéu indica a missão do padre de governar santificar e reger.

 Já namorou na adolescência?

Posso dizer que tive um namoro de criança, quando era apaixonado por uma menina e levava presentinhos para ela. Mas era algo bem infantil, porque entrei para o seminário aos 15 anos e sabia que a vocação era maior do que isso.

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