Maria de Jesus Siqueira, a dona Mariquinha, de 108 anos, foi vacinada na casa onde reside, no Jardim Oropó, por uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde, Ela integra o grupo de 3,4 mil pessoas com mais de 85 anos que receberam a primeira dose da Coronav até a sexta-feira na cidade

Natural de Monte Alto, na Bahia, a trabalhadora rural reside em Mogi das Cruzes desde a década de 1930. Primeiro, morou na Capela do Ribeirão. Dez anos depois, ao lado dos pais, Bibiano Gonçalves Pereira e de Eudóxia Maria de Jesus, dona Mariquinha foi trabalhar na Fazenda Abe, da família do ex-prefeito Junji Abe.

Com a família Abe, que chegou a ser considerada uma das maiores produtoras de verduras, no Brasil e mantinha vários funcionários, ela e familiares permaneceram durante 40 anos, segundo contou https://www.odiariodemogi.net.br/noticias/agora-com-108-anos-dona-mariquinha-contou-sua-hist%C3%B3ria-a-o-di%C3%A1rio-em-2018-1.10007 Ela é considerada como uma segunda mãe pelo ex-prefeito, que hoje possui 80 anos, e também aguarda a vez de tomar a vacina.

Baiana de Monte Alto, dona Mariquinha perdeu duas filhas, Teresa e Maria Aparecida, em novembro do ano passado, em um intervalo de uma semana. Elas não foram vítimas da Covid-19.

A centenária chora a morte das filhas quase todos os dias, como conta Andreia Maria dos Santos Darogo, casada com um dos netos da matriarca, e que passou a residir com a "joia" da família.

Em meio à pandemia, o inicio da imunização é recebido com alivio. "Nós ficamos um pouco mais tranquilos, mas não podemos receber visitas, mesmo depois da segunda dose, por causa da gravidade desta doença", comenta Andreia.

Desde o início da pandemia, as visitas foram suspensas para prevenir a contaminação.

Com ótima saúde, dona Mariquinha é uma das pessoas mais idosas da cidade. Em 2018, à jornalista Carla Olivo, de O Diário, deu a receita da longevidade: " Acho que não tem segredo. É por Deus. Sou muita religiosa, sempre tive oratório em casa e sou devota de vários santos, mas principalmente de Nossa Senhora Aparecida. Não tomo remédios, adoro comer arroz, feijão, carne e batata e não gosto de frutas, verduras e legumes. Sou corintiana da gema, por isso meu aniversário de 100 anos foi todo com a decoração do Corinthians. Para falar a verdade, não esperava chegar onde cheguei, mas há pouco tempo fiz exames e o médico disse que não tenho nenhuma doença e estou bem de saúde. Então, dou graças a Deus". 

Octogenário

Aos 80 anos, o ex-prefeito Junji Abe que foi "criado" por dona Mariquinha, espera tomar a vacina em março. Até lá, conta que mantém uma rotina em casa, com saídas apenas para a resolução de assuntos essenciais, e cuidados contra o coronavírus. 

Crítico da omissão do Ministério da Saúde no enfrentamento da pandemia, o ex-prefeito e ex-deputado, afirma que "nunca viu"  o País em uma situação tão "periclitante" e "lamentável" como a atual. Para ele, o interesse político colocado à frente dos interesses da nação, compõe o quadro que explica o atraso recebimento e distribuição das vacinas, e as dificuldades para gerir a pandemia. 

"Em julho do ano passado, São Paulo, o governador (João) Doria e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, já tinham feito os pedidos para a compra da vacina. O governo federal atrasou e o que nós vemos, independente de entrar no mérito sobre a disputa entre Doria e o presidente (Jair Bolsonaro), o que vemos são os interesses pela eleição à frente do que precisa ser feito para conter essa doença", comenta.

Para o político veterano, falta humildade a esses duas lideranças para deixar de lados os conflitos políticos e cuidar do que interessa: "as pessoas mais humildades, que são as que mais sofrem com essa pandemia".

Junji se lembra do periodo em que cumpriu dois mandatos no Câmara Federal (2011-2015 e 2018-2019), e conviveu com Jair Bolsonaro. "Ele já era um extremista, mas ficava na dele, não um extremista como agora, que ataca a imprensa, jornalistas, E digo mais: para mim, ele é um espertalhão, que sabe como fabricar situações para encobrir as deficiências que possui para exercer o cargo de presidente", analisa.

Saúde

Junji diz que espera tomar a vacina para retomar o que mais sente falta desde o ano passado: os contatos sociais, que foram interrompidos. Para cuidar da saúde mental, neste período, o político partilha que cumpre uma rotina de exercícios diários, boa alimentação e o acompanhamento pela televisão e internet do noticiário. 

Sobre dona Mariquinha, ele se emociona: "Gostaria muito de visitá-la porque ela foi uma segunda mãe, cuidou de mim, desde os 2 anos, quando a minha mãe teve a minha irmã mais nova, e morávamos na Fazenda Abe. Dona Mariquinha é um exemplo de vitalidade".