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CONSEQUÊNCIAS DO CLIMA

Novas geadas trazem mais prejuízo aos produtores rurais de Mogi

Enquanto sofrem para mitigar os danos provocados pela geada da última semana, os agricultores serão atingidos novamente pela frente fria; veja detalhes

Heitor HerrusoPublicado em 28/07/2021 às 19:03Atualizado há 2 meses
Com hortaliças congeladas, os prejuízos somam aproximadamente cinco meses de trabalho / Mário Okuyama/Divulgação
Com hortaliças congeladas, os prejuízos somam aproximadamente cinco meses de trabalho / Mário Okuyama/Divulgação

A geada da última semana - e que volta a se repetir agora - deixa consequências graves ao pequeno produtor rural, em especial aos que plantam no solo mogiano. Reconhecida pelo Prêmio Empreendedor Social em Resposta à Covid-19, a produtora rural Simone Silotti mostra que as perdas são “imensas”. Acompanhe: as hortaliças demoram de 60 a 70 dias para crescer, e foram queimadas pela geada da última semana, quando já quase prontas para comercialização. Para o replantio há uma carência, um período em que não se pode utilizar o solo, já que o frio continua. E até a nova safra estar pronta para colheita, há nova espera de 60 a 70 dias. São, portanto, cerca de cinco meses “sem produção, sem receita”.

Como as alterações climáticas continuam, e o frio volta a ficar intenso a partir desta quinta (29), surge a dúvida. É possível se proteger da geada? A resposta é sim. Mas não sem capital. Simone explica que “existem alguns mecanismos” de segurança, mas os altos custos inviabilizam a prática, deixando o agricultor à própria sorte.

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“Estamos falando de mão de obra, mais material de insumo para tentar mitigar o prejuízo. Um grande investimento para tentar recuperar mercadorias que com certeza vão perder o padrão estético que o mercado classifica, perdendo valor comercial. Resumindo, a gente pode até fazer série de medidas, mas se o alface, se a couve for queimada, o mercado não vai querer”, resume ela, que apresenta uma série de soluções, que envolvem a aplicação de produtos como serragem seca de madeira, salitre, óleo queimado ou diesel e outros químicos.

É preciso lembrar que com a pandemia o poder aquisitivo da população baixou e os produtores já vinham registrando “vendas muito reduzidas”, com “preço de repasse muito pequeno”. Por isso, seria este o momento de uma sensibilização relacionada aos “atravessadores”, como supermercados e quitandas.

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A sugestão de Simone é “contar com os atravessadores, principalmente os grandes supermercados, para que diminuam a margem o máximo que puderem para não impactar”. Na verdade, essa é uma necessidade desde o início desde 2021, quando fortes chuvas de granizo provocaram estragos também grandes em plantações mogianas. “Esta (a geada) é a segunda incidência grave que temos este ano. Dessa vez até o milho, que é uma cultura mais resistente, foi perdida aqui em Quatinga”, lamenta Simone.

Ela explica que os trabalhadores do campo enfrentam crise após crise desde 2016. Entre as situações que impedem o repasse justo de preços, ela cita os altos preços do diesel, a pandemia de Covid-19, as discussões sobre aumento de incidência de ICMS. “Mais do que dar dinheiro a juros baixo, o Governo deveria dar apoio, ajudar a produzir em escala máxima, contratar o máximo de trabalhadores e entregar alimentos mais baratos para a população”.

 Questões ambientais

Parte dos problemas enfrentados pelos pequenos produtores rurais estão relacionados às recentes alterações climáticas. Quando o frio é mais intenso do que deveria, quando o calor é forte demais, ou quando as temperaturas sofrem grandes mudanças fora de época; todos estes são sinais de alerta emitidos pelo planeta, que reclama do efeito estufa, do desmatamento e de outras tantas alterações na natureza causadas pelo ser humano.

Sobre este tema, Simone Silotti acredita que a solução seja a ação – que vem com a conscientização do coletivo. Em outras palavras, todos precisam agir, seja poder público, sociedade civil e terceiro setor.

“A Amazônia é muito importante para o mundo. E o Cinturão Verde é muito importante para a região metropolitana de São Paulo. Por meio de ações locais a gente resolve grandes problemas”, aponta ela, que dá um exemplo: “o Rio Tietê nasce formoso, em Salesópolis. Percorre deslumbrante Mogi das Cruzes, e morre quando entra na capital”.

Além disso, ela considera como “vergonhoso” o índice regional reciclagem de lixo orgânico e acredita que muito precisa ser feito, tendo como base a agricultura, setor que movimenta empregos e gera renda.

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