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PANDEMIA

Samu de Mogi bate recorde de chamadas de Covid: 992

Coordenador do serviço, o médico Milton Yaekashi, diz que este ano também “está perdido” para a pandemia

Eliane JoséPublicado em 14/04/2021 às 18:39Atualizado há 29 dias
Foto: arquivo / Eisner Soares / O Diário

Um parâmetro sobre a evolução dos casos graves de Covid-19 é encontrado na rotina do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o popular Samu. Desde o início do ano,  o número de pacientes com a doença transportados por dia subiu de sete, em janeiro, para 15 em fevereiro e 32 em março, o mês que registrou um dos maiores picos da infeção em todo o País. Os primeiros dias de abril revelam um leve declínio divulgado oficialmente dos casos e óbitos provocados pelo vírus, no entanto, essa aparente vitória não entusiama o médico Milton Yaekashi, que assumiu a direção do Samu mogiano em fevereiro passado. Os dados deste mês ainda precisam ser fechados.

Mas vale comparar, enquanto em fevereiro foram 420 doentes transportados com a doença, em março, esse número subiu para 992, ou seja, mais do que o dobro.

Para o médico formado pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), o retorno às ruas de um maior número de pessoas e o lento processo de vacinação, deverão ter como efeito novas ondas de casos, o mesmo que se verifica em países com superior eficiência no processo de imunização, quando comparado com o Brasil, onde apenas um em cada dez brasileiros foi vacinado.

“Na minha opinião, a gente já perdeu este ano, de novo, e isso não é um pessimismo meu, é uma questão matemática: se o ministro da Saúde (Marcelo Queiroga) afirma que o Brasil vai vacinar um milhão de pessoas por dia, mas os dois principais laboratórios, Butantan e FioCruz, têm capacidade para produzir 16 milhões de vacina por mês, essa conta simplesmente não fecha”, comenta, chamando atenção, ainda, para os primeiros resultados de estudos sobre a variante P1, que se desenvolveu em Manaus.

Yaekashi observa que os primeiros estudos mostram que essa nova versão do vírus tem um poder de transmissibilidade maior, e que as chances de uma segunda reinfecção, em um mesmo paciente, varia entre 25% e 60%.

Ao lembrar a história de outras doenças de caracteríticas mundiais, como a poliomielite, também, o responsável pelo Samu conclui que a atual pandemia poderá permanecer entre ciclos de alta e baixa de casos.

O médico avalia que a organização da rede hospitalar, com mais leitos, deverá amenizar a situação vivida nas últimas semanas. “Mas, se as pessoas não se cuidarem, a terceira onda virá, e isso, se já não sentirmos uma alta daqui a duas semanas, após o feriado da Semana Santa”, adverte.

Reflexos

Ao contrário do ano passado, quando mais profissionais da equipe apresentaram sintomas e o diagnóstico da Covid, neste ano, essa situação ainda não se revelou.

Um outro efeito colateral sentido, principalmente entre as equipes de serviços hospitalares, como ele afirma, é a falta de mão de obra especializadda, como médicos e enfermeiros.

“Há muita gente sobrecarregada, e profissionais, inclusive, mais novos, que assumiram cargas de trabalho maiores, além de toda a pressão vivida no ano passado. Essa situação não melhorou, então, há muitos trabalhadores se desligando porque estão vendo que muitas pessoas não estão ajudando, continuam nas festas, ruas, enquanto quem está cuidando da saúde dos doentes está correndo o risco de levar o vírus para a casa e de também ser infectado. Os gestores tentam estimular, dão apoio psicológico, mas a situação continua há mais de um ano”, detalha.

A melhora nestes quadro depende do avanço da vacinação, mas da manutenção dos cuidados básicos, máscara, álcool gel e o distanciamento social. “Temos profissionais que tomaram as doses e estão enfrentando a Covid”, lembra o responsável pelo Samu.

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