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Peregrinação de Alessandro Campos entra na reta final; veja fotos

O padre peregrino Alessandro Campos conseguiu, nesta semana, ultrapassar a metade do caminho para Compostela

Darwin Valente Publicado em 22/10/2021 às 14:27Atualizado há 1 mês
Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

Foi uma semana de dificuldades, reencontros e de uma grande conquista para o padre peregrino Alessandro Campos, que nesta sexta-feira (22), já em Astorga, pôde comemorar a ultrapassagem da metade do caminho de 869 km entre Saint-Jean-Pied-de-Port, nos arredores de Paris, e Santiago de Compostela, na Galícia, região noroste da Espanha.

A arrancada decisiva para esta conquista começou em Burgos, numa deslumbrante catedral de estilo gótico, considerada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, onde o padre concelebrou a segunda missa da viagem (a primeira havia sido em Los Arcos), ao lado de dois padres espanhóis. Depois, foi conhecer de perto a secular construção, ciceroneado pelos sacerdotes da própria igreja, profundos conhecedores da história daquele lugar. Uma aula que o brasileiro certamente jamais irá esquecer.

Ainda em Burgos, a capital da província do mesmo nome, de grande importância na história espanhola, o padre resolveu subverter a programação pré-estabelecida para a viagem, mas por um motivo mais que justo.

De ônibus, ele viajou pouco mais de duas horas até a cidade de Bilbao, especialmente para rever Irmã Maria Gonzales, integrante da congregação Instituto Amor Misericordioso, uma espanhola que viveu durante 37 anos no Brasil, boa parte desse tempo em Mogi das Cruzes. Forçada a retornar à sua terra natal em razão de um câncer de mama, Irmã Maria era só felicidade ao reencontrar o menino que ela viu crescer e também incentivou sua carreira religiosa. “Quando entrei no seminário, fui para a congregação dela, os Filhos do Amor Misericordioso. Ela é uma pessoa muito especial em minha vida e não poderia deixar de passar para dar um abraço nela, pois não sei quando terei novamente esta oportunidade.Foi muito bom estar com ela, conviver um pouco e celebrar”.

Os dois trocaram confidências em meio a bolas de sorvetes, cânticos e até uma missa celebrada por padre Alessandro  na capela da congregação de Irmã Maria, que se emocionou ao receber a comunhão das mãos do o religioso que ela viu crescer.

E como nem tudo são flores no Caminho de Santiago, ao tentar ganhar tempo para chegar a Compostela dentro do prazo, o padre decidiu apressar  a caminhada e teve de enfrentar um dos momentos mais difíceis  da viagem antes da chegada a León, quando ficou, literalmente estirado sobre uma estrada, sem forças até mesmo para se levantar e seguir adiante.

Mas nada que uma boa noite de sono não ajudasse a superar. E depois de visitar a maravilhosa catedral de León, o padre e seus dois companheiros de viagem, Thiago Gomes e Claudio Silva, o “Zum”, chegaram, neste final de semana, a Astorga. 

A pequena cidade com perto de 20 mil habitantes, é um importante centro de peregrinação. Ali, o religioso brasileiros voltou a concelebrar ao lado de padres espanhóis, desta vez na catedral da cidade, “linda e maravilhosa, como todas as catedrais daqui”, relatou padre Alessandro, impressionado com “as construções de 800, 1.000, 1.200 anos  totalmente preservadas. Tudo está intacto”, comentou.

A igreja a que padre Alessandro se referiu começou a ser construída no final do século XV e só foi concluída no fim do século XVIII, com características góticas, além de detalhes do estilo neoclássico.

“Eu fico imaginando, quando eu entro e vejo tanta beleza, tanta arte: Meu Deus, como esse povo construía essas maravilhas, sem maquinário, sem a tecnologia que nós temos hoje. Era tudo manual, muito artesanal. Mas, enfim, a viagem realmente está chegando ao fim. É doloroso, é sofrido, é um caminho de sacrifício, porém muito gratificante”, repetiu o padre.

Ao deixar a igreja, logo após a missa, uma surpresa. À sua espera estava o catarinense Nico Russi, acompanhado de seu genro, que faziam o  Caminho de Santiago de bicicleta.

Padre Alessando e Nico, que é dono do Shopping Russi & Russi,  em Itapema (SC) se cumprimentaram efuzivamente, como velhos amigos que são.

“Como é bom a gente encontrar um brasileiro, abraçar e sentir aquele carinho, que é como se estivesse em casa. Quando encontrei com o Nico foi uma emção muito grande, pois ele foi um dos que me incentivaram a fazer o Caminho de Santiago. Ele já havia feito esse trajeto a pé, há uns 15 anos e agora retorna, de bicicleta. O velho já está com quase 80 anos nas costas, os joelhos todos estourados pelos oito tombos que disse ter levado até agora. Mas continua muito firme”.

Padre Alessando achou que fosse uma brincadeira quando o amigo Nico prometeu encontrá-lo no caminho de Santiago. “Mas. de repente, ele me faz esta surpresa é vem mesmo. É bom ter bons amigos que estão a gente em todos os momentos”, disse o padre que, de tão contente, acabou por tomar um chope ao lado do inesperado visitante.

Na derradeira mensagem da semana aos leitores e internautas que o acompanham pelo site e edição impressa de O Diário, ele agradeceu o apoio que tem recebido de todos, via redes sociais:

“É uma experiência que muito encanta, fantástica mesmo”, disse ele, ao voltar a comentar sobre a viagem:

“No caminho, a gente se depara com dois tipos de pessoas: com os turistas  e com  peregrinos e há uma grande diferença entre eles. O turista só reclama o tempo todo, enquanto o peregrino somente agradece. Que Deus nos ajude a não só reclamar, mas também agradecer, porque como dizem os espanhois,  ‘no hay gloria sin dolor’, ou seja, não há glória ou conquista sem dor. Na vida também é assim”, ensina o padre, que aproveita a oportunidade para deixar mais uma mensagem de cunho religioso  aos que o acompanham diariamente pelas páginas e redes sociais deste jornal.

“Na nossa vida também é assim. Nós temos dores, mas no final vamos encontrar a glória. Depois do sacrifício de Jesus no Calvário, depois de sua morte cruel na cruz, três dias depois veio a grande e gloriosa ressurreição. E que Deus abençõe a todos vocês, rica a e abundantemente”, concluiu o padre Alessandro Campos.

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