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DEFINIÇÕES

Pedindo passagem: Dr. Deodato vai ganhar passarela?

Virtual candidato a se manter no cargo de governador, Rodrigo Garcia (PSDB) esteve em Mogi nesta terça-feira (5), anunciou o funcionamento do Bom Prato de Jundiapeba, prometeu manter a passagem da Deodato aberta e reformar estações da CPTM

Darwin Valente
10/04/2022 às 17:30.
Atualizado em 10/04/2022 às 19:10

(Foto: Eisner Soares / O Diário)

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DEFINIÇÕES

Pedindo passagem: Dr. Deodato vai ganhar passarela?

Virtual candidato a se manter no cargo de governador, Rodrigo Garcia (PSDB) esteve em Mogi nesta terça-feira (5), anunciou o funcionamento do Bom Prato de Jundiapeba, prometeu manter a passagem da Deodato aberta e reformar estações da CPTM

Darwin Valente
10/04/2022 às 17:30.
Atualizado em 10/04/2022 às 19:10

(Foto: Eisner Soares / O Diário)

Ao prometer construir uma passagem para pedestres na área central da cidade, durante visita a Mogi, na última terça-feira (5), o governador e candidato a se manter no cargo, Rodrigo Garcia deixou para trás uma interrogação. Afinal, a passarela deve ser construída ao lado da estação ferroviária, que será reformada - outra promessa de Garcia -, ou na rua Dr. Deodato Wertheimer, motivo de muita polêmica, desde que a CPTM anunciou que iria fechar definitivamente aquela passagem a partir do dia 4 de julho próximo?

Enquanto os técnicos do Estado não definem o local mais adequado para a tal passagem, arquitetos, urbanistas e professores de Arquitetura e Urbanismo da cidade discutem o tema, a convite de O Diário.

Na visão do diretor do Colégio de Arquitetos, Paulo Pinhal, a futura passarela deve ser instalada na área da Dr. Deodato para impedir a “morte” do comércio ali existente e garantir a circulação de pessoas entre o centro e o Mogilar e adjacências. Até porque, lembra ele, na reforma da Estação Ferroviária Central já está prevista uma interligação com o Terminal Central de Ônibus e também com o bairro do Mogilar.

 Pinhal, no entanto, acredita que para realizar uma obra de acordo com as exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABR- 9050), com garantias de acessibilidade plena, a passarela terá de possuir uma rampa de acesso com declividade de 8,33%, o que significa a cada um metro de plano, ela irá subir 8,33 cm. Mesmo sendo feita em zingue-zague, como a da rua Padre João, a passarela terá, pelo menos 750 metros de rampa de cada lado, o que exigiria que fosse iniciada junto à praça Oswaldo Cruz. “Terá de ser criado algo absurdo para se atingir a altura de seis metros prevista para aquela área, por conta também dos fios de eletrificação dos trens da CPTM”, avalia Pinhal.

Elevadores

Mesmo sendo fundamentalmente contrária às passarelas, por entender que elas aumentam por demais o trajeto ultrapassado em linha reta, a arquiteta, engenheira ambiental e presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Mogi (Comphap), Ana Maria Sandim, defende a passarela ao lado da estação ferroviária, onde poderia haver um posto permanente da Guarda Municipal ou Ferroviária para garantir a segurança dos pedestres. Professora da UMC, ela diz que já assistiu a assaltos na passarela da Estação dos Estudantes, do interior da sala de aula.

Sandim também faz uma outra ressalva, ao propor que a passagem seja dotada de elevadores especiais, em cada uma das extremidades, para garantir a mobilidade de cadeirantes, idosos e pessoas com algum outro problema de saúde. 

O elevador conduziria as pessoas mais carentes até a parte superior da passarela, de onde elas atravessariam em direção a um equipamento semelhante, instalado no lado oposto.

Sandim ainda defende um estudo para encontrar alguma alternativa que possa assegurar vitalidade para o comércio da Dr. Deodato e condições de passagem para as pessoas que vão do centro para o Mogilar ou vice-versa. Algo como a liberação da atual passagem em horários específicos. A pesquisa poderia ouvir o público sobre qual seria, em sua opinião, o melhor lugar para a passarela, se na Deodato ou na área da antiga praça Salvador Cabral.

Três faixas

Dependendo do desenho a ser adotado, a arquiteta e urbanista Erineuda Ventura, que leciona nas duas faculdades de Arquitetura e Urbanismo de Mogi, vê a rua Dr. Deodato como a “solução mais interessante” para a construção de uma passarela.

Em sua visão, “ela terá de ser longa, esbelta, que comece perto e termine perto, com desenho contemporâneo e muita cor”.
Erineuda imagina uma passagem com elevado grau de acessibilidade. Ela propõe, então, uma passarela com três faixas distintas e exclusivas para assegurar mobilidade plena para pedestres numa delas, cadeirantes em outra, e ciclistas numa terceira, dividindo espaço com patinetes, que serão, em sua opinião, um meio de transporte muito usado no futuro.

Essa passarela teria início junto à praça Oswaldo Cruz e seguiria até as proximidades da Igreja Evangélica Manancial da Fé, já no Mogilar.
Erineuda acredita que um tratamento paisagístico nos dois extremos da passagem  irá impedir a sua transformação em algo sufocante para o comércio, nos pontos mais próximos da linha férrea. Ela sonha com espaços onde todos os modais possam transitar sem conflitos. 
“É tudo uma questão de desenho, lembrando sempre que uma obra como essa precisa ser pensada pra se integrar à vida da cidade por um longo tempo, nada menos que 20 anos. É uma questão de vontade política de se desembolsar um pouco mais para se ter algo para o futuro e não somente para uma gestão de quatro anos”, conclui Erineuda.

À espera de definições

Para o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues,  caberá ao governo do Estado esclarecer o que pretende fazer em relação à passarela.

Afinal, lembra ele, o projeto de modernização da Estação Ferroviária Central já prevê interligações por meio de escadas rolantes, com o Terminal Central de Ônibus e com o  bairro do Mogilar, na rua Hamilton da Silva e Costa.

Só que não se sabe ao certo quando isso realmente irá acontecer. Por isso, na opinião do secretário, é necessário uma solução a curto prazo para a rua Dr. Deodato Wertheimer e seus comerciantes, assim como para as pessoas que necessitam de conexão para se dirigirem às escolas (Chicão e Leonor), Mogi Plaza, Hospital Luzia e outros polos de grande movimento no Mogilar. 

“É preciso garantir acessos, tanto para revitalizar a região da estação como a da Dr. Deodato”, diz ele, lembrando que  “quanto mais passagens existirem, mais irá aumentar a fruição no centro”. 

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