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O pagador de promessas

Padre Alessandro tem dores no joelho durante peregrinação

Religioso de Mogi das Cruzes não tem vida fácil nesse começo de viagem por Santiago de Compostela

Darwin ValentePublicado em 11/10/2021 às 18:45Atualizado há 16 dias

Não são apenas os calos e as bolhas nos pés que incomodam o padre cantor Alessandro Campos em sua peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela, a rota de 869 km, que liga Saint Jean-Pied-de Port, nos arredores de Paris, até a Catedral de Compostela, na Galícia, região noroeste da Espanha. As baixas temperaturas daquela região da Europa, nesta época do ano, aliadas ao esforço incomum para quem sempre teve a vida marcada pelo sedentarismo, estão resultando em dores nas articulações, especialmente nos joelhos do religioso. São eles que mais sofrem nas subidas de escadas e morros, muito comuns nas estradas rurais percorridas pelo padre e seus dois fiéis companheiros, o baterista de sua banda, Thiago Gomes, e Claudio Silva, o “Zum”, como é conhecido o integrante da sua equipe de trabalho.

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Só mesmo a beleza das bucólicas paisagens rurais, as surpresas que o caminho reserva, e a determinação do padre e seus amigos é que compensam as dificuldades e o cansaço que tornam cada vez mais pesadas as mochilas presas às costas, assim como as roupas e até os calçados, que já começam a incomodar mais do que ajudar a conduzir os pés viagem adiante.

Escorados em seus cajados, os nossos bravos peregrinos continuam a caminhada, buscando compensar eventuais atrasos com algumas “esticadas”, que vão além do trajeto previamente programado.

Nesta segunda-feira (11), o trio acordou cedo. Duas horas da madrugada, horário do Brasil, sete horas na Espanha, onde a caminhada recomeçou com o dia ainda escuro, apesar da hora avançada. O frio era cortante, só vencido por duas pesadas blusas e pelo aquecimento natural resultante do início da marcha, apesar das dores nos joelhos ainda frios, após uma noite de descanso.

A meta do grupo era chegar até Los Arcos.

Roteiro

Desde que saiu de Saint Jean-Pied-de Port, na semana passada, padre Alessandro passou por Roncesvalles, Zubiri  e Viscanet, até chegar na famosa Pamplona, uma das mais importantes cidades espanholas, conhecida por sua universidade, referência para todo o mundo, em especial para jornalistas.

Depois de ultrapassar Puente La Reina, o grupo de Mogi andou mais 10 km até chegar a Estella. A meta era alcançar, ainda na tarde de segunda-feira (11) o povoado de Los Arcos, por volta de 16 horas.

As fortes dores e o cansaço, no entanto, falaram mais alto e a caminhada foi interrompida por volta de 15 horas, junto a um camping de beira de estrada, onde Alessandro, Thiago e “Zum” conseguiram um quarto com dois beliches de duas camas cada um, com direito a ducha, situada do lado de fora da edificação. Tudo ao custo de 50 euros. “Mas tá bom; só espero que o dinheiro não acabe antes da viagem”, brinca o padre, em seu estilo irreverente. 

Era tudo o que precisavam para um bom descanso, suficiente para garantir novas forças para uma nova etapa de 28 km, na manhã de terça-feira (12).

Os sinais de cansaço estão evidentes nos viajantes que continuam sendo empurrados pela determinação de levar a viagem até o fim, sabendo que o corpo tende a se acostumar, ainda que às duras penas, ao ritmo da peregrinação, tornando a caminhada menos sofrida para todos.

Padre Alessandro continua em contato com a região de Mogi por meio deste jornal, sempre enviando bênçãos para as pessoas que estão acompanhando o seu desafio de avançar mais 676 km até Santiago, como mostra uma das placas ultrapassadas e fotografadas pelo grupo durante a viagem, que ainda está longe de terminar.

O padre garante que levará até o fim sua promessa de completar o caminho a pé e rezar na Catedral de Santiago de Compostela para cumprir a promessa pela saúde da pequena Rebeca, sua sobrinha, diagnosticada com autismo, uma suspeita que novos exames simplesmente não confirmaram.

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