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ELEIÇÕES 2022

O Diário mostra a evolução do eleitorado no Alto Tietê

Mogi das Cruzes é a cidade que mais registrou aumento de eleitores na região; na sequência, aparecem Itaquaquecetuba e Suzano

Carla Olivo
14/05/2022 às 07:33.
Atualizado em 15/05/2022 às 16:10

PREPARATIVOS Eleitores irão às urnas em outubro para o primeiro e segundo turno das eleições (Arquivo O Diário)

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ELEIÇÕES 2022

O Diário mostra a evolução do eleitorado no Alto Tietê

Mogi das Cruzes é a cidade que mais registrou aumento de eleitores na região; na sequência, aparecem Itaquaquecetuba e Suzano

Carla Olivo
14/05/2022 às 07:33.
Atualizado em 15/05/2022 às 16:10

PREPARATIVOS Eleitores irão às urnas em outubro para o primeiro e segundo turno das eleições (Arquivo O Diário)

Mogi das Cruzes é a cidade que mais registrou aumento de eleitores no Alto Tietê entre junho de 2020 e abril de 2022, passando de 319.826 para 328.978, segundo dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com atualização no final do mês passado. Na sequência, aparecem Itaquaquecetuba, que foi de 239.226 para 247.918, e Suzano, que tinha 217.959 e está com 225.281. 

Por outro lado, o levantamento do TSE aponta Ferraz de Vasconcelos como a cidade com a maior diminuição de eleitores, sendo que em junho de 2020 eram 130.570 contra 105.857 em abril de 2022, uma redução de 24.713. Em seguida vêm Poá, que passou de 93.853 para 74.382, e Arujá, com 68.888 no primeiro período e 57.042 no mês passado.

Estes números, porém, ainda terão mudanças após o processamento atualmente realizado pelos cartórios eleitorais, que se estenderá até o próximo dia 30 de maio. A partir daí, o TSE deverá atualizar os dados.
Segundo o chefe de cartório da 74ª Zona Eleitoral de Mogi das Cruzes, Marcos Chaves dos Reis, apenas ao término de todo este processo será possível conhecer o número real de eleitores aptos a votar nas eleições deste ano.

“Somente nos últimos dois dias antes do prazo final para alistamentos e transferências, que foi 4 de maio, foram quase 5 mil atendimentos online, no site do TSE, e outros 1,2 mil presenciais, nas três zonas eleitorais de Mogi. Como quem fez a solicitação pelo sistema Título Net tinha até a meia-noite do dia 4, agora, os cartórios estão processando estas informações”, explica.

O cientista político Elias Martins Pereira, sócio-proprietário e diretor do Instituto de Pesquisa e Marketing Paulista e Informação (Ipempi), explica que o crescimento do eleitorado brasileiro está diretamente ligado ao demográfico, que hoje ocorre de maneira muito mais lenta em todo o país. “O aumento e a diminuição no número de eleitores são dados muito relativos, porque é preciso analisar todo o cenário envolvido. Além disso, quando ocorre o recadastramento, a pessoa transfere o título para outra cidade e o dado é atualizado apenas neste município. Então, há uma desfasagem daquele que transfere o título e daquele que ingressa como novo eleitor no município”, analisa.

Ainda de acordo com ele, no caso de Arujá, por exemplo, que é uma cidade dormitório, um terço da população reside nos condomínios, e trabalha em São Paulo ou em outras cidades, onde vota. “Já em Ferraz, deve estar havendo um equívoco quanto ao número de eleitores cadastrados e o de comparecimento às urnas”, completa. 

Já em Mogi, o pesquisador aposta que, se houver algum aumento de eleitores até o final deste mês, com o acréscimo dos dados finais em processamento nos cartórios eleitorais, este aumento será de até 4%, elevando o número de eleitores da idade a no máximo 340 mil. “Estes números ainda vão mudar devido ao prazo de 4 de maio, com dados em processamento até 30 de maio para envio ao TSE, mas não haverá crescimento muito maior do que isso”, considera. 

No entanto, ele destaca o significativo aumento de eleitores jovens, com 7 milhões de novos títulos, após as campanhas de estímulo direcionada ao público de 16 e 17 anos. “Isso muda o cenário eleitoral de acordo com a linguagem que o candidato usará com estes eleitores. Via de regra, os jovens têm uma visão mais progressista e têm tendência a caminhar com candidatos mais jovens e mais progressistas. E os mandatos coletivos também levam vantagem com os jovens no debate”, conclui.

