A direção da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes espera mobilização por parte dos deputados federal, estadual, e de lideranças políticas da cidade para tentar reverter a decisão do Governo do Estado sobre o corte de 12% no repasse de recursos aos hospitais filantrópicos. A instituição afirma que o contingenciamento vai promover aumento no déficit no orçamento, que atualmente é de R$ 500 mil mensais.

A entidade, que já assinou nota junto com demais hospitais representados pela Federação das Santas Casas do Estado de São Paulo, alega que deixaria de receber cerca de R$ 1 milhão por ano. A decisão do Estado impacta nos recursos dos programas Santa Casa Sustentável e o Pró - Santa Casa, que somam repasse mensal de R$ 86 mil.

“O corte desses recursos vai refletir direto no nosso orçamento, porque com ou sem os valores, temos o compromisso de trabalhar da mesma forma, mantendo a qualidade de atendimento à população”, explica o provedor José Carlos Petreca, que descarta a possibilidade de reduzir equipes de profissionais, medicamentos ou qualquer outra situação que possa prejudicar o trabalho realizado pelo hospital que atende de portas abertas na cidade.

Para conseguir manter os serviços nessas condições, ele disse que a Santa Casa teria que fazer mudanças internas, rever formas de reduzir gastos “e rebolar um pouco porque não podemos deixar cair o nível de atendimento”, reforça.

Petreca solicita a colaboração dos deputados federal Marco Bertaiolli (PSD) e do estadual Marcos Damásio (PL), além de outros parlamentares da região para convencer o Governo do Estado a manter os repasses necessários para complementar as verbas que são repassadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que cobre apenas 65% no máximo pelos serviços prestados.

“Nós vamos teimar em reclamar, porque temos esperança que o governador (João Doria - PSDB) entenda o quanto vai prejudicar as instituições que prestam serviços, como a Santa Casa, que tem o compromisso de não deixar que isso reflita na população”, insiste.

Atualmente, a Santa Casa conta com o repasse mensal da Prefeitura de Mogi: R$ 1 milhão para a manutenção do Pronto Socorro (PS), e mais R$ 100 mil para os serviços do Mãe Mogiana. 

A entidade conta também com a ajuda da comunidade e com as ações desenvolvidas pela instituição para reforçar o orçamento, como os programas Nota Fiscal Paulista e Hiper Cap, além campanhas feitas por setores do comércio.

O hospital é responsável por cerca de 20 mil atendimentos por mês, 5 mil partos por ano, além de ser referência em ortopedia, oftalmologia, neurocirurgia e gestação de alto risco no Alto Tietê. Atualmente, 96% dos atendimentos realizados são de pacientes dependentes do SUS.

 

Deputados

O deputado federal Marco Bertaioll (PSD-SP) informa que já está montando um dossiê sobre a situação de todas as filantrópicas para apresentar ao governador João Doria com o objetivo de reverter essa redução. O trabalho está sendo feito juntamente com o presidente da Confederação e da Federação das Santas Casas do Estado de São Paulo, Edson Rogatti.

O deputado se dispõe a ajudar por entender que estamos “vivemos um momento muito delicado na área da Saúde em razão da pandemia causada pelo coronavírus e não é hora de reduzir verbas”.

Segundo Bertaiolli, o orçamento do Governo, enviado para a Assembleia Legislativa, cortou verbas da Secretaria de Estado da Saúde, ocasionando rearranjo nas verbas encaminhadas às Organizações Sociais de Saúde, o que provocou, por exemplo, o fechamento do Pronto Socorro do Hospital Luzia de Pinho de Melo, e o corte de 12% das subvenções do Programa Pró-Santa Casa, auxílio criado no governo do José Serra (PSDB).

O deputado estadual Marcos Damasio (PL), que se classifica como “um dos defensores” da Santa Casa de Mogi das Cruzes, pelo que a instituição representa não só para a cidade como para a região, informa que vai continuar contribuindo com emendas parlamentares para reduzir este impacto e, mais do que isso, vai “somar forças para que este corte seja revisto, uma vez que este momento é bastante delicado e o atendimento à população não pode ser prejudicado”.

 

Estado

A reportagem de O Diário questionou o Estado sobre a possibilidade de reversão dessa medida e aguarda a resposta da demanda.