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SOS MATA ATLÂNTICA

Pesquisa aponta que qualidade da água do Tietê é regular em Mogi

Avaliação mostra que situação do manancial na cidade foi mantida na pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) em comparação com o mesmo período de 2021

Carla Olivo
22/09/2022 às 13:36.
Atualizado em 23/09/2022 às 00:45

Levantamento da SOS Mata Atlântica acompanha a qualidade da água do rio Tietê no trecho mogiano (Eisner Soares)

Em Mogi das Cruzes, apesar de ainda não ser ideal, a qualidade da água do rio Tietê está regular e vive uma situação de estabilidade em relação aos estudos realizados no ano passado. O manancial, que nasce em Salesópolis, chega em terras mogianas com múltiplos usos, incluindo irrigação e pesca, mas quando deixa a cidade e segue em Suzano, a avaliação é ruim, o que permanecem em Itaquaquecetuba, quando o Tietê já está "morto".

Estes e outros resultados foram divulgados pela Fundação SOS Mata Atlântica, nesta quinta-feira (22), quando se comemora o Dia do Rio Tietê. Os dados são do relatório Observando o Tietê 2022, que faz parte do projeto Observando os Rios, com o foco de fortalecer a cidadania e a ciência cidadã, e que conta com o apoio da Ypê. No levantamento é apontada a qualidade da água de toda a bacia hidrográfica do Tietê com base na média dos indicadores medidos entre setembro de 2021 e agosto de 2022.

Segundo o biólogo e educador ambiental César Pegoraro, da Fundação SOS Mata Atlântica, os indicadores no trecho mogiano do Tietê permanecem estáveis no comparativo com o mesmo período do ano passado. "Tivemos uma certa estabilidade na medição. No trecho do Salesópolis ao Cocuera, a condição da água é interessante, mas quando chega a Mogi, começa de fato a declinar e, em Suzano, a qualidade é uma piora considerável e em Itaquá, já é um rio morto, sempre com oxigênio zero e uma condição bastante desfavorecida. O mesmo vale para Guarulhos", detalha.

Ele explica que a análise feita por grupos voluntários leva em conta 14 parâmetros. "A somatória destas notas atribuídas para cada um dos 14 parâmetros, mostrando as condições do rio, é feita após análises realizadas por período longo, de vários meses, quando passamos a ter este olhar da sazonalidade, observando épocas mais chuvosas, secas, frias e quentes. Este resultado que produzimos no relatório é baseado nesta média de análise", completa.

O profissional acrescenta que o manancial chega a Mogi com condições de usos múltiplos, incluindo irrigação e pesca. "Mas ao sair da cidade e seguir em direção a Suzano, simplesmente deixa de ter esta relação com as pessoas, passando apenas a compor a paisagem, evidenciando que existe uma perda bastante expressiva na qualidade da água", alerta, apontando como soluções para melhoria do cenário, cuidados com a coleta e destinação dos resíduos por parte do poder público e também da população.

Estudo

De acordo com a SOS MAta Atlântica, em um ano, com base na média dos indicadores medidos entre setembro de 2021 e agosto de 2022, a mancha de poluição no trecho do rio Tietê monitorado por voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica e equipe técnica da causa Água Limpa cresceu e se estende agora por 122 quilômetros - aumento de mais de 40% em relação a 2021, quando atingiu 85 quilômetros.

A água de boa qualidade foi reduzida numa proporção ainda maior: de 124 quilômetros no ano passado para apenas 60 na atual medição.

Maior rio paulista, com 1.100 quilômetros da nascente à foz, o Tietê corta o estado de São Paulo de leste a oeste e é dividido em seis unidades de gerenciamento de recursos hídricos (UGRHs), também chamadas de bacias hidrográficas.

O monitoramento foi realizado por 35 grupos voluntários da SOS Mata Atlântica, entre setembro de 2021 e agosto de 2022, ao longo de 576 quilômetros do rio principal, desde a nascente, em Salesópolis, até a jusante da eclusa do Reservatório de Barra Bonita. Os dados foram obtidos com a média do Índice de Qualidade da Água (IQA) em 55 pontos de coleta distribuídos por 31 rios da bacia do Tietê.

