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ASSISTÊNCIA SOCIAL

Mulher é encontrada com sinais de maus-tratos e cárcere privado em Mogi; veja vídeo

Caso foi atendido por vereador de Suzano, que critica os parlamentares de Mogi por não terem ajudado. A Câmara nega. Prefeitura disse que acompanha a vítima, que está sob cuidados médicos

O Diário
16/03/2022 às 16:44.
Atualizado em 22/03/2022 às 09:10
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ASSISTÊNCIA SOCIAL

Mulher é encontrada com sinais de maus-tratos e cárcere privado em Mogi; veja vídeo

Caso foi atendido por vereador de Suzano, que critica os parlamentares de Mogi por não terem ajudado. A Câmara nega. Prefeitura disse que acompanha a vítima, que está sob cuidados médicos

O Diário
16/03/2022 às 16:44.
Atualizado em 22/03/2022 às 09:10

Uma mulher com deficiência foi encontrada desnutrida, com sinais de maus-tratos e indícios de cárcere privado em Mogi das Cruzes na terça-feira (15). Ela tem 43 anos, vivia com o irmão em uma casa alugada no Jardim Margarida e foi resgata com a ajuda de uma ONG. Um vereador de Suzano que participou da ação e disse que apesar de ter entrado em contato com parlamentares da Câmara de Mogi, não foi atendido.

O assunto que repercute nas redes sociais também foi discutido na sessão desta quarta-feira (15) na Câmara de Mogi, onde a maioria nega que tenha sido contatada. Incomodados com as críticas, os vereadores aprovaram uma moção de repúdio contra as acusações que estão sendo feitas pelo colega da cidade vizinha.

Um vídeo que circula na internet, que teria sido gravado no momento do resgate, mostra a situação de abandono da mulher, muito magra, com os cabelos raspados, e em um quarto sujo. Há informações de que a vítima, que tem dificuldades para se comunicar e para se locomover, estaria comendo as próprias fezes. Perto da mulher também foi encontrada uma cartela de anticoncepcionais e um estimulante sexual.

A pessoa com deficiência foi encontrada na tarde desta terça-feira (15), em Mogi das Cruzes, com a ajuda de Julio César de Oliveira, da ONG Julio Loko, que fez o registro e colaborou no resgate. Ela foi encaminhada para o Pronto Socorro Municipal de Suzano. A casa onde vivia com o irmão é alugada e ele não foi localizado. Há suspeitas de que ele seria dependente químico.  

De acordo com as informações fornecidas por Julio ao site G1, a proprietária do imóvel, que mora em outro endereço, foi informada por vizinhos, que estavam acostumados a ouvir gritos da vítima e estranharam o silêncio na casa, por isso ficaram preocupados.

A proprietária acionou a Polícia Militar, porque suspeitava que a moradora poderia estar morta. Porém, segundo relatos de pessoas que estavam no local, os agentes teriam se recusado a entrar no ambiente e orientaram que ela procurasse por uma delegacia, onde deveria registrar o boletim de ocorrência.

Sem saber como proceder diante da situação, um dos vizinhos teria pedido que Julio verificasse a situação. Ele conta que foi até a casa, pulou um muro e conseguiu ter acesso ao quarto da vítima, que estava deitada, enrolada em um cobertor sujo, e mal se mexia para respirar.

“Eu subi em um murinho e abri a janela. Levei um susto e achei que ela estava morta. Só que na hora que eu pensei que ela estava morta, gritei: ‘senhora!’ e ela se mexeu”, disse ele. “Comecei a chorar, fiquei muito emocionado e triste. Não dava para acreditar que ela estava viva naquela situação. Foi horrorizante”, contou.

O representante da ONG relata ainda que tentou parar uma viatura da PM que passava pelo local. Os agentes teriam dito que a orientação continuava a mesma: eles deveriam registrar um boletim de ocorrência para que a situação fosse analisada.

Segundo pessoas que moram próximas ao local, foi feito um chamado para a Guarda Municipal, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Assistência Social da cidade, mas os pedidos não teriam sido atendidos.

Julio Oliveira alega que o resgate só chegou depois que um vereador de Suzano foi contatado. Há relatos ainda de que antes da chegada da ambulância, eles teriam entrado no quarto para prestar os primeiros cuidados e observaram que a vítima mal reagiu. Teriam sido oferecidos água e pão para a mulher, que comeu com desespero, segundo relata.

“Tinha urina e fezes, que ela comia, tudo no meio do quarto. Tivemos impressão de que ela comia até a espuma do colchão. Parece que tem deficiência intelectual e, além disso, não anda. A gente ofereceu água e pão. Parecia uma criança desesperada, comendo um sorvete”, descreve Júlio.

