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TRANSPORTE PÚBLICO

Motoristas de ônibus de Mogi entram em "estado de greve" com apoio do Sindicato

Atenção: ainda não é uma greve, e por isso as linhas funcionam normalmente, mas a paralisação pode acontecer a qualquer momento

Mariana Acioli e Heitor Herruso
21/11/2022 às 17:22.
Atualizado em 21/11/2022 às 20:50

Caso não haja conversas sobre o devido dissídio em breve, uma paralisação pode ser organizada pelos trabalhadores (Divulgação/PMMC)

Os motoristas de ônibus de Mogi das Cruzes ainda não entraram em greve, mas isso pode acontecer em breve. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Mogi e Região (SINDRODOV) está, neste momento, em “estado de greve”, e caso não haja conversas sobre o devido dissídio em breve, uma paralisação pode ser organizada.

O Diário tomou conhecimento sobre o caso após alguns pontos de ônibus registrarem grande movimento nesta segunda-feira (21). Mas em resposta ao questionamento feito pela reportagem, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana “esclarece que a informação não procede e que o sistema municipal de transporte coletivo segue atendendo normalmente os passageiros".

No entanto, a Prefeitura de Mogi não citou o “estado de greve” já oficializado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Mogi e Região. Por telefone, Reginaldo Paccini, diretor de imprensa do órgão, explicou do que se trata.

“Estamos em uma data base nossa, que é novembro. E em outubro enviamos um protocolo com a pauta de reinvindicação aos patrões (empresas de ônibus, como CS Brasil, ATT Transporte e Princesa do Norte) e até agora não fomos respondidos. Tentamos várias ligações e contatos sem sucesso”, disse ele.

A preocupação, segundo Reginaldo, é que o fim do mês se aproxima, e sendo assim, o prazo para a aplicação do dissídio anual da categoria também. “Estamos falando do reajuste anual da inflação, o reajuste do vale alimentação, a renovação da cesta básica e de outros itens”.  

O atual estado então é um alerta, que acusa uma paralisação a qualquer momento. “A gente tem o mês de novembro para fechar acordo, mas como até agora não nos chamaram, estamos começando a mobilizar os trabalhadores. Se não houver avanço, aí sim vamos convocar uma assembleia para decretar a paralisação”.

E a notícia vem em uma semana em que o transporte público deve ter demanda aumentada, já que nesta quinta-feira (24) será a estreia do Brasil na Copa do Mundo e muita gente deve sair mais cedo do trabalho para acompanhar a partida.

O Sindicato responsável, porém, garante que nada será feito repentinamente. “A operação está normal. Simplesmente estamos mobilizando e avisando os usuários, com carros de som hoje no terminal Estudantes e amanhã no Terminal Central. Estamos cumprindo com nosso edital, e se houver greve isso será publicado em um jornal”.

Falando em jornal, no informe oficial do sindicato há um texto sobre este tema, que pode ser lido a seguir, na íntegra:

“A categoria está revoltada com a atitude egoísta dos empresários de ônibus, que estão fugindo das suas obrigações trabalhistas.

Mesmo após a direção do SINDRODOV Mogi já ter protocolado a data base, até agora não aconteceu nenhuma rodada de negociação e também não foi apresentada uma proposta salarial, o que mostra o desprezo dos patrões pelos interesses dos trabalhadores.

É preciso lembrar que, nos dois anos de pandemia da Covid-19, os companheiros motoristas fizeram a sua parte, transportando diariamente os passageiros. Em todos esses momentos difíceis, foram profissionais no comando do volante, apesar do alto risco de se contaminarem com a doença.

Infelizmente, esse sacrifício não tem sido reconhecido na hora de valorizar seus direitos.

O sindicato já se mostrou aberto ao diálogo, mas ao que parece a porta está fechada para uma negociação.

O presidente do SINDRODOV, Félix Barros, disse que providências serão tomadas e o patronal não vai gostar. ‘Ninguém suporta mais essa enrolação. Vamos atrás de justiça. Custe o que custar, o sindicato junto com a categoria vai buscar o que é de direito dos trabalhadores’.

Diante da má vontade dos patrões, a diretoria do sindicato está nas bases informando a real situação aos trabalhadores, que a campanha salarial entrou em sinal de alerta.

Na próxima semana, a categoria será convocada para uma assembleia, onde deverá aprovar o estado de greve. Isto quer dizer que sem proposta salarial, uma paralisação deverá acontecer a qualquer momento no sistema.

Para bom entendedor, o recado foi dado, depois não adianta chorar pelo leite derramado”.

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