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Padre Alessandro faz revelação mística sobre o Caminho de Santiago

Novo livro de padre Alessandro vai revelar fatos inéditos da viagem pelo Caminho de Compostela

Darwin Valente Publicado em 26/11/2021 às 15:24Atualizado há 2 meses
Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

O sonho daquela noite, num albergue do caminho para Santiago de Compostela, marcou definitivamente a peregrinação de padre Alessandro Campos e justificou a propalada existência de uma mística em torno daquela viagem.

Já era madrugada quando o religioso, no sono pesado, por conta do cansaço de mais um dia de caminhada, viu surgir um velho amigo de seu pai, com quem ele costumava cantar músicas caipiras. Ambos já haviam morrido. No sonho, o amigo  lhe dizia que tanto ele como José Cardoso de Campos, o pai de Alessandro, estavam na UTI e que somente ele poderia tirar os dois de lá. “Você é padre, você sabe”, disse o homem antes de desaparecer.

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Padre Alessandro acordou sobressaltado, em plena madrugada e não conseguiu mais pegar no sono. Só conseguia pensar naquilo que acabara de ver e ouvir, muito claramente. Aproveitou para meditar sobre aquilo e chegou à conclusão que a UTI  citada no sonho poderia ser o purgatório.

O sonho o acompanhou até  Leon, onde ele iria concelebrar uma missa com o padre da cidade. “Na hora, pedi ao sacerdote que dedicasse aquela celebração ao meu pai e a seu amigo. E assim foi feito. Depois da comunhão, sentei-me  ao lado do altar, fechei os olhos e vi os dois, vestidos de branco, subindo e me dando adeus."

Esta história, que padre Alessandro manteve em segredo até agora, será um dos relatos que ele pretende fazer em seu futuro livro, a ser lançado pela Editora Globo, no início do próximo ano, onde ele irá contar outros fatos ainda inéditos de sua caminhada de 869 km, entre Saint-Jean-Pied-de-Port, nos arredores de Paris, na França, até Santiago de Compostela, na Galícia, região noroeste da Espanha. 

O futuro livro irá se chamar “O Padre no Caminho das Setas Amarelas”, numa referência aos sinais existentes ao longo de todo o caminho para orientar os peregrinos. A sugestão partiu do bispo Osvino José Botti, que acompanhou Alessandro em Brasília, em seus primeiros tempos de capelão militar. Hoje bispo emérito, dom José Botti incentivou o antigo pupilo a contar as histórias ainda inéditas da prolongada viagem.

Material certamente não irá faltar. Durante a viagem, o religioso acumulou 45 gravações com áudios que variam de 1 a 10 minutos, com exceção de um que durou 39 minutos. 

“Quando vinha a inspiração, eu chamava o Thiago (Gomes, que viajou com padre juntamente com Cláudio “Zum” Silva) e ele gravava com o celular”, conta o padre, mostrando que entre as gravações está uma em que ele aborda questões como a frustração e a inveja.

“O ser frustrado é um infeliz e prejudica os outros com sua frustração; já a inveja torna  pessoa ruim e que faz o mal. É um pecado grave”, gravou ele.

Durante a viagem, padre Alessandro conheceu uma senhora que caminhava sozinha e lhe falou sobre um filho que  estava atrasado, mas iria encontrá- la  na próxima cidade. 

“Nós estávamos comendo um lanche quando o filho dela chegou por detrás da cadeira e eu lhe deu um enorme abraço e um beijo. Aquele amor entre mãe e filho me chamou atenção  para as lições que podiam ser tiradas daquele momento que acabava de presenciar”, diz.

Em determinados momentos da caminhada, o padre procurava guardar uma certa distância dos dois companheiros para que pudesse meditar e tirar lições daquela viagem única.

“Apesar disso, existiram muitas lições do Caminho de Compostela que eu não consegui perceber no dia a dia, mas que ficaram latentes. A partir do momento em que a gente para e analisa tudo o que se passou, já distante  dos acontecimentos, elas surgem”, explica o religioso, mostrando de onde irá  sair o lado mais existencial do livro, que acompanhará o relato das aventuras e desventuras do trio durante a longa viagem.

A família como um bem maior e a falta que lhe fez durante o mês da viagem, o amor,  a questão do estilo de vida e mudança de hábitos são temas que ficaram evidentes ao longo de toda a caminhada e que serão abordados por ele no futuro livro. Também serão mostradas imagens dos momentos de tristeza e alegria vividos pelo padre e seus dois acompanhantes, durante a caminhada cheia de significados para eles.

“O Padre no Caminho das Setas Amarelas” virá a se juntar  aos dois mais recentes livros do religioso que bateram recordes de vendagem.

Durante a pandemia, padre Alessandro lançou “Eu Não Aguento Mais”, que tratava das dificuldades para se conviver com os medos provocados pela Covid-19.  Vendeu mais de 200 mil livros.

Durante a caminhada até Compostela foi lançado “Aceita que Dói Menos”, livro apresentado em Mogi, nesta semana, e que já vendeu mais de 150 mil exemplares.

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