Ainda com mortes sendo registradas diariamente por conta do novo coronavírus e sem uma vacina em circulação, a pandemia forma um cenário de incertezas para os próximos anos. Por isso, a eleição que acontece neste domingo (dia 15) deve ser um ponto decisivo para os desdobramentos futuros nos municípios. Mesmo com esses fatores, algumas pautas básicas são lembradas pelos eleitores de Mogi das Cruzes quando perguntados sobre o que esperam do próximo prefeito.

Mobilidade urbana e as melhorias no trânsito são assuntos quase unânimes. Eles acreditam que o crescimento da cidade, que tem 445.842 habitantes segundo IBGE de 2019, deva acontecer de maneira organizada e que esses quesitos estejam precisando de melhorias. Na educação, a atenção deve ser voltada à recuperação do conteúdo que foi perdido durante os meses de isolamento social e aulas on-line.

“De maneira geral os cidadãos esperam dos próximos prefeitos capacidade de fazer melhor com recursos escassos”, diz o cientista político Bruno Silva. “É nesse sentido que a habilidade política, a necessidade de negociação junto aos demais entes federativos e a capacidade de austeridade fiscal local serão muito necessárias para atravessar esse momento de crise pós-pandemia ainda muito incerto”, completa.

Ele ressalta que a população é quem vivencia e pode cobrar as demandas relacionadas aos serviços públicos em todos os setores da cidade, como saúde, educação, infraestrutura, zeladoria, dentre outras áreas prioritárias. Confira o que alguns representantes de Mogi esperam do prefeito eleito:

Igualdade para todos

“Espero é que o próximo prefeito siga conduzindo Mogi num espiral de crescimento. Não podemos ignorar a melhora que a cidade teve nos mais variados segmentos, porque isso traz diversos benefícios para a população. Mas isso não pode parar. Temos educação e saúde de ponta, mas o poder público precisa continuar trabalhando para assegurar maior igualdade para todos e quem for eleito precisa se preocupar em fornecer o básico para toda a população. Acho que a Administração Municipal deve estabelecer uma maior sinergia com o empresariado, porque é ele quem gera renda e impostos para que a Prefeitura possa investir e fazer a cidade crescer.”   

Dirceu do Valle, presidente da OAB de Mogi das Cruzes

Pandemia impõe desafio

“Espero que o prefeito eleito seja comprometido com a qualidade de vida da população de todas as partes do município: desde a zona rural, passando pelo Centro e chegando à periferia. Na educação, por exemplo, estaremos vivendo os reflexos da pandemia no ano que vem e 2020 foi um ano que do ponto de vista educacional ‘não fechou’. Quem estiver no comando a partir de janeiro, vai precisar estar atento a isso porque os alunos não alcançaram aquilo que era planejado em termos de conhecimento. Isso deixou mais evidente a diferença do ensino para aqueles menos favorecidos economicamente. O responsável pela próxima gestão precisará encontrar formas de superar esta questão.”

Maria Geny Borges Ávila Horle, ex-secretária de Educação de Mogi

Visão do futuro

A minha vontade é que o prefeito eleito tenha uma visão mais futurista em relação à cidade no sentido de conseguir liberar o trânsito. As ruas, principalmente no Centro, estão muito limitadas. Hoje temos poucas ruas que vão em direção aos bairros e ao centro, o que deixa os motoristas sem opção. Não sei de que forma isso poderia acontecer, mas é extremamente necessário pensar em alternativas. Penso que Mogi precisava de locais onde a população se encontre, se comunique e se divirta. Hoje temos alguns parques, mas acho que ainda são poucos. Isso é fundamental para tornar a cidade mais humana. Temos um teatro e isso também é pouco.”

Marco Antônio Rodrigues Nahum, desembargador aposentado

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“A minha vontade é que a cultura, de maneira geral, receba mais atenção. Mogi está muito sem teatro e projetos culturais. O dinheiro municipal precisa ser investido em projetos de cultura da cidade e não apenas em grandes eventos. Acho também que falta uma estética na cidade e que precisa investir nessa organização do centro urbano, na questão de patrimônio histórico arquitetônico. A cidade está muito abandonada na em relação à limpeza e lixo. Também é preciso fazer uma gestão diferente no sentido de uma maior diversidade, com um olhar para a questão LGBT. Tem muita gente que precisa ser incluída no debate das políticas públicas da cidade. O prefeito eleito precisa ser comprometido com o Centro e as periferias.” 

Monica Arouca, professora

transporte de qualidade

“O próximo prefeito precisa se envolver mais com as questões da cidade e melhorar, principalmente, o transporte público. Nossa trânsito é um problema que, com certeza, seria minimizado com um transporte público mais eficiente. Outro assunto  é a destinação inteligente do lixo. Nós buscamos debater esse assunto, mas nunca temos uma resolução. Existem diversas maneiras de dar um destino final aos resíduos que não seja prejudicial ao meio ambiente. Além disso, quem for eleito precisa ser incisivo em relação ao pedágio na Mogi-Dutra, que não queremos que aconteça como vem sendo planejado pelo Governo do Estado.”

