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PADROEIRA DE MOGI

Mogi prepara o tombamento de imagem de Santana como patrimônio histórico

Comphap inicia estudos para ampliar a proteção de peça sacra centenária; feita em barro, "Santana" chegou à cidade no século XVIII, segundo estudos

Eliane José
24/07/2022 às 09:34.
Atualizado em 24/07/2022 às 09:56

Tombamento da imagem de Santana como patrimônio histórico poderá ser caminho para captar recursos para a restauração da peça centenária (Arquivo O Diário)

Uma das mais antigas imagens da padroeira de Mogi das Cruzes que batizou, durante certo período da história, o pequeno povoado como Vila de Sant'Anna de Mogi Mirim, está no centro de estudos que poderão determinar o inicio do tombamento histórico da peça de barro, que apresenta trincas, e pode ser admirada e cultuada pelos devotos no baldaquino da Catedral de Santana.

A fé e a devoção a Santana, conhecida por ser avó de Jesus e mulher de São Joaquim, e protetora dos tropeiros, são registradas na história mogiana desde o surgimento do povoamento quando as primeiras famílias de descendência portuguesa  costumavam manter a imagem da santa de louvor em pequenos nichos ou capelas, em frente às moradias, como lembra o historiador Glauco Ricciele, diretor de Patrimônio e Arquivo Histórico da Secretaria Municipal de Cultura.

Ricciele lembra que Gaspar Vaz, considerado como um dos principais personagens que influenciaram a fundação da cidade, era devoto de Santana que será celebrada nesta terça-feira, 26, com mais um feriado municipal.

A imagem de Santana em destaque entre os santos expostos na Catedral da Diocese de Mogi das Cruzes, que responde pela Igreja Católica nas cidades do Alto Tietê, não é a primeira que recebeu a atenção dos mogianos. Essa peça sacra teria chegado ao município por volta de 1750, quando houve a primeira grande reforma na igreja, que foi ampliada e ganhou uma torre na fachada esquerda. Antes, no entanto, havia uma outra, cujo destino ainda provoca muita curiosidade e especulações.

Segundo o historiador, a sugestão para o tombamento do obra como patrimônio histórico já foi levada ao bispo diocesano de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini. Ao ser considerada como um patrimônio histórico municipal, a meta do Comphap (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Paisagístico) é dar o próximo passo, o tombamento como patrimônio nacional junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional).

Caso isso ocorra, a peça sacra passa a fazer parte do inventário nacional de bens protegidos por sua relevância histórica e, segundo Ricciele, isso poderá dar força e relevância a editais para a obtenção de recursos financeiros que visem a restauração e preservação.

Com seus mais de 270 anos de idade e fraturas acumuladas pela passagem das décadas e algumas, digamos estripúlias - como a saída durante uma procissão, em 2012, um fato que revoltou os defensores do patrimônio histórico e pode ter acelerado o aparecimento de trincas na peça -, a imagem requer cuidados específicos para a manutenção.

Ricciele, um dos críticos da participação da imagem em procissão pelas ruas de Mogi, afirma que possui fotografias que mostram o avanço das fissuras, e  lamenta a falta de um inventário mais técnico sobre as condições dessa relíquia histórica mogiana, que passa por transformações ao longo do tempo. Agora, por exemplo, segundo o diretor do Patrimônio, ela não está com esplendor original.

Outra mudança sentida foi mudança na altura do trono onde a peça está sentada, o que ocorreu entre 1920 e 2930, segundo o pesquisador.

O tombamento dessa imagem como patrimônio histórico municipal poderá abrir precedente para outros processos semelhantes, com peças antigas e de interesse para preservação, como a de São Benedito, do Santuário Bom Jesus. 

Esses procedimentos, no entanto, ainda estão em fase de estudos e laudos técnicos que poderão acrescentar informações às já conhecidas.

Acredita-se que a imagem tenha sido feita por artesãos paulistas, pelo fato de a imagem ser de barro, e não de madeira, como as encontradas em igrejas centenárias mineiras.

A imagem de Santana, que já esteve no altar principal da Catedral, está instalada em um baldaquino e pode ser apreciada em uma visita ao principal santuário da Diocese do Alto Tietê que fica aberto diariamente. 

Para ver

A Festa de Santana prossegue até terça-feira, feriado municipal, com uma agenda de missas, quermesse e procissão. 

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