A Prefeitura de Mogi das Cruzes vai abrir uma sindicância para apurar o comportamento dos agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) envolvidos no episódio da demolição de uma construção no bairro Oropó II. Moradores denunciaram “excesso e violência” por parte dos agentes.  

A instalação de comissão de investigação foi confirmada pelo secretário municipal de Segurança, André Junji Ikari, na noite de terça-feira (12), durante a live do prefeito Caio Cunha (PODE), que usou as suas redes sociais para apresentar a versão da Prefeitura sobre o caso de repercussão na cidade, após a publicação de um vídeo nas redes sociais, pela moradora que relata o episódio e afirma que a abordagem da GCM foi “violenta”.

O prefeito disse que “não estava sabendo” e que foi “pego de surpresa” com a notícia da que essa demolição já estava prevista desde o ano passado no cronograma de trabalho da Prefeitura.

Assim que foi informado, Cunha encaminhou os secretários municipais - Segurança, André Ikari, de Assistência Social, Celeste Gomes, e de Assuntos Jurídicos e responsável pela Coordenadoria de Habitação, Sylvio Alkimin – para ir até lá para verificar o que aconteceu e conversar com os moradores e apurar denúncias sobre violência durante a ação.

Cunha explicou que já havia uma notificação informando sobre a reintegração da área, protegida pela legislação ambiental por estar localizada muito próxima ao rio Jundiaí, local considerado de alto risco de deslizamentos, especialmente em períodos de chuva. Na avaliação dele o que houve foi uma ação preventiva para os moradores

O secretário de Segurança contou que a fiscalização já havia vistoriado o local anteriormente e que não tinha moradores, porém no dia da ação se deparou com pessoas em uma das duas construções que seriam demolidas. Ele afirmou que a prefeitura apenas derrubou uma estrutura, que ainda não estava concluída. A segunda, ocupada por uma família, foi mantida, mas já tem uma notificação com prazo para que desocupem o imóvel.

Moradores

A moradora da casa abordada pela GCM, Berenice Alves da Silva Batista, descreveu a ação como “violenta” e disse que Guarda Municipal jogou spray de pimenta no olho de uma de suas filhas ao “tentar derrubar” a casa da família. Tão logo soube da repercussão das denúncias, os secretários municipais de Segurança, André Ikari, de Assistência Social, Celeste Gomes, e de Assuntos Jurídicos e responsável pela Coordenadoria de Habitação, Sylvio Alkimin estiveram para verificar o que aconteceu e conversar com os moradores.

Um dos objetivos da visita dos secretários ao endereço foi “apurar denúncias sobre violência durante a ação”, e “caso seja verificado comportamento não adequado, serão adotadas providências”. Os secretários também “conversaram com moradores para entender a situação das famílias que vivem no local, em construções irregulares e em área de risco por estar às margens do Rio Jundiaí, para buscar soluções que possam ser adotadas para a melhoria da vida destas pessoas”.

“Tentaram derrubar minha casa e derrubaram a casa do nosso vizinho. Agiram com agressão e enforcaram meu esposo, jogaram spray de pimenta no meu olho e no olho da minha filha de quatro anos, arrombaram minha janela para tirar meus móveis de dentro, tiraram minha televisão, colchão e cobertores”, lista ela.

Lideranças

O caso mobilizou lideranças políticas da cidade, como a vereadora Inês Paz (PSOL) e o ex-vereador Rodrigo Valverde (PT), que apoiou o prefeito Caio Cunha no segundo turno das eleições. Eles questionam a prefeitura sobre essa ação.

Rodrigo Valverde alega que falta “ordem judicial” para que a prefeitura possa exigir a saída da família de Berenice. “Depois que uma casa está construída e que a pessoa reside nela, cabe a prefeitura ingressar com ação judicial para conseguir ordem para usar força, o que não aconteceu”, diz ele, observando ainda que a moradora tinha um papel com data de hoje (ontem), que é uma segunda via de notificação administrativa pedindo para que se retirasse

A vereadora Inês Paz esteve presente no local, declara que “é urgente que a prefeitura tome ações que visem a ampliação do direito à moradia, seja por meio de novos programas, ou de auxilio aluguel. Também é necessário que esses programas sejam construídos através de um profundo diálogo entre poder público e munícipes, visando a melhor saída para ambos os lados”, reforça uma publicação.

Ela se reuniu com uma representante do Oropó, na Câmara, nesta quarta-feira (13) e disse que continuará “acompanhando o caso e prestando solidariedade aos moradores da região.