Onze pontos de coleta estão situados ao longo do rio principal. Em três deles foi constatada melhora na qualidade da água, na região chamada de Tietê Cabeceira, enquanto em cinco pontos houve piora: no trecho do rio Tietê entre em Botucatu e Barra Bonita a água passou de boa para regular e, em Laranjal Paulista, de regular para ruim. Em Santana de Parnaíba a qualidade foi péssima. Em Anhembi, Barra Bonita, Mogi das Cruzes, Pirapora do Bom Jesus, Salto e Tietê os índices se mantiveram como regular; em Guarulhos, Itaquaquecetuba e Suzano, como ruim.

No geral, entre os 55 pontos monitorados em toda a bacia, a qualidade da água foi apontada como boa em sete (12,7%), regular em 34 (61,8%), ruim em 10 (18,2%) e péssima em quatro (7,3%). Não houve registro de água de ótima qualidade, fato que se repete desde 2010.

O comparativo, dessa forma, mostra estabilidade entre os resultados deste ano e do anterior, com leve tendência de perda de qualidade. Em 2021 foram monitorados 53 pontos, com índice bom em seis (11,3%), regular em 36 (67,9%), ruim em sete (13,2%) e péssima em quatro (7,5%).

Segundo Gustavo Veronesi, coordenador do programa Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica, o grande motivo da perda de trechos com qualidade de água boa e da piora constatada, principalmente no interior do Estado, se deve à transferência de sedimentos contaminados acumulados no reservatório de Pirapora do Bom Jesus para o Médio Tietê.

Esses sedimentos com altas cargas de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) reúnem remanescentes de esgotos e também de fontes difusas de poluição, como lixo, defensivos agrícolas, fuligem de carros, entre outros. “O uso mais intensivo da terra, com perda de matas ciliares, pode causar grandes impactos para a qualidade da água da bacia do Tietê. O maior revolvimento do solo para os plantios e o uso mais intenso de fertilizantes e agrotóxicos para as culturas agrícolas têm implicado em grande produção de sedimentos que atingem os rios e que carregam consigo nutrientes e poluentes, que formam algas e consomem o oxigênio dissolvido da água”, explica.

Outro fator é a expansão das cidades, que provocou o surgimento de novas grandes áreas urbanas na região do Tietê. Como contraponto, Gustavo reforça que na Região Metropolitana de São Paulo, mesmo que a qualidade da água ainda esteja abaixo do aceitável, houve nos últimos anos uma melhora em função das obras de saneamento promovidas pelo Governo do Estado.

“Os esforços para o incremento do saneamento na Grande São Paulo precisam ser expandidos para os demais municípios a fim de garantir a saúde da população e a qualidade da água ao longo de toda a bacia”, completa.

O relatório completo pode ser acessado no site da Fundação SOS Mata Atlântica (www.sosma.org.br).

Desassoreamento

Questionada por O Diário sobre a inclusão do trecho urbano de Mogi das Cruzes nos trabalhos de limpeza do manancial que estão em andamento entre Biritiba Mirim e César de Souza, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) informou que iniciou, em fevereiro de 2022, os serviços de desassoreamento e remoção de vegetação macrófita num trecho de aproximadamente 4.950 metros do Rio Tietê, a partir do Córrego Sabino até a ponte da Av. João XXII, em Mogi.

"No total, estão sendo investidos R$ 11,8 milhões, provenientes do Fehidro e DAEE, com estimativa de retirada de 52,4 mil metros cúbicos de sedimentos (como lodo, areia, terra e lixo coletado nesse processo) e 24,7 toneladas de plantas aquáticas, até novembro. A medida visa aumentar a capacidade de escoamento do rio, evitar enchentes e melhorar a qualidade das águas", explicou por meio de nota nesta quinta-feira (22).

O DAEE também acrescentou que está investindo R$ 2,9 milhões no desenvolvimento de estudos de alternativas para a redução da carga poluidora lançada no rio Tietê com origem na área urbanizada de Mogi. "O projeto deverá ser concluído no primeiro trimestre de 2023 e vai beneficiar todo o Tietê, em especial os municípios localizados acima da Barragem da Penha: Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Suzano e Mogi das Cruzes", completa a nota.

Ainda de acordo com o DAEE, em 2020 foi finalizada a remoção de 349 mil m³ de sedimentos e vegetação em um trecho de cerca de 44 quilômetros do Tietê, compreendido entre o Córrego Três Pontes, na divisa de São Paulo com Itaquaquecetuba, até o Córrego Ipiranga, em Mogi. "Neste mesmo período, também foi realizado o trabalho de desobstrução do Tietê, no trecho próximo ao Jardim Náutico, com a retirada de árvores e troncos do fundo do canal", conclui o departamento.

  

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