Há um ano, a pandemia de Covid-19 muda o mundo e, além da saúde, afeta a economia e, consequentemente, a geração de emprego, desenhando um novo cenário no mercado de trabalho, ainda mais competitivo e exigente. Na crise, algumas profissões perdem espaço, enquanto outras se fortalecem e oportunidades são criadas para atender as demandas geradas pelo cenário atual, que abriu novas áreas de atuação.

Desta forma, atividades de tecnologia ligadas à internet, ciência da computação, análise de sistemas, desenvolvedores de sistemas de internet, infraestrutura de redes, marketing digital, psicologia, psicopedagogia, engenharia de alimentos, engenharia química, biotecnologia, educação online, empreendedorismo e profissões ligadas à economia e à saúde do homem estão em alta e se destacam como as mais promissoras, segundo o consultor e empresário Carlos Elias do Prado.

Na avaliação dele, a crise do novo coronavírus antecipou profissões que ainda surgiriam daqui a alguns anos. “Já vivíamos, há algum tempo, a ‘era da informação’, com uso massivo de tecnologia. Esse processo se acentuou com a pandemia, principalmente em função do home office, que obrigou as empresas a investirem mais nesses sistemas que operacionalizam o trabalho remoto. As profissões ligadas às tecnologias se tornaram ainda mais necessárias, como desenvolvedores de sistemas, sistemas para internet, internet das coisas, e-commerce, marketing e propaganda online. Mas profissões ligadas à química e à biotecnologia também ganharão muito destaque no futuro, por causa de seu uso em vários segmentos”, explica.

Entre os trabalhos surgidos na crise e com chances de permanecer na ativa, o consultor destaca os desenvolvedores de sistemas remotos de trabalho e de aplicativos que facilitam a vida das pessoas - delivery, entregas rápidas, orientações educacionais -; a psicologia, terapia e saúde online; atividades ligadas à internet; além da valorização dos profissionais da Saúde, nas especializações de infectologia, genética e sanitária

Mercado exige mais capacitação

Com a tecnologia da informática cada vez mais presente na rotina profissional nos mais diversos segmentos durante a pandemia, principalmente devido aos processos de digitalização e ao home office, mudam também o perfil, habilidades e capacitação exigidos na hora da contratação. Diante disso, preencher vagas em alguns cargos nesta área não tem sido tarefa fácil para as agências de emprego.

A consultora Ivone Mello, da NIC Recursos Humanos, conta que levou quase três meses para encontrar um especialista em Tecnologia da Informação (TI) com conhecimento no programa Proteus, que atendesse aos requisitos de um cliente que utiliza a ferramenta em sua empresa. “Houve dificuldade. Utilizamos as redes sociais, como Facebook e Instagram, que funcionam bem na divulgação, mas foi um grande desafio. Em razão da alta demanda nesta área, quase não se encontra profissionais qualificados em TI. Eles estão em escassez, serão cada vez mais necessários e estarão na mira de todo mundo. Este é um campo eterno, então, quem gosta de tecnologia deve investir em estudos e qualificação”, orienta.

Além da informática, outro profissional requisitado é o dos segmentos de economia e estatística, já que a pandemia trouxe muitas mudanças também no mercado financeiro. “Talvez não tenha muito espaço nesta área em Mogi, onde isso não é forte, mas a Bolsa de Valores e bancos vão absorver estes perfis. Também continuam em ascensão os profissionais da área da Saúde, como enfermeiros, técnicos, médicos, o pessoal de segurança, limpeza, cozinha e alimentação. Precisamos de gente para tocar o piano, mas também precisamos de muita gente para carregar o piano e este pessoal da área operacional é altamente necessário na estrutura das empresas”, enfatiza Ivone.

No entanto, os operadores de máquinas precisam estar cada vez mais antenados com as novidades tecnológicas da indústria 4.0. “É preciso buscar este conhecimento, porque as grandes empresas investem na aquisição de máquinas, geralmente fabricadas no exterior. Técnicos de fora vêm fazer a montagem, mas os operadores das empresas daqui devem estar alinhados à esta tecnologia, porque depois que os estrangeiros vão embora, quem fica para cuidar disso são eles”, completa a consultora.

Desta forma, a tendência é de um profissional da vez mais multitarefas, com perfil arrojado, versátil, capacidade de inovação e aceitação de novas ferramentas. “Ele não pode ser engessado, precisa estar muito antenado com o que circula ao redor e, principalmente, entender de tecnologia, que é nossa aliada, mas da qual também nos tornamos reféns. Dependemos dela para tudo. Sem recursos tecnológicos, as empresas e profissionais não caminham mais”, avalia Ivone.

Ivone Mello Consultora de RH

“Quem não se atualizar, principalmente sobre as tecnologias da informática, vai perder cada vez mais força no mercado de trabalho porque a pandemia antecipou o que aconteceria daqui a alguns anos”

Nova forma de trabalho

A pandemia mudou a forma de executar tarefas nas empresas, com o home office e o sistema híbrido de trabalho. Segundo o gerente de Recursos Humanos da Petrom, Newton Bianchi, coordenador do Grupo de RH da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), principalmente as multinacionais adotam novas rotinas com o uso da tecnologia. “Em muitos casos, a produtividade aumentou e a informática é essencial neste processo. No futuro, para algumas atividades, principalmente na área administrativa, o home office é um caminho sem volta, mas ainda é preciso regulamentá-lo”, aposta, acrescentando que no final do ano a indústria viveu um aquecimento, mas no início de 2021, o cenário se estabilizou. “Quando surgem vagas, são bastante específicas, com exigências técnicas, e começa a afunilar o número de candidatos que possam entrar no processo”, explica. 

Profissional precisa ser multitarefas e multifuncional

No Fórum Mundial 2020, especialistas destacaram 10 competências para os profissionais do futuro: resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, gerenciamento de pessoas, compartilhamento de atividades, inteligência emocional, discernimento e tomada de decisão, orientação de serviços (superar as expectativas do cliente), negociação e flexibilidade cognitiva (facilidade para aprender). 

“Essa é uma das facetas do novo profissional: multitarefas e multifuncional. A pandemia não mudou a tendência, mas acentuou o perfil exigido: conhecimento da tecnologia de cada área, inteligência emocional, habilidades de comunicação, resiliência, criatividade, empatia, ética, saber trabalhar sob pressão e compartilhar atividades, visão crítica, capacidade de tomar decisão e de negociação”, explica o consultor Carlos Elias do Prado.