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PERDA

Mogi perde Malena Signorini, vítima de infarto, aos 77 anos

Professora comandou agência de viagens que levou vários mogianos à Disney, nos EUA

Carla Olivo
21/12/2021 às 17:04.
Atualizado em 21/12/2021 às 17:56

Malena Signorini morre aos 77 anos, vítima de infarto (Arquivo)

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PERDA

Mogi perde Malena Signorini, vítima de infarto, aos 77 anos

Professora comandou agência de viagens que levou vários mogianos à Disney, nos EUA

Carla Olivo
21/12/2021 às 17:04.
Atualizado em 21/12/2021 às 17:56

Malena Signorini morre aos 77 anos, vítima de infarto (Arquivo)

Mogi das Cruzes perdeu, no último final de semana, Maria Helena Signorini Barreiros, conhecida como Malena, 77 anos, vítima de infarto. Ela era viúva do cirurgião plástico e jornalista Celso Barreiros, falecido há seis anos, com quem comandou durante várias décadas a agência de viagens CabTur, que levou centenas de jovens, principalmente de Mogi das Cruzes, aos parques da Disney, em Orlando, nos Estados Unidos.

Nascida na Capital Paulista, Malena, que morreu neste domingo (19), chegou a Mogi das Cruzes aos 4 anos e se considerava ‘mogiana de coração’.

Admiradora das artes, música e do patrimônio histórico da cidade, ela era filha de Orlando Signorini, um dos fundadores da Associação Mogiana de Belas Artes (Amba), do Clube Filatélico de Mogi e do Teatro Experimental Mogiano (TEM), e de Rosa Mignoli Signorini, ela passou a infância entre as ruas Coronel Souza Franco, onde a família morava, e Senador Dantas, local da casa dos avós José e Marieta Dulccetti Mignoli, além da chácara da família, na antiga Estância dos Reis - hoje Vila Oliveira.

Malena iniciou os estudos no Instituto Dona Placidina, concluiu o ginásio no Liceu Braz Cubas, onde também se formou no Magistério e desfilava à frente da fanfarra que marcou época disputando campeonatos inclusive na Capital.

Posteriormente, fez o curso de Decoração de Interiores, promovido pela Casa e Jardim. Casou-se com o cirurgião plástico e jornalista Celso Barreiros, já falecido, e com ele comandou a agência de viagens CabTur, que levou centenas de jovens aos parques da Disney, em Orlando, nos Estados Unidos.

Na entrevista a O Diário, publicada na série Entrevista de Domingo no dia 1 de setembro de 2019, Malena relembra histórias aqui vividas e destaca o que Mogi das Cruzes tem de melhor. Confira a íntegra:

O que Mogi das Cruzes tem de melhor?

Nasci em São Paulo, morei na avenida Paulista, mas meus pais vieram para Mogi das Cruzes quando eu tinha 4 anos, então sou mogiana de coração. Aqui passei a infância e juventude, fui criada, estudei, me casei, fiz amigos e vivo até hoje. Morei por duas vezes em São Paulo, mas a ligação com Mogi sempre falou mais alto. A cidade tem coisas muito boas, como o Mercado Municipal, onde é uma delícia andar, encontrar as pessoas e comprar o que não se tem nos supermercados, como os doces cristalizados caseiros, por exemplo. A Serra do Itapeti é outro ponto que caracteriza Mogi, com toda sua beleza natural que chama atenção. Tem os parques, bastante frequentados por famílias, que levam suas crianças e idosos para passear lá. No comércio, ainda há lojas em que os donos ou vendedores conhecem os gostos dos clientes e os chamam pelo nome. E o Shopping, com as apresentações de piano, como as do Diego Novais, que valem muito a pena e para onde já levei muita gente. Também admiro o patrimônio histórico da cidade, mas isso me preocupa.

Por quê?