Também pesquisador, o jornalista Castro Alves, que desde 1988, quando iniciou na antiga Rádio Diário, passando também pelo jornal O Diário, acompanha a evolução do eleitorado em Mogi e região, os números apresentaram mudança significava, principalmente nos últimos meses deste ano devido à campanha do TSE para que os jovens entre 16 e 17 anos solicitassem o título de eleitor.

“Mogi é uma cidade que chama atenção pela qualidade de vida, com muitos empreendimentos lançados, outros já ocupados e outros que serão ocupados em breve, desde o ‘Minha Casa, Minha Vida’ aos residenciais em todos os bairros, principalmente em César de Souza e Jundiapeba, que são os distritos que mais cresceram populacionalmente, além de Braz Cubas e Sabaúna. Os números vão crescendo de acordo com a chegada de população. Quando tivermos os resultados dos números do novo censo, Mogi chegará perto a 470 mil habitantes”, aposta.

Já com relação à diminuição ndo número de eleitores em algumas cidades, ele atribui à pandemia e ao recadastramento realizado pela Justiça Eleitoral. “Agora, com a atualização do cadastro de eleitores, facilitado pela tecnologia, o TSE conseguirá ter uma atualização melhor do que antigamente. Lembro que, em 2020, uma cidade no Vale do Paraíba tinha o número de eleitores maior do que a população, porque muita gente votava na cidade, mas já não morava lá e tinha saído em busca de emprego em outros locais”, conta. 

Na maioria das cidades, segundo Castro, como é o caso de Mogi das Cruzes, os eleitores, ou seja os moradores com mais de 16 anos de idade, correspondem a 70% da população. “Mas em alguns municípios isso muda, como em Salesópolis, onde 90% são eleitores, devido à própria condição da cidade, de onde muita gente sai em busca de emprego e vai morar em outra. É o mesmo que acontece quando as pessoas saem da zona rural para encontrar trabalho na área urbana. Ao contrário, Itaquaquecetuba já tem uma população bem maior abaixo dos 16 anos”, compara. 

Na avaliação do jornalista, a à normalidade pós-pandemia e a atualização do cadastramento pelo TSE vai possibilitar números cada vez mais atualizados. “Também temos que considerar o significativo aumento de eleitores na faixa dos 16 e 17 anos, que nunca tinha acontecido, devido ao trabalho de incentivo feito, principalmente, nas escolas, alpem da propaganda na televisão, na internet, em todos os veículos”, completa.

 MUDANÇAS NO PÓS-PANDEMIA

Inserir os jovens entre 16 e 17 anos no cenário político, pós-pandemia, é importante, segundo a socióloga e psicóloga Marina Alvarenga, para que se tornem agentes responsáveis pelas ações dos governantes que os afetam. “Considerando que esses jovens estão no cerne das questões sociais, como sexismo, violência racial, violência institucional, discriminação, educação, moradia e trabalho, é fundamental que ocupem lugar no cenário político para refletirem sobre as ações do executivo e do legislativo e o impacto de suas ações sobre a vida dos jovens”, avalia.

No entanto, ela pondera que a participação deste público pode influenciar no cenário eleitoral. “Considero este um ponto preocupante, pois esses jovens podem ser massa de manobra eleitoreira se não pesquisarem, refletirem e reivindicarem direitos, mas também é preciso que estejam cientes de seus deveres como cidadãos. Assim, se houver o debate e a conscientização, a presença dos jovens no cenário eleitoral pode trazer surpresas ao elegerem novos atores para o governo, provocando o debate e a quebra histórica de oligarquias”, aposta.

Diante do cenário atípico de dois anos de pandemia de Covid-19 e isolamento, na avaliação da profissional, o espaço de escuta e compartilhamento do jovem foi ceifado, ainda que a rede social estivesse aberta o tempo todo. Estes fatores afetam o interesse dos jovens pela política. “A escola, os grupos, o trabalho, tudo passou por cerceamento de convivência. Há o jovem de uma classe privilegiada que está focado em preparar seu futuro, estudando, se formando, mas uma grande parcela está lutando para sobreviver num cenário pós-pandemia que não lhe propicia muitas opções. Muitos estão focados em trabalhar”, frisa. 

Ela também aponta que o próprio cenário político não é animador. “Vemos totalitarismos, desmandos políticos, fraudes e falta de ética. Então, por que se interessar se os mesmos atores participam do processo eleitoreiro como possíveis candidatos? Realmente, tal cenário desanima e estimula o individualismo”, avalia.

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