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DESTINO: APARECIDA

Peregrinos de Mogi vão semear 600 mil mudas em homenagem às vítimas da Covid

Peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida será marcada pelas mudas, uma forma de homenagear as 600 mil vítimas fatais da Covid-19 no Brasil

Eliane José e Carla OlivoPublicado em 08/10/2021 às 16:48Atualizado há 8 dias
Eisner Soares
Eisner Soares

A ideia surgiu para marcar mais uma peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida como uma forma de homenagear as 600 mil vítimas fatais da Covid-19 no Brasil.

A partir deste final de semana, 9 e10, o arquiteto e professor universitário Paulo Sérgio Pinhal cumprirá mais uma vez uma jornada de fé em agradecimento pela saúde de uma de suas netas, que venceu um câncer.

Ele lembra que após ver a instalação do artista e amigo Maurício Chaer, que colocou no ano passado algumas escadas no brejinho do Nova Mogilar, ao lado do Rio Tietê, em memória das vítimas da pandemia, surgiu o desejo de marcar a caminhada pelas rodovias SP-66 (Mogi-Guararema) e Presidente Dutra, a partir de Jacareí, de alguma maneira.

Para cumprir a meta, semear as 600 mil sementes, ele recorreu à matemática. Ele pesou alguns bagos para estimar quantas unidades seriam necessárias para chegar ao número de vítimas brasileiras.

Surgiu um número próximo de 60 quilos de sementes. Para levar a carga, ele e a família dividiu as mudas em pequenos saquinhos, que irão nos carros de apoio da romaria e serão entregues aos participantes. Assim, ao longo dos quilômetros, na margem direita da estrada, elas serão lançadas.

À pergunta que se faz logo após conhecer a empreitada, sobre a sobrevivência da espécie, Pinhal saca a resposta: “Eu penso que se elas não sobreviverem, servirão de comida para os pássaros. De qualquer maneira, terão algum sentido, de reflexão sobre a pandemia que nos fez perder tanta gente”.

Pinhal perdeu dois primos para a doença. “Todas as pessoas conhecem alguém que sofreu com a pandemia”, diz, acreditanto ainda que esse fenômeno mundial, como “tudo o que acontece na vida das pessoas abre uma possibilidade de mudança”.

Desde o início do mês, milhares de pessoas seguem para Aparecida, no Vale do Paraíba, onde está  o principal símbolo da fé católica. Nossa Senhora Aparecida é padroeira do Brasil, e será festejada no dia 12, feirado nacional.

Pinhal afirma que a peregrinação é uma forma de agradecer pela vida e também de exercitar a convivência e a compaixão. “Para quem vai sempre, a experiência resulta em momentos únicos. No ano passado, eu encontrei uma enfermeira, Maria, que estava se sentindo muito mal, o coração disparado. Com jeito, fui conversando, acalmando-a e conseguimos chegar ao final, onde todos os outros peregrinos nos esperavam. A romaria tem isso: a oportunidade de encontrar e conhecer outras pessoas, outras histórias”, diz ele.

 Encontro em Mogi

CARLA OLIVO

Grupos de romeiros que seguem pela Rota da Luz se concentram na cidade para acessar o caminho percorrido a pé até Aparecida, no Vale do Paraíba

 Revivendo um ritual já tradicional todos os anos, sempre no mês de outubro, grupos de romeiros seguem pela Rota da Luz, com início no distrito de Sabaúna, em Mogi das Cruzes, ou pela rodovia Presidente Dutra, para fazer o percurso a pé, em uma caminhada marcada por superação, fé e devoção. 

O objetivo é chegar à Basílica de Aparecida, na cidade de mesmo nome, no Vale do Paraíba, até terça-feira (12), quando se comemora o Dia da Padroeira do Brasil.

Assim, o grupo Peregrinos da Fé, formado por 67 pessoas de várias cidades, incluindo Curitiba (PR) e Santo André (AB), além da Capital Paulista, teve no início desta semana como ponto de encontro o Terminal Rodoviário Geraldo Scavone, no Mogilar, em Mogi das Cruzes.

De lá, seguiram rumo a Aparecida, primeiramente pela avenida Francisco Rodrigues Filho até chegar ao acesso à Rota da Luz, em Sabaúna. De lá, são 201 quilômetros para alcançar o destino final.

A primeira parada dos fiéis, que iniciaram o trajeto nesta segunda-feira (4), acompanhados pelo padre Bruno Otênio, da Paróquia de São Bento dos Pimentas, em Guarulhos, foi no Parque Centenário da Imigração Japonesa, em César de Souza, para uma foto no Torii. 

