Com a pandemia, cerca de 1,2 mil estabelecimentos comerciais fecharam em Mogi das Cruzes, segundo o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio). E ao que tudo indica, enquanto o novo coronavírus circular, esse número vai continuar a crescer. Nesta semana, mais um empreendimento anuncia que está baixando as portas na cidade: o restaurante Bottega 3, na rua Coronel Souza Franco, no Parque Monte Líbano.

De acordo com o comunicado oficial, publicado no Facebook, “após cinco anos de atividades” o espaço “não resistiu aos danos causados pelo período de pandemia e encerrou suas atividades no último dia 28 de dezembro”. A nota, além de trazer agradecimentos, também informa que “o restaurante, bem como seu ponto comercial, está a venda”. 

Proprietário da casa e também de outras cinco empresas, incluindo escolas particulares em Mogi das Cruzes e Guararema, Pablo Monteiro comenta a decisão, tomada com base em análise de resultados.

Quando fechou, em março, o Bottega 3 tentou, segundo ele, “todas as possibilidades” para manter o faturamento e equilibrar as despesas. “Tentamos vendas online, reformulação de cardápios, reajuste de preço… Só que, principalmente nesse último trimestre, a matéria-prima começou a subir muito, chegando a dobrar de preço”, começa a explicar Pablo, sobre o encerramento das atividades, algo que não queria fazer, mas que considera como a opção “mais acertada” neste momento.

Nem o delivery foi suficiente para manter o Bottega 3 vivo por mais tempo. A modalidade “cresceu logo no início da pandemia”, segundo o proprietário, que aponta aumento de “mais de 800% entre abril e junho”. Porém, tão logo foi permitida a reabertura do salão, os pedidos voltaram ao normal, e o movimento presencial “não compensou a diferença”. 

Fechar as portas, continua o empresário, significa “saber a hora de parar”, enquanto ainda é possível “honrar com os compromissos”. Entre as obrigações do restaurante estão as rescisões de oito funcionários que estavam registrados, além de valores em aberto com fornecedores.

O sentimento que fica, para Pablo, “é, claro, o de tristeza”, principalmente porque lá eram gerados dezenas de empregos diretos e indiretos. O caso é parecido com o do Buxixo Bar, que após 19 anos de história decidiu, em dezembro último, encerrar as atividades e passar o ponto do número 1.708, na avenida Capitão Manoel Rudge.

Na pandemia, também foram fechados estabelecimentos tradicionais de Mogi, como a Cantina Lunarossa, a padaria IV Centenário e o bar e bilhar Bola 7.

Análise

Também proprietário de duas escolas particulares, Pablo Monteiro, que é formado em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo (USP), diz que a educação infantil “acabou”, mas que há certo controle sobre os ensinos fundamental e médio. Já no superior, técnico e de graduação, a situação é crítica: “A inadimplência bateu recorde”, diz.

A diferença dos restaurantes para as escolas está, na visão do empresário, nos hábitos. “Com a maior  concentração em casa, as pessoas passaram a produzir seu próprio alimento, e a pegar gosto por isso”, acredita ele, que viu a concorrência crescer, sobretudo com mais  apostas nesta área como uma nova fonte de renda.

“É triste entrar em um restaurante e ver tão pouco movimento. O maior medo das pessoas é que a pandemia não acabe”, afirma, para na sequência criticar os “dessaranjos do Governo”, no sentido de “não ser firme o suficiente para criar um plano de vacinação’, o que “reflete na sociedade”.