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Moradores de ocupações de Mogi se manifestam no “Dia da Abolição”

Ocupantes alegam que data não condiz com a verdade, já que “negro ‘liberto’ foi empurrado para margem da sociedade”; Eles aproveitam o dia para cobrar políticas públicas.

Larissa Rodrigues
13/05/2022 às 11:23.
Atualizado em 13/05/2022 às 11:25

Movimentos populares convocaram a movimentação para questionar a data (Reprodução)

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Moradores de ocupações de Mogi se manifestam no “Dia da Abolição”

Ocupantes alegam que data não condiz com a verdade, já que “negro ‘liberto’ foi empurrado para margem da sociedade”; Eles aproveitam o dia para cobrar políticas públicas.

Larissa Rodrigues
13/05/2022 às 11:23.
Atualizado em 13/05/2022 às 11:25

Movimentos populares convocaram a movimentação para questionar a data (Reprodução)

Lembrado em todo 13 de maio, o Dia da Abolição da Escravatura ainda é uma data que traz muitas contradições. O povo negro – que teria sido liberto a partir da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, em 1888 – vive com o racismo estrutural ainda muito presente nos dias atuais, além de estar à margem da sociedade. Por isso, moradores de ocupações de Mogi das Cruzes marcaram para esta sexta-feira (13), às 17h30, uma manifestação em frente à Prefeitura. A ideia é questionar a data, além de cobrar por políticas públicas.

“O intuito da manifestação feita nesta data da ‘Falsa Abolição da Escravatura’ é mostrar para a sociedade civil que vivemos sob influência de um racismo estrutural, onde, na história, o negro ‘liberto’ foi empurrado pra margem da sociedade, obrigado a ocupar morros e lugares distantes dos grandes centros”, afirma Fábio Alves Santos, uma das lideranças do Movimento Jundiapeba por Moradia, que representa os moradores do Distrito que estão na área sob concessão da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP).

Por lá, moram hoje cerca de 900 famílias. Na manifestação, estarão também moradores da ocupação da Vila São Francisco, além de representantes do Oropó e do Jardim Planalto.

De acordo com uma pesquisa divulgada ao final do ano passado – realizada pelo Instituto Locomotiva, em parceria com o Data Favela e a Central Única das Favelas (Cufa) – a população negra representa 67% dos moradores de favelas. Fábio ressalta que esse dado é importante para mostrar o quanto os negros ainda sofrem com as consequências da escravidão.

“Nós gostaríamos de sensibilizar a Administração Municipal e a população em geral para que eles entendam que estas famílias sofrem os impactos da desigualdade por gerações e que não se pode criminalizar a pobreza. O Estado tem o dever de acolhê-los pois se faz necessário uma reparação histórica. As famílias das ocupações sofrem com a incerteza do amanhã, não sabemos se teremos um teto pra morar e não temos nenhuma proposta desta administração que amenize ou resolva esta situação. Por isso, estaremos lá pra lembrar a todos, de forma pacifica, que existimos e resistimos”, diz o líder do movimento.

A história de vida de Fábio, que tem 39 anos, é um exemplo da importância de uma moradia. Morando há 12 anos na área de Jundiapeba, ele conseguiu concluir o Ensino Médio e Ensino Superior em Marketing. Agora, está no terceiro semestre da segunda graduação, a de Serviço Social.

“Sem esse teto isso não seria possível ou seria, no mínimo, muito mais difícil. A moradia impacta no desenvolvimento social em um contexto geral. Se você tem uma casa, você já assume outras condições e oportunidades. Não ter despesas com o aluguel também foi fundamental para que eu conseguisse. Agora, quero mostrar a minha gratidão, devolvendo isso com um trabalho voltado às famílias vulneráveis”, conclui.

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