O trajeto do grupo é feito há quatro anos e conta com devotos de todas as idades. Neste ano, o mais novo tem 17 anos e o mais idoso 82. 

O cronograma marca uma média de 28 quilômetros percorridos por dia e, para descansar da caminhada, o grupo dorme em pousadas. No percurso, os devotos têm o apoio de alguns carros que levam água, frutas e água de coco, entre outros alimentos.

Um dos integrantes do Peregrinos da Fé, Edson Christofoli, 64 anos, seguia em um dos quatro carros de apoio, enquanto a mulher, Margarida, 60, caminhava com o grupo. 

“Geralmente, depois de andar a pé o dia inteiro, o pessoal chega bem destruído na pousada, mas no dia seguinte é impressionante como todos estão bem dispostos para começar o caminho novamente”, conta.

Margarida conta que a sensação de chegar à Basílica de Aparecida é inexplicável. “No primeiro ano, éramos em 20 pessoas. Depois, o grupo foi crescendo e hoje somos quase 70. Quando fui pela primeira vez, pensei: ‘Por que as pessoas voltam no ano seguinte, se já cumpriram o trajeto uma vez?’. Mas aí percebi que não dá mais para deixar de ir todos os anos. É puxado, tem horas que pensamos que não vamos mais aguentar continuar caminhando, mas é tanta graça que rcebemos que nem bem terminamos o percurso e já começamos a planejar a próxima vinda, em outubro do ano que vem”, revela.

À frente do grupo, o padre Bruno Otenio destaca a iniciativa da romaria, realizada anualmente e que conta com a participação de sua avó, Luiz Cardoso, 82 anos, também de Guarulhos. 

“É uma experiência de fée de sentido de vida, algo bastante positivo. Essas pessoas foram movidas a fazer a caminhada da vida, foram se encontrando nas diversidades e se tornaram um grupo, iluminando um o caminho do outro”, resume.

Nos próximos dias, outros grupos poderão ser vistos no trecho mogiano da Rota da Luz iniciando a caminhada em direção a Aparecida. 

O trajeto é considerado mais seguro do que a rodovia Presidente Dutra, além de contar com cenários marcados pela paisagem bucólica.

 Preparo e pé na estrada

Idealizada para retirar parte dos milhares de peregrinos que ocupam a faixa direita da rodovia Presidente Dutra entre São Paulo e Aparecida, no Vale do Paraíba, a Rota da Luz possui sinalização, além do respaldo de comércios e pousadas em determinados pontos.

Conhecer o traçado por meio de pesquisas aos sites sobre o caminho, bem como o contato com entidades como a Associação dos Amigos da Rota da Luz, de Mogi das Cruzes, é uma das sugestões aos iniciantes. O trecho é dividido em 7 dias, cada um com percursos de cerca de 30 quilômetros.

É recomendável caminhar durante o dia, por segurança e para prevenir acidentes já que as estradas são de terra e pedra. A Central de Apoio ao Caminhante é outra fonte de informação: o telefone é 0300-777-0745, das 8 às 18 horas.

 Operação Aparecida segue até o dia 15

Desde 2016, quando foi criada pelo Governo do Estado de São Paulo, a Rota da Luz, com 201 quilômetros entre o distrito de Sabaúna, em Mogi das Cruzes, e a cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, é alternativa para os romeiros que percorrem o trajeto a pé.

O caminho bucólico é 85% percorrido em estradas rurais e secundárias. Desta forma, o romeiro evita a grande movimentação de veículos frequente em rodovias como a Presidente Dutra.

Como o volume de romeiros que segue caminhando rumo à Basílica de Aparecida todos os anos, no mês de outubro, é grande, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciou já no  dia 1º deste mês a Operação Aparecida 2021.

A atividade, que faz parte do calendário oficial da corporação, contará até o próximo dia 15 com o reforço de mais de 200 policiais rodoviários federais na região conhecida como Vale da Fé.

Na ação, serão empregados profissionais para atuar no motopoliciamento, Direitos Humanos, policiamento tático, além do próprio reforço das unidades responsáveis pelo trecho.

Neste ano, há uma mudança de foco proposta pela Polícia Rodoviária Federal em relação aos romeiros, para que a equipe possa se concentrar nas ações necessárias em trazer-lhes segurança e apoio indepentendemente do caminho escolhido para sua peregrinação. 

A orientação da corporação é para que os romeiros caminhem com roupas claras, em fila indiana e pelo sentido São Paulo da via, se decidirem utilizá-la.

Os romeiros poderão ver o mapa de pontos de apoio da Polícia Rodoviária Federal no site gov.br/prf e mais informações sobre a Rota da Luz podem ser encontradas no amigosdarotadaluz.org. (C.O.)

