A questão é polêmica. O Governo do São Paulo bate o pé e não derruba o decreto que veta atividades religiosas coletivas presenciais durante a atual fase emergencial de combate à Covid-19. Por isso, missas e cultos seguem sendo realizados em Mogi das Cruzes, assim como foi durante o fim de semana, após a autorização dada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes.

A determinação da Diocese local  - que realizou celebração de Páscoa na Catedral de Santana - é que podem ser realizadas missas e celebrações presenciais, desde que respeitando o limite de 25% de ocupação dos espaços e que sejam mantidas práticas de distanciamento social e uso de máscara e álcool gel. 

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“Sobre a participação dos fiéis católicos nas igrejas”, o bispo dom Pedro Luiz Stringhini emitiu, nesta segunda-feira (5), um comunicado. “As igrejas, em toda a Diocese, devem permanecer sempre abertas para a visitação e oração individual dos fiéis”, determina ele, para continuar com mais recomendações.

“É bom que as igrejas permaneçam abertas durante as celebrações litúrgicas, com número muito reduzido de pessoas, seguindo sempre as normas sanitárias estabelecidas para evitar aglomeração e propagação do vírus; o número de missas não deve ser reduzido nem limitado àquelas que são transmitidas. Pelo contrário, se necessário, que se aumente o número de missas para favorecer que mais pessoas participem”, traz o texto.

Situação semelhante vivem os evangélicos, que puderam voltar a receber fiéis presencialmente, o que aconteceu em alguns templos, mas não em todos. Segundo o presidente do Conselho de Pastores e Obreiros de Mogi das Cruzes (Copomc),  José Miraídes Penha, que defende a realização de cultos virtuais, é preciso “ter paciência” para alcançar o “equilíbrio”.

“É preciso ter bom senso. A gente gostaria de voltar, mas tem ainda muita gente morrendo, muita contaminação. As pessoas que vão pra igreja acabam levando vírus e acabam atingindo pessoas de alto risco. Então sempre penso na moderação. Queremos a igreja aberta, mas é preciso ter consciência”, diz ele, que espera, para esta quarta-feira (7), a queda da determinação de abertura das igrejas.

Miraídes, porém, entende que, assim como para o comerciante, abrir as portas é importante aos religiosos. “Acho que poderia haver mais uma trégua, um acordo entre todas as partes. Não temos vacina ainda, e ela é a solução”.

Por enquanto, seria possível então continuar expressando a fé a distância? Para Miraídes, que acaba de perder um irmão para a Covid – José Maria Penha, 69 anos -sim. “Eu faço isso desde o começo da pandemia. E alguns pastores também baniram culto presencial”, analisa.

“Muitas igrejas cresceram assustadoramente, algumas dobraram em 100%”, continua o pastor, que atribui o número à “comodidade” de “assistir ao vivo e interagir” de casa, “sem risco de se contaminar”.

Para Miraídes, o templo “não são as quatro paredes ou as construções”, e sim as próprias pessoas. E para justificar o que diz, faz uma citação bíblica. “Deus não habita em templos feitos por mãos humanas (At 17,24)”.

Apesar de pensar assim, ele entende que há dificuldades relacionadas ao “lado econômico”. “O Brasil não é um país rico. Se você vai ficar em casa, tem dinheiro, reserva de capital, pode pedir comida pelo telefone, pode sobreviver. Mas e aqueles que estão com a geladeira vazia, não tem o que comer e não podem trabalhar? Ou morrem do vírus ou morrem de fome”, lamenta.