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ESPECIAL/RELIGIÃO

Padre Alessandro se emociona ao lembrar a morte da avó em missa

Na celebração que marcou o primeiro ano do falecimento da avó que o criou, o religioso também emocionou a igreja lotada com ensinamentos sobre a morte e a vida

Darwin Valente
17/11/2022 às 16:24.
Atualizado em 17/11/2022 às 18:52

Lembranças, lições de vida e morte, além de fortes emoções marcaram a missa celebrada pelo padre cantor Alessandro Campos, na noite desta quarta-feira (16), na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida e São Roque, no distrito de Braz Cubas, em Mogi, para marcar o primeiro aniversário da morte de Joana Miguel, a “Vó Joana” do religioso. Ela faleceu aos 96 anos, vítima de infecções urinária e pulmonar, no dia 16 de novembro do ano passado.

(Reprodução - Igreja na Mídia)

Fiéis seguidores do padre Alessandro vieram de estados como Paraíba, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, além de cidades mais próximas, como São Bernardo do Campo, Campinas, Bragança Paulista, Indaiatuba, e municípios do Alto Tietê. 

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

A igreja ficou lotada e a missa, com muita música sertaneja interpretada pelo próprio padre, durou mais de duas horas e meia e foi transmitida ao vivo pela Rede Brasil de Televisão, além das plataformas de internet e redes sociais do religioso e do site mogiano Igreja na Mídia. Até o final da manhã desta quinta-feira (17), os meios eletrônicos somavam, juntos, 153 mil visualizações, mais um recorde para carreira do padre que vive em Mogi das Cruzes, desde os primeiros anos de vida.

Depois de apresentar a moda de viola “Rio Pequeno”, que ele costumava cantar em dueto com a “Vó Joana”, padre Alessandro viveu alguns dos momentos de maior emoção da celebração, quando contou ao público que, pela primeira vez, em 15 anos de sacerdócio, havia redigido o sermão que pretendia fazer na durante aquela homilia. Contou também que uma hora antes do início da missa, ainda em sua casa, rasgou tudo o que havia escrito, por concluir que não seria a pregação mais adequada. E escreveu outra.

Na verdade, uma carta emocionada, dirigida para a avó, no céu, onde ele começa perguntando do avô Alfredo, do tio Lázaro e outros familiares falecidos há algum tempo, e vai se lembrando de momentos de amor e carinho passados ao lado de Joana, pessoa a quem deve sua criação e a concretização de uma vocação religiosa, que ele já demonstrava, ainda pequeno, rezando “missas” em sua casa, usando groselha como vinho e a camisola da avó como batina (veja vídeo acima).

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

Padre Alessandro foi se emocionando à medida que falava. E teve de parar, a certa altura do sermão, para se recompor do choro e emoção, que o impediram de falar por alguns momentos.

E foi assim, num púlpito onde estava afixado um grande pôster dele abraçado a “Vó Joana”, e vivendo o momento que parecia aproximá-lo ainda mais do público presente, que o religioso concluiu:

“Obrigado, minha avó, por ter existido e feito parte da minha vida, como a senhora fez”. E, chorando, concluiu: “ Me aguarde, pois logo, logo, a gente se vê de novo”.

 Steve Jobs

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)


Após pedir licença ao padre Cláudio Delfino, pároco da igreja de Braz Cubas, por se afastar da liturgia da missa, padre Alessandro fez a leitura de um texto atribuído ao inventor, empresário e magnata americano no setor da informática, o fundador da Apple, Steve Jobs, que na cama de um hospital, à beira da morte por conta de um câncer no pâncreas, faz um balanço da vida de uma maneira mais que realista.

Na carta lida pelo padre, Jobs fala de sua bem-sucedida carreira como empresário e lembra que naquele momento, encontrava-se deitado na cama de um hospital, doente, fragilizado, a recordar a sua vida.

“Percebo que todo o reconhecimento e riqueza que eu me orgulhei tanto, se descorou, diante da morte iminente. Podes contratar alguém para conduzir o teu carro, ganhar dinheiro para ti, mas não podes ter alguém para suportar a tuas dores. Objetos materiais perdidos, podes encontrar. Mas há uma coisa que nunca podes encontrar quando estiver perdida, é a 'Vida'! Quando uma pessoa entra numa sala de cirurgia, vai perceber que há um livro que tens de terminar de ler: 'O Livro da Vida Saudável'. Qualquer que seja o teu estado de vida, em que estejas agora, com o tempo, terás que enfrentar o dia, em que a cortina se fechará”.

