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TROCA DE NOME

Orquídeas passará a se chamar oficialmente avenida Fumio Horii

Câmara aprovou projeto que muda nome da via, escolhido por alunos da rede pública, para homenagear empresário, imigrante japonês, que doou a área e teve contribuição com investimentos para a cidade

Silvia Chimello
05/07/2022 às 18:29.
Atualizado em 05/07/2022 às 19:15

Nome da via, que será mudado, foi escolhido por concurso que teve a participação de 46 mil alunos da cidade (Arquivo)

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TROCA DE NOME

Orquídeas passará a se chamar oficialmente avenida Fumio Horii

Câmara aprovou projeto que muda nome da via, escolhido por alunos da rede pública, para homenagear empresário, imigrante japonês, que doou a área e teve contribuição com investimentos para a cidade

Silvia Chimello
05/07/2022 às 18:29.
Atualizado em 05/07/2022 às 19:15

Nome da via, que será mudado, foi escolhido por concurso que teve a participação de 46 mil alunos da cidade (Arquivo)

A avenida das Orquídeas passa a se chamar oficialmente avenida Comendador Fumio Horii, com a aprovação do projeto de lei que dispõe sobre denominação de via pública. A matéria foi votada na sessão desta terça-feira (5), com a presença do filho Hissao, representando a família, que pode acompanhar os discursos da maioria dos vereadores defendendo a homenagem ao empresário, falecido em 2021, aos 87 anos, vítima da Covid-19.

O projeto de lei teve repercussão nas redes sociais, com posicionamentos de moradores da cidade contra essa mudança pelo fato de o nome original ter sido escolhido com a realização de um concurso público, que teve a participação de mais de 45 mil alunos da rede pública, em 2016, quando a obra foi iniciada pelo governo do ex-prefeito Marco Bertaiolli (PSD).

Porém, o autor da propositura, explicou que a denominação original será mantida em um bairro naquela região entre Braz Cubas e Jundiapeba, que passará a se chamar Vila das Orquídeas. Além disso, Furtado alegou que apesar de ter sido feito o concurso, a via não havia sido reconhecida como Orquídeas e estava registrada como rua Projetada Um.

A avenida foi construída com objetivo de desafogar o trânsito nas vias de acesso à rodovia SP-66, entre Mogi e Suzano. Ela tem início no Viaduto Prof. Argeu Batalha e término no Rio Jundiaí, no bairro Vila Socorro Velho.

A importância do concurso feito na época foi reconhecido pelo vereador, que alega, no entanto que “os tempos mudam e os fatos vão alterando as coisas”, como é o caso do empresário, que foi quem doou a área para a construção da via, e na avaliação do parlamentar, merecia uma homenagem como forma de reconhecimento por tudo que ele fez na cidade, tanto na área de empreendedorismo como social, tendo contribuído com vários projetos e ações filantrópicas na cidade, mas que não pôde ser reconhecido dessa forma em vida, porque a lei orgânica da cidade só permite homenagens póstumas.

"Foi um concurso pedagógico, importante na época, mas o contexto é diferente. Estamos sempre refazendo planos porque as coisas mudam, a sociedade evolui e perdemos pessoas importantes no meio do caminho, que precisam ser homenageadas pela sua história. Além disso, a avenida tem um contexto emocional importante para a família”, argumentou Furtado.

José Luiz e o filho do empresário, Hissao Hori, que foi à Câmara para acompanhar a votação do projeto (Divulgação/CMMC)

 Além disso, o autor da proposta alega que fez a propositura na semana da imigração japonesa (comemorada no dia 18 de junho), como forma de homenagear também Horii, considerado um dos ícones da imigração em Mogi. “A homenagem é muito justa a uma pessoa que investiu na cidade e ajudou a transformar Mogi nessa terra tão importante que a gente tanto ama”, reforçou o parlamentar.

Outros vereadores que se manifestaram em apoio à medida também citaram investimentos feitos pelo empresário na área de mineração, ajudando a criar emprego e renda para famílias mogianas, além de ter construído um importante hotel resort, com campo de golfe, em Jundiapeba.   

O projeto recebeu voto contrário da vereadora Inês Paz (PSOL), a única que destacou a importância do concurso pedagógico. “ Acho válido e concordo com a homenagem ao senhor Fumio Horii, mas tem uma história vinculada ao nome da avenida que foi escolhido democraticamente e à época provocou uma intensa mobilização entre os estudantes da rede pública de ensino. Acredito que seria importante consultar novamente os munícipes sobre a alteração do nome”.

Ela disse ainda que em vez de dar o nome de Vila das Orquídeas, “o novo bairro deveria receber o nome do Horii e manter a via com o nome original escolhido pelos alunos”, sugeriu a parlamentar, que não apoio dos colegas nessa proposta

No caso da denominação da avenida Comendador Fumio Horii, o projeto de lei ainda tem que ser sancionado pelo prefeito Caio Cunha (PODE), antes de virar lei. Tudo indica que isso vai acontecer, até porque toda a bancada do partido dele se manifestou a favor da medida.

Além do projeto de lei que trata da denominação das Orquídeas, os parlamentares também aprovaram outro projeto da ordem do dia, apresentado pelo vereador Vitor Emori, para dar o nome de Itamar Vicente de Paula à via pública situada no loteamento Mosaico Essence, em César de Souza.

 Trajetória do Horii

O projeto de lei destaca a trajetória do empresário Fumio Horii, que nasceu na cidade de Hiroshima, no Japão, e chegou ao Brasil com os pais em 23 de dezembro de 1933. Morou em outras cidades antes de se mudar para Mogi das Cruzes, onde construiu família e começou os negócios, inicialmente plantando alfaces, até que, em 1961, ao pedir um estudo de solo onde plantava hortaliças, descobriu jazidas de caulim, minério utilizado no branqueamento de papéis.

O empresário fez muitos investimentos no município tanto na área de mineração como no setor imobiliário. A Empresa de Mineração Horii foi a primeira a ser fundada, em 1968, para exploração mineral do caulim, seguida pela empresa Horii Comércio e Empreendimentos Ltda, voltada para gerir os negócios no segmento de empreendimentos imobiliários, dentre eles a construção de um Resort, que continua sendo do Grupo Econômico de Horii e que é operado pelo Club Med sendo uma referência para a região.

Horii também é reconhecido pela contribuição à comunidade japonesa, ajudando na construção do Centro Esportivo do Bunkyo onde, segundo o presidente Frank Tuda, Horii construiu o ginásio e o campo de baseball. A vida dele rendeu um livro, intitulado “Rei do Caulim – Fumio Horii – Minha História de 80 Anos de Imigrante no Brasil”.

Ele era casado com Fusako Horii, com quem teve seis filhos: Hissao,  Satie (in memorian), Kazuto, Mauro, Miriam e Marli, que juntos administram as empresas do Grupo Horii, e continuam o seu legado.

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