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PEDÁGIO NÃO

Mogi segue dividida por cancelas, e a perimetral, em Braz Cubas, pode ter 7 viadutos

Plano do Estado para incluir avenidas municipais na concessão litorânea desconsidera a segregação que a linha do trem impõe à cidade

Eliane JoséPublicado em 06/06/2021 às 07:10Atualizado há 9 dias
Eisner Soares
Eisner Soares

As notícias sobre a construção de sete viadutos na chamada Rota do Sol, entre as rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Dutra, alvo de uma disputa judicial e política, trouxeram à baila a lembrança de uma outra demanda não atendida pelo Governo do Estado, que explora o transporte ferroviário: a eliminação da passagens de nível nas cinco estações de trem de Mogi das Cruzes. De São Paulo até aqui, as cancelas foram eliminadas ao longo dos últimos tempos, com a remodelação e modernização de todos os terminais ferroviários - algo que está longe de ser realizado na cidade, pelo que se saiba.

A tentativa de se impor uma nova divisão na cidade, com a construção de uma via rápida, que será entregue à concessão das estradas litorâneas, ocorre sem que a segregação da linha férrea tenha prazo para ser liquidada.

Mogi das Cruzes para para ver o trem passar, a cada três, quatro minutos, em média, em tempos normais e nos horários de pico, desde Jundiapeba e Braz Cubas, passando pelas cancelas das avenidas Valentina Mello Freire Boresntein, no acesso à Vila São Francisco, e Cavaleiro Nami Jafet, na Vila Industrial. A partir desse ponto, houve a supressão de duas passagens de nível, com a execução do Complexo Viário Jornalista Tirreno Sa San Biagio, nas ruas Cabo Diogo Oliver e Dr. Deodato Wertheimer - mas, nesse ponto, ainda ficou um pecadilho: pedestres ainda não contam com uma boa estrutura para passar por ali.

Mogi reage ao plano do Governo do Estado de instalar um pedágio na Mogi-Dutra e um outro, na Mogi-Bertioga. 

Após a derradeira Estação Estudantes, a antiga cancela é acionada para o tráfego de trens de carga em frente ao shopping, em César de Souza e Sabaúna.

Sobretudo a partir dos anos 1990, a cidade começou a reivindicar, de modo mais objetivo, solução para o atraso social e econômico que a passagem dos trens acaba por provocar no dia a dia das pessoas e no escoamento da produção agrícola e industrial.

Foi construída a primeira passagem subterrânea, entre o Shangai e Mogilar, e mais recententemente, a segunda, na região central. 

E só. A busca pelos viadutos da Vila Industrial e de Jundiapeba é verdadeiro espinho no desenvolvimento urbano do Município, com lances como o lançamento de um edital para a concorrência pública, em setembro de 1990, por meio do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), suspenso posteriormente, sem ter sido retomado deste ponto em diante.

O que se teve após isso foi a conquista dos projetos executivos, com a colaboração da Prefeitura. O x dessa questão é que passou tanto tempo que a mecânica da cidade mudou: seriam esses pontos a prioridade hoje, ou a região do Nova Mogilar, para sustentar o crescimento de corredores urbanos e do trânsito carregado?

Além destas passagens de nível, há de se lembrar as de César de Souza e de Sabaúna, vetores do crescimento futuro do município.

Sem sanar esse passivo da mobilidade, a ideia de se construir 7 viadutos, um por quilômetro, na via perimetral, soa como afirma o secretário municipal de Planejamento, Claudio de Faria Rodrigues, como algo bizarro e impróprio para este momento.

Condições climáticas  e econômicas, e o comportamento das pessoas miram meios de transporte individuais (bicicleta) ou coletivos (trem, ônibus) para preservar a saúde do indivíduo e das cidades. Mas, isso, parece ser desconsiderado pelos planejadores do Governo do Estado. “As cidades são mais compactas, com menos trânsito e locomoção”, assegura Rodrigues.

De seu lado, a Artesp. a Agência dos Transportes do Estado de São Paulo, defende as intervenções, em nome dos investimentos que serão feitos nos dispositivos viários, e promete que a cobrança do pedágio nas duas rodovias será fracionado, e com descontos ao usuário frequente.

O que o Estado quer

Mogi na concessão de estradas do litoral

O projeto de concessão das rodovias litorâneas prevê a instalação de pedágio na rodovia Mogi-Dutra, pouco depois da praça de cobrança da rodovia Ayrton Senna. Mogi lançou, desde 2019, o Movimento Pedágio Não, que ganhou apoio da Prefeitura de Mogi e de outras cidades do Alto Tietê (veja os pontos que a cidade defende aqui). 

Engenharia constrói uma armadilha

A concepção de uma via expressa no distrito de Braz Cubas, com a criação de um atalho para a viagem até o litoral, é oposta ao futuro planejado para Mogi das Cruzes, com foco na relação entre o cidadão e o mobiliário urbano e viário. Essa é a posição do mogiano e arquiteto Claudio de Faria Rodrigues, responsável novamente pela Secretaria Municipal de Planejamento, contra a subtração de uma parte de Mogi para viabilizar a concessão do litoral.

Rodrigues trabalha há 20 anos na Prefeitura. Para ele, a cidade não deve permitir a construção do que vai segregar moradores e dividir a cidade em duas partes, numa região qualificada com serviços públicos e negócios, a partir da construção da via perimetral.

Esse trecho possui 25 equipamentos públicos (18 na Educação, 4 de Saúde), que passarão a depender do trânsito para garantir o acesso da população. Está ali ao lado, praticamente, o complexo hospitalar criado pelo Hospital de Braz Cubas, e outros elementos, como o Largo da Feira, o Sesi e o comércio em expansão.

“Essa fria engenharia buscou atender a viabilidade financeira e econômica (da concessão), sem levar em consideração o isolamento que a via expressa e os viadutos propõem. A engenharia moderna serve as pessoas, incentiva o ciclismo, cria conexões estratégicas para uma cidade mais centralizada, com espaços verdes e sustentáveis, não o contrário disso”, reforça. Outro fator negativo é a degradação no entorno dos viadutos.

Rodrigues vê na reação da sociedade e do governo municipal o impeditivo para esse estudo vingar. “São intervenções de peso, com impacto no sistema viário, na vida de milhares de pessoas e de empresas, e que dependem da colaboração e de autorização da Prefeitura. Não há como endossar o que mais parece uma armadilha, passa-moleque a Mogi, como se a cidade fosse ingênua, e não soubesse que esse projeto é bizarro, é uma armadida feita por uma engenharia financeira e de exploração (ao município)”.

Um balde de água fria, com a partilha da cidade, seria jogado na projeção para o desenvolvimento na região da avenida das Orquídeas, entre Braz Cubas e Jundiapeba, com a modernização, inclusive, do acesso ao transporte ferroviário. “O que a cidade espera é a melhoria da Estação de Braz Cubas, e havia a ideia de nova localização. Isso seria deixado para trás”, lamenta. 

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