O padre ainda citou o trecho em que Jobs aconselha as pessoas a presentearem o amor pela família, amor pelo teu cônjuge, amor pelos amigos. “Cuida bem de ti. Valoriza os outros; à medida que envelhecemos e, tornamo-nos mais sábios, ficamos a perceber, lentamente, que usar um relógio de 300 dólares ou um de 30, ambos marcarão a mesma hora; quer levemos uma carteira com 500 dólares ou 30, a quantidade de dinheiro dentro dela é a mesma; que sermos proprietários de um carro no valor de 150 mil dólares, ou um carro de 10 mil, a estrada e a distância são as mesmas e chegamos ao mesmo destino; quer bebamos uma garrafa de vinho de 300 dólares ou uma de 10, a ressaca é a mesma; que se a casa em que vivemos, tem uma área de 300 ou 3 mil metros quadrados, a solidão é a mesma. Podes perceber, que a tua verdadeira felicidade interior não vem das coisas materiais deste mundo. Quer voes em primeira ou em classe econômica, se o avião cair, tu cairás com ele. Portanto…espero que percebas, quando tens amigos (e velhos amigos), irmãos e irmãs, com quem possas conversar, rir, brincares, contar anedotas, ou pedacinhos das tuas aventuras, fala sobre a tua terra, ou do tempo (céu e terra) …Isso, sim! Isso, é a verdadeira felicidade”.

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

Em seguida o religioso continuou se valendo da carta de Jobs com conselhos para criar filhos de maneira consciente e vários outros, até chegar ao final, onde ele conclui, com a reflexão sobre o verdadeiro valor da vida:

“Se quiseres andar rápido, anda sozinho. Mas se quiseres caminhar longe, anda junto! A pessoa mais rica, não é a que tem mais, mas a que precisa menos! Ou seja, é aquela que sabe viver com o que tem”.


No cemitério
Padre Alessandro contou então que naquele dia estivera no cemitério, onde visitou o túmulo da avó e outros familiares, e contou que “cada vez que entro em um cemitério, entendo mais e mais que todas as nossas ignorâncias nada são diante da grandeza da vida”. E passou a refletir sobre a relação das pessoas com a vida e a morte:

“Vocês já notaram como o ser humano é estranho? Ele briga com os vivos, mas leva flores para os mortos; lança os vivos ao nada, à sarjeta, mas pede um bom lugar para os mortos; se afasta das pessoas que estão vivas e quando essas mesmas morrem, se agarra, desesperado, às lembranças dos momentos que passaram juntos”.

E continuou, analisando “como o ser humano é estranho”, na opinião do padre:

“A pessoa fica anos sem conversar com quem está vivo, mas se desculpa e faz até homenagem quando este morreu; não tem tempo para visita quando ainda está vivo, mas tem tempo para ir ao funeral e ficar até o dia todo no velório da pessoa; critica, fala mal e até ofende quando a pessoa está viva, mas santifica quando está morta; não liga, não abraça, não se importa com os vivos, mas se auto-flagela quando esses morrem”.
Aos olhos cegos dos homens, refletiu padre Alessandro Campos, “o valor do ser humano está mais na morte e não durante a sua vida”.

E qual a explicação para tudo isso? – questiona e responde o próprio religioso:

“Os mortos recebem mais flores, mais carinhos, passam a ser mais notados porque o remorso é, e sempre foi, mais forte que a gratidão. E é bom pensar nisso enquanto estamos vivos. A vida é um sopro, meus irmãos. Hoje estais vivo; amanhã, poderá não estar mais”
E aconselhou:

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

“Portanto, valorize quem você ama, não deixe para amanhã o que puder fazer hoje. Ame, perdoe, seja feliz ao lado de sua família e de seus amigos. Pare de criar confusões por coisas tão pequenas. Lembre-se: a vida é um sopro. Antes de homenagear quem já morreu, aprenda a valorizar quem está vivo, porque depois que a pessoa vai embora, até seus defeitos viram saudade. Lembre-se que o maior presente  que você pode dar a alguém é seu tempo, seus anos, seu abraço, seu carinho, seu interesse. Faça isso, antes que seja tarde”, recomendou o padre.

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

(Divulgação - Dora Santos / Igreja na Mídia)

(Reprodução - Igreja na Mídia)

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