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PROPOSTA

Mogi rejeita contrapartida do Estado em troca do pedágio

Vice-governador Rodrigo Garcia teria proposto algum tipo de compensação para que a cidade aceitasse a praça de cobrança na Mogi-Dutra; Mogi recusou.

Darwin ValentePublicado em 20/07/2021 às 11:12Atualizado há 9 dias
Mogi não aceitará qualquer tipo de compensação para paralisar a luta contra o pedágio / Einser Soares
Mogi não aceitará qualquer tipo de compensação para paralisar a luta contra o pedágio / Einser Soares

Mogi das Cruzes acaba de rejeitar uma proposta de alguma contrapartida do governo do Estado em troca da instalação do pedágio nos dois sentidos da ligação rodoviária Mogi-Via Dutra.

Assista! Darwin comenta recusa

A proposta foi feita pelo vice-governador do Estado, Rodrigo Garcia (PSDB), durante um encontro com o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), em São Paulo. Após conversar com o prefeito Caio Cunha (PODE), em Mogi, ficou acertado que Mogi não irá aceitar qualquer tipo de compensação para paralisar a luta contra a implantação da praça de cobrança na principal via de acesso à cidade.

Durante um almoço, no final do mês passado, em São Paulo, Bertaiolli disse que reportou ao vice Garcia “a dificuldade de se concordar com um pedágio sem lógica, como esse que o governo estadual quer implantar na Mogi-Dutra”.

Bertaiolli argumentou com Garcia que um pedágio só é colocado em uma rodovia quando ela precisa receber obras e necessita arrecadar recursos para custeá-las. Ou então precisa implantar serviços para atendimento aos motoristas.

“No caso dos oito quilômetros da Mogi-Dutra, onde o governo quer colocar esse pedágio, nenhuma dessas questões se justifica. As obras, inclusive de duplicação, já foram feitas; e quanto aos serviços, eles existem por conta até mesmo da Prefeitura de Mogi, cuja estrutura do Samu e do Corpo de Bombeiros da cidade é utilizada para atender casos de acidente no trecho da Mogi-Dutra próximo da cidade. Além disso, os guinchos da Prefeitura e particulares também ajudam a fazer o serviço necessário na estrada”, diz o deputado.

Para Bertaiolli, o que o governo quer é privatizar e duplicar a rodovia Padre Manoel da Nóbrega, que liga o Vale do Ribeira à região de Santos, passando por Itanhaém e Peruíbe, assim como solucionar os problemas da Rio-Santos, entre Santos e Bertioga. “Mas para que as duplicações possam ser feitas, o governo precisa buscar o equilíbrio financeiro e esse pedágio que querem empurrar para a Mogi –Dutra deverá garantir 35% dos recursos para estas obras. Ou seja, o Estado quer realizar grandes obras viárias no litoral da Baixada Santista e quer implantar um caça-níquel em Mogi das Cruzes. Uma aberração tamanha, que não tenho como explicar. Não há outra justificativa a não ser o financiamento de todas as obras na Baixada”, diz o deputado

Foi então que a conversa passou a girar em torno de uma compensação que o Estado poderia oferecer a Mogi para que o pedágio seja instalado.

“Mas eu acertei com o prefeito Caio Cunha que não aceitaremos nenhuma contrapartida ou compensação. Nós não aceitamos é o pedágio que será mais uma forma de segregar Mogi”, diz o deputado, que cita como exemplo o suposto caso de um morador da região do Itapeti, em Mogi, que terá de pagar pedágio para trazer alguém de sua família para ser atendido na Santa Casa ou em alguma outra unidade de saúde da cidade.

“Esse pedágio é uma grande injustiça social com a cidade de Mogi das Cruzes. E eu pedi ao vice-governador que revisse o projeto. Ele me prometeu uma avaliação para buscar junto à Artesp um novo fator de equilíbrio econômico para a obra”, disse Bertaiolli.

O deputado, no entanto, não terá motivos para acreditar em uma possível mudança a partir da promessa do vice-governador, caso se recorde, por exemplo, de que Garcia já não cumpriu outra promessa de uma discussão prévia com ele sobre o projeto de concessão, antes da abertura da licitação. A licitação para a concessão está aberta, com uma praça de pedágio na Mogi-Dutra e outra na Mogi-Bertioga e, até agora, o deputado ainda espera pelo chamado que foi literalmente esquecido pelo representante do governo.

“Não vamos aceitar contrapartida nenhuma e vamos trabalhar com todas as forças contra esse pedágio, tanto no plano político quanto no jurídico”, afirma Bertaiolli, referindo-se às ações movidas pela Prefeitura para tentar suspender a licitação na Justiça, ou barrar seu andamento junto ao Tribunal de Contas do Estado.

A propósito, Bertaiolli, Caio e representantes jurídicos da Prefeitura de Mogi  estiveram conversando pessoalmente com o conselheiro Renato Martins Costa, do TCE, responsável por analisar a licitação da concessão. E após ouvir os argumentos dos mogianos, Costa enviou um novo pedido de informações para a Artesp relativos a aspectos específicos da licitação em relação a Mogi das Cruzes.

E enquanto apostam em desdobramentos favoráveis a Mogi nesta questão, Bertaiolli, Caio e outros integrantes do movimento garantem resistência a essa “injustiça social” que o Estado quer cometer contra Mogi.” Uma coisa é certa. Não vamos aceitar esse pedágio em Mogi”, garante Marco Bertaiolli.

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