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FURA FILA

MP descobre que todos os servidores da Saúde de Mogi furaram fila da vacina da Covid

Promotoria pede abertura de inquérito e informa que até mesmo os funcionários que exercem funções administrativas e burocráticas foram imunizados indevidamente

Silvia ChimelloPublicado em 20/04/2021 às 18:18Atualizado há 23 dias
O médico foi exonerado por ter furado a fila da vacina, segundo MP que investiga outros casos / Foto: arquivo / Eisner Soares / O Diário

O Ministério Público requisitou a instauração de inquérito policial para apurar as denúncias de fura-fila na vacinação contra a Covid-19 na Prefeitura de Mogi das Cruzes. A providência foi solicitada pela Promotoria, após a constatação de que os servidores da Secretaria Municipal da Saúde foram vacinados, indevidamente, pois exercem funções administrativas e burocráticas.

Segundo informações do MP, o imunizante foi aplicado até mesmo em estagiários de outras áreas, inclusive os que não são da Saúde, que estão atuando na Pasta. O caso começou a ser investigado a partir de denúncias envolvendo o ex-secretário Henrique Naufel, exonerado na semana passada a pedido do órgão fiscalizador. A permanência dele no cargo se tornou insustentável quando foi divulgada a existência de outros servidores envolvidos. Inicialmente as informações era de que havia uma lista de nomes, mas a surpresa foi a constatação de que todos eles foram imunizados.     

As apurações, como explica o Ministério Público, prosseguem pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Mogi, que vai avaliar atos de improbidade administrativa na Prefeitura. O caso do fura-fila está sendo investigado pelo promotor Fernando Lupo.  

Não foi divulgado o número de funcionários envolvidos, mas a reportagem apurou que a Secretaria com cerca de 900 servidores concursados, sendo que aproximadamente 150 deles atuam no setor administrado e no Pró-Mulher. Tem ainda mais de 1,2 mil terceirizados que trabalham em unidades de saúde da cidade.

A Policia Civil foi questionada pela reportagem de O Diário sobre os procedimentos que serão adotados, mas a Secretaria de Estado de Segurança Pública informou apenas que “todas as circunstâncias relativas aos fatos são investigadas por meio de inquérito policial instaurado, na última segunda-feira (19), pela Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes”.  Acrescenta ainda que “as diligências estão em andamento”.

A Prefeitura, por sua vez, declara que também tomou conhecimento desta informação por meio do MP e afirma que “está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários”.

A administração destaca ainda que a comissão nomeada para assumir o comando da pasta até que seja nomeado o futuro titular continua trabalhando para garantir os serviços oferecidos pela Secretaria da Saúde, e segue fazendo o levantando das informações existentes para oferecer a transparência necessária e subsidiar o novo secretário.

“Estes dados também estarão disponíveis para consulta do Ministério Público do Estado de São Paulo, caso sejam solicitados”, reforça a Prefeitura.

Sobre a previsão para nomear um novo titular para o lugar de Naufel, a gestão esclarece que o prefeito Caio Cunha (PODE) prossegue com as tratativas e que o anúncio do novo responsável pela secretaria deve ser feito em breve - as tratativas continuam.

Até lá, a comissão formada pelos titulares de Governo, Gabinete e Finanças - continua trabalhando para garantir os serviços oferecidos pela Secretaria da Saúde. O foco é o combate à Covid-19, mas os outros serviços, de acordo com a Prefeitura,  também seguem atuando sem prejuízos para a população, como no caso da vacinação, por exemplo, além de outras ações adotadas para enfrentamento da pandemia.

 Fura Fila

 As denúncias de fura fila foram feitas ao MP logo após a aplicação da primeira dose no então titular da Secretaria de Saúde, o médico pediatra Henrique Naufel, a segunda pessoa a ser imunizada na cidade, no dia 20 de janeiro, dia em que a primeira remessa de vacina chegou na cidade.

Assim que iniciou as investigações, o MP pediu a exoneração dele do cargo, por entender que Naufel foi vacinado indevidamente já que não fazia parte do grupo de profissionais que atuam na linha de frente no atendimento de pacientes infectados pelo vírus.  Em sua defesa, o médico argumentou que mantinha contato diário com hospitais e com as equipes que atendem os pacientes.

O prefeito Caio Cunha (PODE) tentou mantê-lo no cargo para evitar a troca do comando da Saúde em plena pandemia, mas decidiu exonerar o secretário quando foi informado pelo MP que além de Naufel, outros servidores da Pasta também teriam sido vacinados indevidamente.

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