É preciso mais atenção, porque foi uma pena Mogi perder, por exemplo, os casarões da avenida (Voluntário Fernando Pinheiro Franco), que eram como os da avenida Paulista, em São Paulo, com seus vitrais franceses. Além disso, já perdeu muitas casas antigas no centro que faziam parte da história da cidade e outras foram reformadas em vez de serem restauradas para manter as características originais. É preciso preservar o passado para garantir o futuro. Outra preocupação é com o centro da cidade, que precisava ser fechado para os veículos e receber apenas os pedestres, como acontece em algumas cidades históricas. Aquelas ruas foram abertas para a passagem de carroças, na época em que as pessoas vinham fazer compras a cavalo e deixavam os animais amarrados na frente do Mercadão. Não tem como manter este volume de carro passando por lá. É preciso transformar estas ruas estreitas do centro em calçadões.

Qual a avaliação sobre o crescimento da cidade nos últimos anos?

O desenvolvimento da cidade facilitou muito a vida de quem morava em São Paulo e buscava um lugar ainda com tranquilidade e qualidade para os filhos estudarem ou mesmo para viver. Por outro lado, o progresso distanciou as pessoas e quando saímos na rua não conhecemos mais todo mundo, como antigamente. Apesar de que ainda é possível encontrar vários conhecidos, parar para conversar e relembrar o que já vivemos na cidade.

Como foi a infância aqui?

Primeiramente moramos na rua Coronel Souza Franco. A casa do meu avô, José Mignoli, que fundou a cidade de Estrela D’ Oeste, e da minha avó, Marieta Dulccetti Mignoli, que morreu aos 101 anos, lúcida, sem precisar usar óculos, costurando e lendo jornais todos os dias, ficava na rua Senador Dantas. Passei a infância nesta região e sabia quem morava em cada casa destas ruas, porque todo mundo se conhecia e tinha amizade. Minha avó era forte, foi criada com banha e carne de porco, nunca precisou ir ao médico, teve os filhos em casa, não tinha varizes, a pressão estava sempre 12 por oito e era muito alto astral. Fazia pão de torresmo, creme de laranja e outras delícias para servir aos filhos e netos numa mesa enorme, rodeada por 20 cadeiras e parecendo a santa ceia de tanta coisa para se comer. Meu avô tinha espírito de bandeirante e era comprador de terras da Votorantim, do Antônio Ermírio de Moraes. Ele comprava glebas de terra e tinha que ir atrás de todos os herdeiros em cima de burros e cavalos. Era amigo do geneticista Crodowaldo Pavan, do Granado, do Américo Rodrigues, dono do Bazar Urupema, ao lado do Cine Urupema, da casa de eletrodomésticos A Triunfante e do Café Michel. Meu avô foi um dos primeiros a ter carro em Mogi e nos levava para o corso no Carnaval. Aliás, foi na casa dele que nasceu o bloco X, que saía nas ruas da cidade.

Ficaram mais recordações desta época?

Sou de família italiana, tive bisavós até os 12 anos de idade e lembro que nas festas na chácara da família, na rua Ouro Preto, na Vila Oliveira, que era Estância dos Reis, havia muita comida, vinho e animação. Antes, o local era conhecido como chácara dos Castelões, que meu avô arrendou, e onde havia vários tipos de frutas, lago, ponte e muito verde para brincar. Aquela era uma região afastada do centro da cidade, só havia mato e não tinha energia elétrica. O comércio mais próximo era um boteco, na Cruzeiro do Sul. Juntar 50 a 60 pessoas lá era fácil. Depois, quando me casei, fui uma das primeiras a construir na Vila Oliveira na área que tinha a chácara aos fundos. Ainda não havia asfalto e energia elétrica por lá. Era um breu.

A casa dos seus pais era ponto de encontro da juventude?

Na época, morávamos na Rua Manuel Pimenta de Abreu e lá os amigos se reuniam antes de ir para os bailes, cinemas e festas. Minha mãe adorava e preparava sempre algo para a turma comer. Foi lá que surgiu o grupo Maxuxéia, que se unia para arrecadar dinheiro e ajudar a Santa Casa e Mãe Pobre. Tudo começou porque haveria um baile das bruxas e minha irmã, Madalena, pediu para minha mãe fazer a sua fantasia e de mais algumas amigas. Não demorou muito e este grupo passou para 140 pessoas. Fizeram parte casais como Therezinha e Raul Rodrigues, Eduardo e Silvia Arouche, Mariluci e Marcos Schwartzmann, entre outros. Uma vez, dentro de casa, a turma se juntou para fazer um caixão para o Carlos Clery, que estava vestido de vampiro para uma festa. Adorávamos ir aos cinemas e havia um ritual. Aos sábados, era o Avenida e aos domingos o Urupema. Era comum ver um bando de jovens andando a pé pela avenida (Voluntário Fernando Pinheiro Franco) para as sessões de cinema ou bailes, como os do Itapeti, que frequentei pouco porque quando tive idade para entrar lá, logo fechou.