Socorro à vitima

O vereador que foi chamado pelo representante da ONG para ajudar no caso, é Fabio Diniz (PTB). Em um vídeo publicado em suas redes sociais para relatar o episódio, ele alega que teve que vir de Suzano para atender esse caso em Mogi e diz que apesar de ter solicitado, os vereadores de Mogi não teriam apoiado. “Pedimos apoio para a cidade de Mogi e para os vereadores e não tivemos apoio. Viemos de Suzano para dar esse apoio. Vamos conseguir uma internação para mulher, que está em situação desumana”, declara o vereador, explicando que iria levá-la para a Santa Casa de Suzano. “Estou pedindo apoio aos vereadores de Mogi e ninguém atendeu a gente para encaminhar uma assistente social”, criticou.

Repercussão na Câmara

Durante a sessão desta quarta-feira (16), os vereadores mogianos se manifestaram sobre o caso e aprovaram uma moção de repúdio contra Fábio Diniz. A maioria disse que sequer foi procurada pelo suzanense.

O vereador José Luiz Furtado (PSDB) foi um dos que criticaram a atitude do colega. Ele alega que não foi procurado e que de qualquer forma este é um assunto para ser tratado pela própria polícia.

“Ninguém entrou em contato comigo e nem com a minha assessoria, senão teria dado resposta. O que causa estranheza neste caso, quando uma pessoa se encontra em cárcere privado, é crime e ao se deparar com um crime, o certo seria a pessoa avisar a Polícia Militar em vez de acionar o vereador de outro município. Se depara com esse tipo de crime é preciso pedir ajuda da GCM ou da assistência social e autoridades competentes, mas tem gente que quer ganhar notoriedade”. Ele disse ainda que vai avaliar as medidas judiciais cabíveis “contra essa pessoa que quer tripudiar com a gente”.

O único que confirmou que teria sido acionado foi o vereador Clodoaldo de Moraes (PL). Ele disse, no entanto que assim que procurado por Diniz, teria tomou as devidas precauções, acionando os órgãos responsáveis da Prefeitura, como a GCM e Assistência Social. “Até proque essa não é uma função que cabe aos vereadores. Isso é crime, cárcere privado”, comentou.

A moção de repúdio, assinada pela maioria da Casa, foi aprovada com voto contrário da vereadora Inês Paz (PSOL)

 Prefeitura de Mogi

A administração municipal informou que está acompanhando o caso e que a Secretaria Municipal de Assistência Social segue em contato com o serviço social do PS de Suzano, que também já está em comunicação com a família da vítima, no Rio de Janeiro.

Segundo explicações da Prefeitura, há um registro de chamado no Samu para aquela região na tarde de terça-feira (15), “porém com informações inconsistentes”. Alega que o profissional médico responsável pela regulação do Samu tentou contato por três vezes, mas sem sucesso, pois o telefone do denunciante caía na caixa postal, o que impossibilitou o deslocamento de uma viatura naquele momento.

Por sua vez, a Secretaria Municipal de Assistência Social esclarece que recebeu a informação depois, por meio de um vídeo, em que ainda não constava identificação pessoal, endereço, localização, contato ou referência, o que também impossibilitou o atendimento imediato.

“Ao buscar mais detalhes, a Assistência Social foi informada que a vítima já havia sido encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal de Suzano. No fim da tarde de terça, após identificação da mulher, a Assistência Social de Mogi prontamente disponibilizou todo apoio à vítima. Com a identificação da vítima, foi possível constatar que a mesma ainda não havia sido referenciada em Mogi - ela estaria vivendo no município há pouco mais de três meses”, detalha a Prefeitura.

A gestão municipal adianta ainda que a paciente será acolhida pela Assistência Social assim que tiver alta, para dar continuidade ao atendimento psicossocial inclusive com acolhimento institucional, se necessário.

Outro caso

O encontro de mais uma moradora em situação de risco de vida, no Jardim Margarida, é registrado seis meses após um outro caso, divulgado por O Diário, provocar indignação. Em outubro do ano passado, uma idosa de 77 anos foi encontrada debilitada e em meio a sujeira e fezes de cães e gatos na casa onde residia, no Jardim Piatã. O caso chegou ao conhecimento da  vereadora Fernanda Moreno.

Naquela oportunidade, a moradora foi levada para o Hospital das Clinicas Luzia de Pinho Melo, onde permanece internada, e alguns dos animais socorridos foram encaminhados a clínicas veterinárias com problemas de saúde.Foram encontrados 8 gatos mortos, que estavam servindo de alimento para os demais animais.

Nesse fato, também, o caso chamou atenção porque alguns meses antes de ser resgatada, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para retirar o corpo do filho da moradora, de 51 anos, que pode ter morrido em condições similares às do encontro da mãe, segundo relataram os moradores.

O corpo do filho foi removido, mas a mãe, que também já apresentava um estado de abondono foi deixada sem qualquer acompanhamento do serviço de Assistência Social.

A vereadora Fernanda Moreno alertou as autoridades municipais que falhas que teriam de ser resolvidas, e sobre a necessidade de se desenvolver uma política pública de atenção aos acumuladores de pest. (veja reportagem divulgada por O Diário em outubro passado).

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