MENU
BUSCAR
MOBILIZAÇÃO

Professores das ETECs fazem greve contra o retorno presencial das aulas

Movimento não prevê a suspensão do trabalho, mas a sua continuidade no formato remoto, enquanto a pandemia de Covid-19 não estiver totalmente controlada

Silvia ChimelloPublicado em 08/08/2021 às 11:30Atualizado há 4 meses
Alessandro Batata/TV Diário
Alessandro Batata/TV Diário

O retorno das aulas presenciais nas escolas técnicas está provocando reclamações por parte dos professores e de pais de alunos, que não concordam com o fim das aulas online e com o novo formato de rodízio que passou a ser oferecido aos estudantes neste segundo semestre. Em protesto contra a decisão do Centro Paula Souza (CPS), os docentes das unidades decidiram deflagrar uma greve sanitária. O assunto repercutiu também na Câmara de Mogi.  

O diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), que representa os professores e funcionários das Escolas Técnicas (Etecs) e Faculdades de Tecnologia (Fatecs), Fred Costa, disse que a reivindicação é pela manutenção do ensino remoto, na forma como vinha sendo ministrado desde o início das medidas de isolamento social, até que haja condições seguras para o retorno.

Segundo ele, novo sistema adotado nas unidades, como no caso da Escola Técnica (ETEC) Presidente Vargas, “prejudica tanto os alunos que optarem pelo presencial quanto aqueles que querem manter o ensino à distância” até que todos estejam vacinados com as duas doses dos imunizantes contra a Covid-19.

Foi por este motivo que a categoria decidiu deflagrar a greve sanitária, motivada pela existência de um risco à saúde ou segurança do trabalhador presente no meio ambiente de trabalho. O movimento não prevê a suspensão do trabalho, mas sim a sua continuidade no formato remoto, enquanto a pandemia de Covid-19 estiver fora de controle.

As novas normas para o retorno das atividades neste segundo semestre foram anunciadas pela direção da unidade mogiana, durante uma reunião virtual no final de julho, para informar aos pais que o sistema online seria suspenso e que as aulas presenciais seriam em sistema de rodízio aos alunos, divididos por números pares e ímpares para frequentar presencialmente a unidade.

Os estudantes que estiverem em casa durante o rodízio ou optarem em não comparecer nas aulas na escola vão fazer trabalhos de acordo com a matéria que o professor está dando em sala de aula.  Porém, Costa explica que aqueles que optaram por não voltar às aulas presenciais, serão privados de ter o ensino virtual com a participação de um professor em tempo real, como vinha acontecendo, o que possibilitava que os estudantes pudessem tirar todas as dúvidas durante as aulas. Já os que optarem pelo presencial também serão prejudicados, pois assistirão as aulas de 15 em 15 dias, tendo apenas 50% das aulas previstas para o período.

Pelo fato de se tratar de ensino em tempo integral, os estudantes que moram longe também estão com dificuldades porque não têm como se alimentar se não levarem a marmita de casa, já que não há lanchonete aberta e nem refeições sendo oferecidas.

Para esclarecer a situação, o Sindicato publicou uma carta aberta com o título: “Etecs e Fatecs do Centro Paula Souza iniciam greve sanitária em defesa da vida”. No documento, a entidade informa sobre a greve sanitária, deflagrada a partir de 2 de agosto de 2021, explica que a decisão pela greve foi tomada após determinação do Centro, sobre o retorno das atividades presenciais, “fato que gerou indignação e insegurança na maioria dos trabalhadores e estudantes”.

A presidente do Sindicato, Silvia Elena de Lima, alega que “a superintendência do Centro está abrindo mão da autonomia que a instituição tem, na qualidade de autarquia de regime especial, para impor um retorno quando a pandemia ainda segue descontrolada, colocando em risco a vida de professores, funcionários administrativos, estudantes e familiares”.

O vice-presidente do Sinteps, Renato de Menezes Quintino, lembra que a movimentação de trabalhadores e estudantes, em boa parte por meio dos transportes coletivos, é fator de alto risco. “Só devemos voltar com a garantia de cumprimento dos protocolos sanitários e com a pandemia sob controle”, reitera, referindo-se à opinião de infectologistas.

Câmara

O assunto foi tratado na Câmara de Mogi, com a aprovação, por unanimidade, da moção de apoio aos professores, apresentada pela vereadora Inês Paz (PSOL), que manifesta solidariedade ao movimento dos trabalhadores técnicos administrativos do Centro Paulo Souza.

“No momento em que a pandemia ainda não se encontra controlada, o retorno das aulas presenciais sem as condições sanitárias adequadas é um equívoco que pode contribuir para o agravamento da situação”, destacou a vereadora. O documento está endereçado à direção da ETEC, Centro Paula Souza, ao Sindicato e ao governador João Doria (PSDB).

Centro Paula Souza

A Assessoria de Comunicação do Centro Paula Souza (CPS), por sua vez, esclarece que a direção da Etec Presidente Vargas dividiu as turmas, em sistema de revezamento, entre as aulas e atividades presenciais e online, para que todos os alunos tenham acesso ao conteúdo, atendendo deliberação do Conselho Estadual de Educação. Ressalta também que o retorno dos estudantes é facultativo neste momento.

O Centro Paula Souza, segundo a assessoria, criou, ainda em 2020, um protocolo baseado nas orientações das autoridades sanitárias e comprou itens como máscaras de proteção, face shields, totens, tapetes sanitizantes, termômetros digitais e álcool em gel. Quanto à alimentação, alega que está em andamento um processo de licitação para contratação de empresa para oferta de refeição aos alunos do Ensino Técnico Integrado ao Médio e que os estudantes de todas as modalidades continuam recebendo lanche.

Em relação à mobilização, rebate a informação do diretor regional do Sindicato, que estima uma adesão de 80% da categoria. De acordo com o CPS a greve só atingiu 2% do quadro de 18.941 professores e servidores da instituição, que declararam adesão ao movimento.

ÚLTIMAS DE Cidades