  

Rota da Luz já é popular

ELIANE JOSÉ

4 mil pessoas passam por mês pelo caminho iniciado em Mogi com destino a Aparecida. Traçado se torna o segundo mais usado por romeiros e ciclistas para chegar ao destino

 A peregrinação pela rodovia Presidente Dutra até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida é a mais usada, apesar dos riscos de acidentes. Desde 2005, com o Caminho da Fé, que percorre estradas paulistas e mineiras com ponto inicial em cinco cidades (São Carlos, Cravinhos, Mococa, Divinolândia e Aguaí) e, em 2016, com a criação da Rota da Luz, em uma iniciativa do Governo do Estado, o uso dessas novas trilhas passaram a competir com a Dutra e ganham a atenção de mais romeiros.

A pandemia, no caso da trilha mais novata e iniciada na Estação Estudantes, onde o peregrino pode colocar o primeiro carimbo de participação no passaporte que, ao final, dará direito à certificação de cumprimento da jornada, freou, em parte, a popularização da alternativa.

Isso porque no ano passado cerca de 4 mil pessoas, a maioria ciclista, venceram os 201 quilômetros entre Mogi e Aparecida. De 1 a 5 de outubro deste ano, segundo a Associação Amigos da Rota da Luz, dirigida por Ubirajara Nunes, 700 passaportes foram emitidos; um número que deverá superar mil romeiros até o feriado.

Quem passa pela Avenida Francisco Rodrigues Filho, nas primeiras horas da manhã dos últimos dias, encontro muitas pessoas de chapéu, cajado nas mãos e normlmente camisetas uniformizadas e de cores fortes.

Segundo Bira, como é chamado, o controle da pandemia e a melhoria das acomodações nas 52 pousadas já existentes e em processo de ampliação, deverão ampliar ainda mais o poderio de atração da Rota da Luz.

Criada em setembro de 2019, a Associação Amigos da Rota da Luz é mantida por voluntários.

Nesse período, Bira, que o presidente a ong, afirma que já são quatro grupos de whatsApp formados, cada um com 270 integrantes.

Essa rede voluntária dá suporte ao peregrino e o bicigrino (apelido dos ciclistas que cumprem a romaria) em qualquer época do ano. Quando um pneu fura ou algum outro imprevisto acontece, o apoio gratuito da Associação e dos proprietários de pousadas estão garantindo a popularização e a visibilidade positiva da Rota da Luz.

Esses voluntários confirmam o crescimento da passagem de romeiros por esses caminhos antigos, o que também é chancelado pelo Santuário Nacional de Aparecida, responsável pela certificação final aos usuários da Rota - um ritual de controle que repete a tradição do Caminho de Santiago de Compostela, entre a França e a Espanha, um dos mais famosos do mundo.

Segundo Bira, o total de passaportes emitidos e computados pelo Santuário, atesta que o caminho iniciado em Mogi das Cruzes é o segundo mais usado mesmo sendo relativamente novo.

Conta nessa preferência, a novidade e outros fatores. A Rota da Luiz, com suas estradinhas de terra e paisagens rurais e naturais, atende aos objetivos do romeiro mais raiz - aquele que cumpre o ritual em pedido ou agradecimento a um graça em silêncio, reflexão e oração (o que na Dutra, por exemplo, é mais difícil por causa da atenção constante exigida por causa do tráfego de carros.

O caminho completo tem 201 quilômetros e pode ser feito em 7 dias, com a média diária de 30 quilômetros.

Já de bicicleta, a opção mais usada, basta um final de semana, para os mais preparados fisicamente.

Apesar de outubro ser o mais concorrido, por causa do feriado nacional em louvor à padroeira, Nossa Senhora, a Associação dos Amigos da Rota da Luiz afirma que a presença dos peregrinos e ciclistas tende a ser mais constante em outros períodos do ano.

Entre as novidades previstas para os próximos meses estão a mudança do ponto inicial para as proximidades da Catedral de Santana, para realçar o sentido de fé da Rota, além da melhoria da sinalização e até a construção de pontos de apoio para o descanso dos caminhantes.

Já a rede de pousadas segue em crescimento. A pandemia pausou planos de donos de pousadas, mas, nos últimos meses, com os sinais de controle da crise sanitária, começaram a surgir obras de ampliação. Neste feriado, as acomodações foram mais disputadas. “Pessoas que não reservaram as pousadas antecipadamente tiveram de mudar a data da romaria”, diz.

Informações sobre a Associação Amigos da Rota da Luz pelo no site: https://www.amigosdarotadaluz.org/

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