O prefeito Caio Cunha (PODE) ainda não definiu a data da reunião para discutir os pedidos de aumento de tarifas feitos pelos representantes das empresas de ônibus CS Brasil e Princesa do Norte, no final do ano passado. 

Nesse encontro, previsto para acontecer nesta semana, o chefe do Executivo pretende avaliar os critérios apresentados pelas concessionárias de transporte coletivo da cidade para reivindicar elevação dos preços das passagens em Mogi das Cruzes.

Existe uma expectativa da população em relação a posição do prefeito, que vem afirmando em entrevistas que esse aumento “não é oportuno” para o momento. Os usuários são totalmente contrários a qualquer tipo de reajuste nesse momento de crise econômica, agravada pela pandemia do novo coronavírus.

Os números ainda não foram oficializados, mas O Diário apurou que a CS Brasil está pleiteando um aumento de 29,33%, enquanto o pedido da Princesa foi de 31,11%, a serem aplicados sobre o atual valor da tarifa que é de R$ 4,50.

Se esses índices forem aplicados, o preço da passagem nos ônibus da CS Brasil subiria para R$ 5,81, e o valor aplicado pela Princesa seria de R$ 5,89. Os valores corresponderiam a um aumento médio para R$ 5,85.

O mais recente aumento na tarifa de ônibus em Mogi aconteceu em 14 de janeiro de 2019. Com a pandemia e uma grande restrição da circulação do transporte público, o ex-prefeito Marcus Melo (PSDB) não reajustou a tarifa de R$ 4,50, que custa R$ 1,87 para estudantes.

 

Repercussão

O tema é motivo de discussão nas redes sociais por internautas e lideranças da cidade. A vereadora eleita Inês Paz (PSOL) já se pronunciou a respeito, alegando que existe uma artimanha. “As empresas pedem um aumento da passagem do ônibus lá em cima. Aí, as autoridades dizem que é muito e propõem um aumento, previamente combinado e quem paga tudo isso é o povo. R$ 4,50 já é muito caro. Nenhum aumento na passagem do busão”, destaca ela em uma publicação no Facebook.

A vereadora conta também que já tratou desse assunto em um encontro que teve com Caio Cunha na última quarta-feira (6). Ela pediu o congelamento da passagem do transporte público ao prefeito que na ocasião, apesar de ter posicionado contra qualquer aumento da passagem do ônibus nesse momento de pandemia, alegou que tudo vai depender do estudo técnico das planilhas.

Cabe lembrar que em seu último mandato como vereador da cidade, no início de 2019, Cunha criticou os aumentos e chegou a acionar a Justiça para tentar anular o reajuste da tarifa que no ano passado passou de R$ 4,10 para R$ 4,50.

 

Congelamento

Dados levantados pelo portal Via Trólebus, da Capital, especializado em transporte coletivo, apontam que pelo menos 17 cidades teriam decidido pelo congelamento das tarifas de ônibus no Alto Tietê e Grande São Paulo, como é o caso de Arujá, Barueri, Biritiba Mirim, Cajamar, Cotia, Diadema, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Guararema, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Jandira, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

O prefeito reeleito em Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PL) também afirmou que não vai aumentar a tarifa de ônibus municipais em 2021. O último reajuste foi em 2019, quando passou de R$ 4,10 para R$ 4,40.

São Paulo também decidiu manter as tarifas de ônibus, em R$ 4,40. Os valores das tarifas de metrô e trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanas (CPTM) também não devem sofrer reajustes, segundo Governo do Estado. A decisão considera a crise econômica e sanitária vivida pelas famílias, em consequência da pandemia da Covid-19.

Aumento

A Prefeitura de Bertioga foi na contramão e decidiu aumentar o preço do transporte coletivo a partir do dia 4 de janeiro de 2021. O serviço é feito pela empresa City Transporte, que subiu o valor da tarifa para R$ 4,50, uma elevação de 12,5%.

Segundo a prefeitura da cidade do litoral paulista, esse aumento representa menos da metade do acumulado da inflação desde último aumento ocorrido em julho de 2019, há um ano e meio.