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MORTE

Presidente do TEM, Milton Feliciano, perde a luta para a Covid

Ele sofreu parada respiratória nesta quinta-feira (14); corpo será sepultado sexta-feira (15), no Cemitério Parque das Oliveiras

Carla OlivoPublicado em 14/10/2021 às 17:31Atualizado há 13 dias
Divulgação
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Mogi das Cruzes perdeu nesta quinta-feira (14) um importante ícone da cena teatral e cultural da cidade. O presidente do Teatro Experimental Mogiano (TEM), ator e diretor Milton Feliciano de Oliveira, 78 anos, morreu em decorrência de uma parada respiratória, causada por complicações da Covid-19. Ele estava internado, sedado e intubado, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Braz Cubas, desde o último dia 30 de outubro, data de seu aniversário, após testar positivo para a doença.

Devido às regras da pandemia não haverá velório e o corpo será sepultado  nesta sexta-feira (15), às 16h30, no Cemitério Parque das Oliveiras, em Mogi das Cruzes.

Segundo seu sobrinho, Sérgio Vieira, também integrante do grupo teatral que no próximo dia 15 completa 56 anos de atividades em Mogi, o estado de saúde do tio era considerado estável até a última terça-feira (12). "Mas sofreu uma piora ontem (13), hoje (14) teve uma parada respiratória e infelizmente não resistiu", lamenta.

Milton morava em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas costumava passar alguns meses do ano na cidade para desenvolver as peças teatrais e musicais do TEM. Nestas ocasiões, ficava hospedado no apartamento do amigo José Cardoso, conhecido como Professor Cardosinho, 79 anos, que assim como Milton, acompanha o grupo desde sua fundação.

"Antes de ser hospitalizado, ele estava no apartamento do Cardosinho, que começou a ficar gripado, resolveu fazer o teste para a Covid e o resultado deu positivo. Meu tio também passou a apresentar os mesmos sintomas de gripe e teve o teste positivo. Nos dois primeiros dias, os dois ficaram se cuidando no apartamento, mas como os sintomas do meu tio foram se agravando, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado e o levou para o hospital", contou Sérgio, em recente entrevista a O Diário, quando o tio foi internado com a doença.

De acordo com o sobrinho, tanto Milton como o amigo, Cardosinho, já haviam tomado as duas doses da vacina CoronaVac, contra a Covid-19.

Sérgio também conta que ele e o tio estavam se preparando para dar início aos ensaios de uma nova peça do TEM, quando foram surpreendidos pela contaminação de Milton.

Nas redes sociais, a morte do presidente do grupo teatral causou comoção. Familiares e amigos postaram mensagens lamentando a perda e destacando o legado por ele deixado.

Milton era considerado um homem à frente do seu tempo. Nascido em Taubaté, onde passou a infância, mudou-se para Mogi das Cruzes aos 11 anos, com os pais, Luiz Feliciano de Oliveira, conhecido como Seu Zico, e Elizaura Chiaradia de Oliveira, a Dona Didi, e irmãos - Celso, Diogenes, Carmem e Almir. Aqui concluiu o primário no Instituto Dona Placidina, iniciou o ginásio no Liceu Braz Cubas, sendo transferido para o Ginásio do Estado (hoje Escola Estadual Dr. Washington Luís), onde também fez o curso Clássico.

Em seguida, formou-se em Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Na sala de aula, ainda nos tempos de ginásio, descobriu a vocação para as artes cênicas, imitando locutores de cinema na leitura de textos de História. Foi diretor artístico do Grêmio Estudantil Ubaldo Pereira e, anos depois, um dos fundadores do Teatro Experimental Mogiano (TEM), onde atuou, dirigiu e escreveu vários espetáculos, alguns censurados durante a Ditadura Militar. Também teve forte envolvimento nos movimentos estudantis da época.

Milton era casado com Iraceles Aparecida Feliciano de Oliveira, pai de Camilo, Danilo e Emílio, e avô de Frederico.

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