O prefeito Caio Cunha (PODE) se reúne nesta quinta-feira (8) com representantes do Ministério Público para apresentar os seus argumentos no processo que recomenda a exoneração do médico e pediatra Henrique Naufel, secretário municipal de Saúde de Mogi das Cruzes.

Na primeira quinzena de março, o Ministério Público pediu a exoneração do secretário por ele ter sido um dos primeiros servidores da Saúde a tomar a vacina contra a Covid-19. 

O títular foi a segunda pessoa a receber o imunizante na cidade, no dia 20 de janeiro último, em uma espécie de cerimônia no Hospital Municipal de Braz Cubas, que marcou o esperado início da vacinação contra o coronavírus em Mogi. 

Professor universitário, Naufel coordena a pasta municipal da Saúde desde março do ano passado, quando o ex-secretário e ex-vereador Francisco Bezerra deixou o cargo para, naquele momento, disputar as eleições (o que não aconteceu, posteriormente, porque ele foi denunciado pelo MP).

Naufel assumiu a Secretaria no início da pandemia, ainda no governo do ex-prefeito Marcus Melo (PSDB) e foi mantido no cargo, ao atender a um convite feito por Caio Cunha, que iniciou o mandato como chefe do Executivo em janeiro último. Pesou na decisão do prefeito em mantê-lo na equipe de governo a excepcionalidade do momento - o combate à pandemia da Covid-19 que caminha para registrar mil mortes em Mogi das Cruzes, após pouco mais de um ano.

Para o MP, no entanto, ao tomar a vacina logo no primeiro dia da chegada das primeiras doses, Naufel, que ocupa um cargo de comando, furou a fila da imunização.

No encontro de amanhã (8), o prefeito deverá defender a permanência do médico, que por ser um profissional da saúde e ter mais de 60 anos, já seria mesmo contemplado com as doses naquele momento.

A vacinação contra a Covid-19 atendeu primeiramente os trabalhadores da saúde, que atuavam na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

Questionada sobre o encontro, a Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura respondeu apenas que o encontro "será amanhã", e não adiantou qual deverá ser o posicionamento de Cunha.

A manutenção de Naufel tem um significado político para o governo municipal porque ele é amigo pessoal e ex-professor do secretário de Estado da Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, o que garante um bom trâmite entre as duas secretarias, a de Mogi e a do Estado.

Gorinchteyn também é médico e professor de infectologia na Universidade de Mogi das Cruzes, onde se formou há 28 anos.

Nos bastidores da Secretaria de Saúde, uma eventual saída de Naufel é tida como inadequada e prejudicial para o atual momento de enfrentamento da pior crise sanitária do último século.