Onde a senhora estudou?

Fiz o primário no Placidina (Instituto Dona Placidina), onde a disciplina era rigorosa e havia salas separadas para os meninos e meninas. Nas festas juninas, meu par era o Luiz Guilherme Ornellas. Tenho boas lembranças de lá, tanto que, quando adulta, queria me casar na capela do colégio, mas como o casamento teve 1,2 mil convidados não haveria espaço. Depois, estudei o ginásio e o Magistério no Liceu Braz Cubas, onde desfilava na frente da fanfarra da  escola, ao lado da Vera Silvia Boucault, principalmente no aniversário da cidade, em 1º de setembro. Neste dia, a apresentação reunia muitas famílias da cidade, que iam para a avenida ver as fanfarras. Também participávamos de competições e a disputa era acirrada com o grupo do Ginásio do Estado (hoje escola estadual Dr. Washington Luís). O vencedor comemorava na fonte luminosa do largo do Rosário. Mais tarde, fiz o curso de Decoração de Interiores, que era dado em Mogi pela Casa e Jardim, já que gosto muito desta área e não vivo sem quadros, fotos, livros e música, desde clássica ao sertanejo, por perto. Neste ponto sou bem parecida com meu pai, que foi um dos fundadores da Amba (Associação Mogiana de Belas Artes e do TEM (Teatro Experimental Mogiano).

Como a senhora conheceu o marido?

Nossas mães eram amigas de infância, de irem juntas aos bailes da Portuguesa. Depois se casaram, foram morar em São Paulo, tiveram os filhos e voltaram a morar em Mogi com eles ainda pequenos. Quando eu estava no Liceu Braz Cubas e comecei a ir mal em Matemática, o Celso, que também estudava lá e ia muito bem nessa disciplina, se ofereceu para me dar aulas. Eu estava com 12 anos e ele namorava uma menina que eu havia apresentado a ele. Depois, quando eu tinha 14 e ele com 17 anos, começamos a namorar, na época em que ele estava terminando o curso científico e ajudava na organização de eventos a fim de arrecadar fundos para a formatura.

A senhora acompanhou a carreira dele como jornalista?

Ele não tinha noção de sua voz até o dia em que o Arrelia veio a Mogi e o Walter Monteiro de Castro, dono do Kazis Auto Propaganda, que percorria as ruas de Mogi divulgando lojas, serviços e eventos, deu o microfone nas mãos dele. Foi aí que o Celso descobriu a vocação e passou pela TV Cultura, Tupi, Record e colocou a Globo no ar, que antes se chamava TV Paulista. Depois fez a Faculdade de Medicina em Mogi, se formou em primeiro lugar, e se especializou em cirurgia plástica. Atendeu vários pacientes lábio leporinos e com queimaduras graves sem ganhar um tostão, por amor mesmo. 

Vocês tiveram uma agência de turismo na cidade. Como foi esta experiência?

Eu e o Celso íamos muito à Disney, principalmente na época em que 1 cruzeiro equivalia a 1 dólar e ficava mais caro viajar dentro do Brasil do que para lá. Íamos três vezes por ano para Orlando, fomos à inauguração da Disney, quando ainda não havia hotéis, apenas motéis com plantações de laranja nos fundos; e também do Epcot, que estava superlotado. Amigos como o Fran Carvalho e o Percival Urizzi viajaram conosco e muitos pediam para que levássemos seus filhos. Foi aí que surgiu a Cabtur, que funcionou por 10 anos e levou mais de 800 jovens para lá. Por conta do contato com estes jovens e seus pais e das amizades que fizemos ao longo da vida, eu e o Celso fomos padrinhos de casamento 39 vezes e temos mais de 10 afilhados de batismo.

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