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SAÚDE

Família denuncia falta de médicos e Santa Casa de Mogi registra alta procura de gestantes

Após esperar horas por uma ultrassonagrafia, Simone Menezes Gonçalves sofreu aborto e o caso é levado à Polícia. Hospital admite aumento de pacientes após fechamento de unidade de Suzano

Eliane JoséPublicado em 20/10/2021 às 13:16Atualizado há 2 meses
Santa Casa de Mogi é referência para as gestantes das cidades do Alto Tietê / Eisner Soares
Santa Casa de Mogi é referência para as gestantes das cidades do Alto Tietê / Eisner Soares

A espera por atendimento e um exame de ultrassonografia são apontados por Dinari Gonçalves, morador na Vila Nova Jundiaí, como possível causa do aborto sofrido pela esposa dele, Simone Menezes Gonçalves, na noite desta quarta-feira (20), na Santa Casa de Mogi das Cruzes. O hospital mogiano registra há duas semanas um aumento na procura por atendimento na maternidade após o fechamento da Santa Casa de Suzano para reforma.. 

Essa ocorrência começa na segunda-feira, quando um leve sangramento levou Dinari e Simone até a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes. Na consulta do pré-natal, a gravidez de sete semanas havia sido caracterizada como sendo de risco e a recomendação era de, a qualquer sinal de anormalidade, procurar o serviço hospitlar.  Simone tem 44 anos, e sofrou um outro aborto, há algum tempo. Uma ultrassonagrafia foi realizada e um medicamento foi prescrito por uma profissonal da Santa Casa.

Porém, na noite de quarta-feira, após o inicio do tratamento, o sangramento persistiu e aumentou.

Por volta das 22 horas, o casal chegou à Santa Casa. Após três horas de espera e cobranças, Dinari conta que recebeu a informação de que havia apenas uma médica de plantão para toda a maternidade.

No ano passado, em fevereiro, por causa da alta demanda de pacientes, a Santa Casa suspendeu o atendimento (veja nossa reportagem).

"Depois, a médica ainda me destratou, dizendo que ela é que avaliaria o que era prioridade, mesmo com a minha mulher com dor e sangrando". reclama, afirmando que o passo seguinte seria fazer uma ultrassonografia para avaliar a gestação.

O problema é que não havia médico no local para realizar tal exame. Apesar das cobranças durante toda a noite, isso aconteceu nas primeiras horas da manhã de hoje. Outras mulheres esperavam pelo mesmo procedimento.

Na troca de plantão, por volta das 7 horas, as dificuldades continuaram. Pacientes que chegaram após as que já haviam iniciado o atendimento durante à noite, foram atendidas primeiro. "Eu não me conformei e disse que as pacientes não podiam mais esperar, somente então, minha esposa foi atendida", recorda.

Após o exame, veio a confirmação do aborto e o início de outra espera para os primeiros atendimentos médicos, após a internação de Simone. "Até agora, por volta das 13 horas (de hoje, 20),  nenhum médico passou no quarto para fazer a curetagem", disse, reclamando, da falta de profissionais para uma assistência mais rápida.

"Uma médica para um hospital desse porte, com mulheres de todas as cidades da região, é muito pouco. E a espera de horas pelo ultrasson é  absurda", afirma, acrescentando que nenhum medicamento foi prescrito para estancar a hemorragia. "Quem sabe se tivessem dado um outro medicamento, isso não teria acontecido?", indaga.

Dinari registrou um boletim de ocorrência, assinado pelo delegado titular, Francisco Del Poente, do 1º Distrito Policial, onde o morador relata as dificuldades para o atendimento.

Ele questiona ainda o fato de outras mulheres, também em sofrimento, terem passado a noite em uma cadeira. "Apenas por volta das 4 horas, uma enfermeira, conseguiu uma acomodação um pouco melhor. Não reclamo das enfermeiras, e até entendo que uma médica, é muito pouco, mas essa situação não pode acontecer", desabafa.

Ele formalizou uma denúncia na Secretaria Municipal de Saúde. O atendimento de urgência é de responsabilidade da Prefeitura, que custeia, inclusive, o serviço de maternidade.

Santa Casa

O provedor da Santa Casa, José Carlos Petreca, informou que a denúncia  da família Gonçalves será apurada. Ele adiantou que, à noite, o atendimento da ultrassonografia é requisitado mediante a urgência dos casos. Não há um plantão noturno nesse setor.

Além disso, informou que há duas semanas, desde o fechamento da Santa Casa de Misericórdia de Suzano, para reforma, a unidade mogiana, referência para o Sistema Único de Saúde, registra alta de procura por atendimento na maternidade. 

Os serviços na Santa Casa de Suzano começaram há alguns meses (veja reportagem)

No final deste mês, segundo ele, será possível fazer um balanço sobre o impacto dessa alta procura. Por mês, a Santa Casa de Mogi das Cruzes chega a realizar 450 partos, o que dá uma média de 15 atendimentos por plantão.

As pacientes de Suzano, acrescenta Petreca, também estão sendo encaminhadas para Diadema, porém, muitas optam pelo tratamento e internação em Mogi pela proximidade entre as duas cidades. Diadema está a 62 quilômetros de Suzano.

Petreca afirmou que, até o momento, não há previsão de suspensão do atendimento na maternidade, como já ocorreu em outros momentos, quando a superlotação dos leitos para as mães e na Unidade de Terapia Neonatal (UTI) não permitia a manutenção das ports abertas.

Sobre o caso de Simone, ele afirmou que a provedoria tinha conhecimento do assunto e tomaria as providências necessárias.

Suzano

Desde o início deste mês, serviços oferecidos pela Santa Casa de Suzano foram suspensos para a realização de obras.  A mudança começou no último dia 8 e a Central de Regulação Ofertas e Serviços de Saúde (CROOSS) é quem regula a transferência dos atendimentos para outros hospitais. maternidade, 

Saúde vai apurar

A Secretaria Municipal de Saúde irá apurar o caso junto à Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes.

Em nota, a pasta informa que "o Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes possui gerenciamento próprio e mantém convênio com o município para prestação de serviços assistenciais de baixa e média complexidade, como atendimento ambulatorial, apoio diagnóstico e terapêutico, urgência e emergência, entre outros. Tanto o atendimento, bem como a responsabilidade técnica, são da própria Santa Casa".

"No entanto, vale ressaltar que o município conta com outras seis opções para os munícipes em situações de urgência e emergência: UPA Rodeio, UPA Oropó, UPA Jundiapeba, PA 24 horas do Jardim Universo, Pró-Criança (atendimento exclusivo para crianças) e Pronto Atendimento 24 horas do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes (atualmente com atendimento exclusivo para Covid-19)", acrescenta a Saúde. Conta, ainda, com 33 unidades de saúde, incluindo Estratégias Saúde da Família, responsáveis pelos atendimentos de Atenção Primária, ou seja, consultas eletivas em clínica médica, pediatria e ginecologia. 

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