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Professores protestam contra volta às aulas presenciais em Mogi

Após morte de três profissionais da Educação em menos de uma semana, categoria quer suspensão das atividades presenciais até o recesso

Carla Olivo Publicado em 09/06/2021 às 15:27Atualizado há 6 dias
Eisner Soares
Eisner Soares

Professores da rede municipal de ensino de Mogi das Cruzes realizaram protesto em frente ao prédio-sede da Prefeitura e carreata pelas ruas da cidade, na tarde desta quarta-feira (9), pedindo a suspensão das aulas presenciais até o recesso escolar de julho, a fim de que todos os profissionais possam ser imunizados contra a Covid-19. Uma nova manifestação está marcada para esta quinta-feira (10), às 18 horas, na avenida Cívica, no Mogilar.

A mobilização ganhou forças após a morte da diretora Ana Paula Santos, do CEIM Lourdes Guerra; da agente escolar Eliana de Oliveira Berthão, da EM Professor Sérgio Hugo Pinheiro; e do auxiliar de desenvolvimento da educação, Alexandre Araújo da Silva.

Segundo a coordenadora Ana Paula Maciel Batalha, 26 anos, do CEIM Lourdes Guerra, mesma escola onde a diretora Ana Paula Santos, 51 anos, atuava, a retomada das aulas presenciais apenas poderá garantir segurança assim que todos os profissionais da Educação estejam imunizados.

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"A nossa diretora Ana Paula era muito dinâmica, querida e lutava com unhas e dentes para que todos os professores e funcionários da Educação fossem vacinados. Fez parte do grupo que se reunia pela internet com a equipe da Prefeitura para pedir a antecipação  dos professores. Ela sempre defendia que as aulas presenciais não deveriam ser retomadas antes desta imunização", explica a coordenadora.

A diretora, que fazia parte do grupo de risco para a Covid-19, morreu na noite desta terça-feira (8), e foi sepultada na manhã de hoje (9), no Cemitério São Salvador. "Ela havia tomado a segunda dose da vacina recentemente, mas estava internada no Hospital Santana desde a última quinta-feira (3), com a Covid, e não resistiu. É uma grande perda", lamenta Ana Paula Batalha.

Após a mobilização que reuniu cerca de 100 pessoas em frente à Prefeitura, o grupo saiu em carreata pelo centro da cidade. Houve buzinaço, faixas pretas e foto da diretora nos carros e pessoas exibindo cartazes com as frases: "Vidas importam", "A Educação de Mogi está de luto" e "Luto pela Educação".

Uma comissão de manifetantes foi recebida na Prefeitura. Segundo nota enviada pela Coordenadoria de Comunicação, “a Secretaria de Educação informa que recebeu representantes dos servidores junto ao prefeito Caio Cunha, à vice-prefeita Priscila Yamagami Kahler e as secretarias de Gabinete e Saúde para estabelecer um diálogo levando em conta as necessidades dos servidores e as premissas do direito das crianças à educação e da preservação da vida. A partir deste diálogo serão feitas reuniões para reavaliar a questão”.

Antes do protesto, questionada por O Diário, a Prefeitura de Mogi enviou nota dizendo que “lamenta profundamente as perdas de todas as pessoas de Mogi, do Brasil e do mundo, vítimas da Covid-19, bem como manifesta o pesar pelos servidores Ana Paula Santos, diretora do CEIM Lourdes Guerra de Campos, da agente escolar Eliana de Oliveira Berthão, da EM Prof. Sérgio Hugo Pinheiro e Alexandre Araújo da Silva, auxiliar de desenvolvimento da Educação da EM Rural Bairro São João”. 

“A Pasta informa que os servidores que pertencem ao grupo de risco permanecem em teletrabalho e os demais atuam em regime de revezamento, conforme organização das escolas. As unidades em questão não estavam programadas para o retorno na fase 1 da retomada. A pasta destacou que tem como premissas de trabalho a preservação da vida e o direito à educação neste processo de retomada gradual das atividades presenciais na rede municipal de ensino. As unidades escolares aptas ao retorno devem cumprir integralmente as 150 regras do protocolo sanitário e estão sendo feitas a compra e a distribuição de todos os EPIs para todas as escolas. Ainda na questão da prevenção, a Prefeitura de Mogi antecipou a vacinação dos profissionais da educação, iniciando pelos servidores das escolas municipais e creches subvencionadas que haviam retomado as atividades, processo que começou na semana passada”, trouxe a nota enviada ao jornal.

Vacinação

A partir de amanhã (11), o Governo do Estado liberou a vacinação para os trabalhadores da educação básica de 18 a 44 anos. 

Câmara

Na sessão da Câmara desta terça-feira (9), alguns vereadores se manifestaram sobre o protesto em frente à Prefeitura. Iduigues Martins (PT) foi um dos que se posicionaram favoráveis ao manifesto por parte de educadores preocupados com o retorno as aulas após o falecimento da diretora Ana Paula. “A Câmara não pode fechar os olhos e ficar alheia a esse clamor do funcionalismo público, que estão muito abalados com a situação”, declarou Martins. 

A vereadora Inês Paz (PSOL), além de manifestar apoio aos educadores, também participou do protesto antes de iniciar a sessão, e disse que vai continuar insistindo para evitar o retorno das atividades presenciais antes do recesso escolar de julho.

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