A Prefeitura de Mogi das Cruzes estuda a adoção de um lockdown na cidade. Em transmissão de vídeo ao vivo, ou 'live', na noite desta segunda-feira (29), o chefe do Executivo Caio Cunha (PODE) e o secretário municipal de Saúde, o médico Henrique Naufel, anunciaram que a decisão poderá ser definida nas próximas horas, após reunião com o Comitê Gestor do Coronavírus no município. Mais cedo, Cunha pediu que a medida fosse adotada em âmbito regional, a proposta, porém, foi negada pelo Conselho de Prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê

"Vamos passar as próximas horas em reunião, no difícil processo de tentar entender o que pode ser feito para restringir ainda mais esta situação. Espero que as pessoas entendam que tudo o que estamos fazendo não tem interesse de ajudar um ou outro. Por isso, se tivermos que colocar o lockdown, vamos fazer isso, para reduzir o contágio e dar oportunidade para que as pessoas doentes possam ser atendidas. Estamos pensando única e exclusivamente em salvar vidas e quanto mais as pessoas saem de casa, mais de aglomeram, mais o vírus circula. Não há outra saída a não ser a vacinação e o distanciamento social", alertou Caio Cunha na live.

Nesta segunda-feira (29), ele propôs um lockdown regional aos prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), mas a ideia não foi aceita. "Achei que não adiantaria fazer algo isolado, porque não podemos negar atendimento e atendemos quase 50% de pessoas de fora no Hospital Municipal. Então, as demais cidades também deveriam adotar medidas mais rígidas para evitar a circulação de pessoas", enfatiza.

Segundo Naufel, atualmente há 58% pacientes mogianos e 42% de outras cidade, sendo a maioria de Suzano, no Hospital Municipal, em Braz Cubas. No Hospital Luzia de Pinho Melo, que é estadual, 45% vêm de fora da cidade. 

O prefeito acrescentou, ainda, que medidas mais rígidas são inevitáveis, já que apesar da adoção da fase crítica, há uma semana, as mortes seguem aumentando, assim como o registro de novos casos, e a ocupação hospitalar está em 100% nas redes pública e particular, mesmo com a abertura de novos leitos.

Por isso, Caio determinou que os fiscais de várias secretarias sejam destinados ao trabalho de fiscalização ao cumprimento das regras da fase crítica, com aplicação de multas, e anunciou a contratação de uma empresa especializada que reforçará este trabalho esta semana na cidade, com penas mais rígidas aos infratores.

O prefeito também disse que encaminhou um projeto de auxílio financeiro para famílias de alta vulnerabilidade à Câmara Municipal, que deve ser votado nesta semana e outra proposta de ajuda a trabalhadores de microempresas com até cinco funcionários. 

Já o secretário Naufel, além de alertar para o aumento de óbitos e casos, destacou que os novos leitos recebem pacientes tão logo são abertos. "A ocupação hospitalar, há 17 dias está em 100% na cidade. Passamos de 69 leitos que tínhamos no Hospital Municipal, mais 10 de UTI, para 124, mas estamos com 175 pacientes, ou seja, 50 a mais do que a capacidade. Há pacientes sentados em cadeiras recebendo oxigênio porque não temos leitos", conta.

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De acordo ele, além dos 9 leitos de UTI e 46 de Enfermaria abertos recentemente na Santa Casa de Mogi para reforço do atendimento a pessoas com a Covid, e que já estão ocupados, outros 11 de UTI devem começar a receber pacientes na próxima semana. "Também abriremos mais 37 no Hospital Municipal e o Dr. Arnaldo instalou 30, que já estão ocupados, e terá mais 60, porém, se a transmissão continuar como está, ainda não serão suficientes, por isso precisamos brecar isso", explica.

Naufel acrescenta que "Mogi vive uma verdadeira situação de guerra, com o cupação de 100% nos leitos municipais de Terapia Intensiva (UTI) há 16 dias e os leitos de 'back-up sendo usados. Nos últimos 15 dias foram 56 óbitos, a pior quinzena da pandemia", disse.

Na semana de 1 a 7 de março de 2021 houve 1.277 novos casos, um aumento de 20,35% em relação à pior semana de todo o ano de 2020.

Na live, o secretário também apontou que os pontos da cidade com o maior número de casos são Vila Oliveira, Centro, Jundiapeba, Braz Cubas, Alto do Ipiranga e César de Souza.

Vacinação

Acelerar o ritmo da vacinação é uma das saídas apontadas por Naufel e Cunha para tentar frear novos casos e mortes pela doença, mas isso depende do envio das doses pelo Ministério da Saúde. 

"Sempre que chegam as doses já começamos a aplicá-las e para agilizar este processo, vamos instalar mais três pontos de drive thru na cidade, que passará a contar com quatro deles. Além disso, nos próximos dias, será lançado o software para agendamento online da vacinação, a fim de evitar filas", revelou Naufel na tramissão.

A reportagem de O Diário aguarda novos desdobramentos sobre um possível lockdown em Mogi das Cruzes.