Nelson Bettoi Batalha Neto, arquitetoAnálise

Por Bruno Silva - Cientista Político

A figura do “não político” ou do gestor - ao invés do prefeito identificado como político profissional - é algo que já ganhou muita adesão nas eleições de 2016. Ficou expressa na vitória de figuras que tinham vindo do meio empresarial para a vida pública, como foi o caso de João Dória na prefeitura de São Paulo e Kalil em Belo Horizonte. Em 2020, novamente temos um processo eleitoral no qual o tema da gestão eficiente tem ganhado destaque nas campanhas eleitorais. Isso se deve ao fato de que a pandemia provocada pelo novo coronavírus trouxe impacto expressivo nas finanças públicas de praticamente todos os municípios brasileiros. Tanto é que nas campanhas eleitorais os temas relacionados à Administração Pública, dívida dos municípios e capacidade de investimentos tem encontrado espaço para defesas das medidas das atuais gestões, nos casos dos concorrentes à reeleição, e crítica por parte dos opositores. De maneira geral os cidadãos esperam dos próximos prefeitos capacidade de fazer melhor com recursos escassos. É nesse sentido que a habilidade política, a necessidade de negociação junto aos demais entes federativos e a capacidade de austeridade fiscal local serão muito necessárias para atravessar esse momento de crise pós-pandemia ainda muito incerto. A  população, é claro, sente na pele as dificuldades relacionadas aos serviços públicos e cobra, dos atuais postulantes, medidas eficientes para resolver os problemas da cidade, seja na saúde, na educação, na infraestrutura, zeladoria, dentre outras áreas prioritárias localmente. O problema é que sempre aparecem vendedores de sonho tentando mobilizar a ingenuidade de alguns para tentar simplificar problemas que são complexos. Portanto, é preciso ficar de olho e fazer uma escolha consciente. Olhar para os planos de governo, comparar propostas e refletir sobre a viabilidade de tirar medidas do papel e colocá-las em prática.”Com a palavra, o eleitor

Tiago Rodrigo do Prado Santos, 32 anos, comerciante 

Acho que Mogi está precisando de saúde, hospitais... Eu precisava fazer uma cirurgia e não conseguia marcar, demorou mais de três meses só para me chamarem e fazer a triagem. Eu espero que a saúde receba uma atenção maior. Eu também espero que a educação seja prioridade, pra molecada não ficar o dia todo na rua. 

Enézio Pedro da Silva Filho, 59 anos, comerciante 

Eu não quero votar este ano, estou decepcionado. A propaganda é a mesma de sempre: mais transporte, mais escolas, mais saúde e no fim das contas não fazem nada. Os políticos só procuram a gente quando precisam. As pessoas das regiões periféricas precisam de mais atenção, mas a gente consegue contando com político em época de eleição. 

Carlos Anderson Tormassy, 42 anos, fotógrafo 

Espero que o novo prefeito faça um governo bom para toda a cidade, não só para o centro. Os bairros mais afastados como Jardim Planalto, Oropó... toda essa região precisa de saneamento básico, asfalto. Ali precisa de bastante coisa. O centro é bem cuidado, mas os bairros são largados.  

Carlos Anderson Tormassy, 42 anos, fotógrafo 

Espero que o novo prefeito faça um governo bom para toda a cidade, não só para o centro. Os bairros mais afastados como Jardim Planalto, Oropó... toda essa região precisa de saneamento básico, asfalto. Ali precisa de bastante coisa. O centro é bem cuidado, mas os bairros são largados.  

Thaís Oliveira, 27 anos, auxiliar administrativo

Eu perdi a vontade de votar. A gente não vê mudança, não vê melhoria. É só olhar pra rua... não tem condições nem de passar com um carrinho de criança aqui, a gente realmente perdeu a esperança. Outro ponto é a saúde precária. Tudo bem que nós tivemos hospitais de campanha para atendimento de casos da Covid-19, mas e as outras áreas da saúde? O tempo que a gente passa nas filas de hospitais para conseguir atendimento chega a ser desumano. 

Aurélia Cristina, 38 anos, artesã 

Eu espero que a educação seja melhorada principalmente em zonas periféricas. Eu tenho três filhos e sinto falta dessa atenção pelo futuro das crianças. 

Acácia da Silva Esteves, 34 anos, coordenadora social 

Espero que existam incentivos para que a cultura seja descentralizada, espero que a arte chegue à periferia da forma como a gente vê aqui no centro e não da forma precária como recebemos. Tudo acontece na área central da cidade, precisamos de mais cultura, mais teatros, mais educação. Espero que a futura gestão tenha um olhar mais apurado às periferias, está faltando educação. A educação transforma e sem ela não chegamos a lugar nenhum.

José Geraldo da Silva, 74 anos, aposentado

Eu tenho esperança e acredito no melhor, mas vou te contar que passei dez meses tentando fazer exame e não consegui marcar, é difícil de fazer... é tanta burocracia, é tanto procedimento, é tanto detalhe...que eu desisti. Precisava fazer uma endoscopia e por falta de agilidade no processo, eu acabei fazendo o exame particular. Tive que tirar dinheiro do bolso, mas os que não podem pagar?  

Daniel Aparecido Franco, 22 anos, lojista 

Minha maior esperança é o investimento em saúde e segurança. Eu quase fui assaltado duas vezes aqui na região do centro, faltam policiais e patrulhamento na rua. Já sobre a saúde, eu tenho acesso a convênio particular, mas vejo muita gente sem condições de pagar por uma consulta ou mesmo um medicamento. Espero, de verdade, que saúde e segurança sejam prioridades do novo governo.

Telma Cristina, 45 anos, professora 

Espero que tenha uma atenção especial sobre o valor do IPTU, algo que realmente decepcionou. Acho que precisam rever o valor que nós pagamos, é um valor muito alto para pouco retorno. A gente sempre vê o pessoal do Semae trabalhando, mas os funcionários trabalham sempre nas mesmas coisas, nos mesmos buracos. Além de ser necessário colocar mais policiais nas ruas, nos bairros, precisamos de segurança.