Nesta terça-feira, dia 12, uma mesma situação gerou duas versões diferentes. Para Berenice Alves da Silva Batista, moradora do bairro Oropó II, a Guarda Municipal de Mogi (GCM) agiu “com agressão” e jogou spray de pimenta no olho de uma de suas filhas ao “tentar derrubar” a casa da família, construída de maneira irregular em uma área  próxima ao Rio Jundiaí. Para a prefeitura, que promete “apurar denúncias sobre violência”, o que houve foi uma “ação preventiva”: a demolição de uma “construção inacabada e não habitada”, que estava em uma área de proteção ambiental permanente.

Outra divergência é em relação ao endereço da ocorrência. Segundo o ex-vereador e ex-candidato à Prefeitura de Mogi, Rodrigo Valverde (PT), que esteve no local para ouvir os envolvidos, tudo aconteceu na Avenida Professora Joaquina de Oliveira Ruiz, entre os bairros Jardim Aeroporto e Jardim Santos Dumont. Para a administração pública, o fato se deu na rua paralela à esta, Manoel Lino da Silva.

Berenice diz que a abordagem da GCM foi violenta. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela conta ter saído de casa no momento da ação. Quem estava lá era Diego, seu marido, com os quatro filhos do casal.

“Tentaram derrubar minha casa e derrubaram a casa do nosso vizinho. Agiram com agressão e enforcaram meu esposo, jogaram spray de pimenta no meu olho e no olho da minha filha de quatro anos, arrombaram minha janela para tirar meus móveis de dentro, tiraram minha televisão, colchão e cobertores”, lista ela.

De acordo com Rodrigo Valverde, falta uma “ordem judicial” para que a prefeitura possa exigir a saída da família de Berenice. “Estranhei que ela tinha um papel com data de hoje (ontem), que é uma segunda via de notificação administrativa pedindo para que se retirasse. Mas depois que uma casa está construída e que a pessoa reside nela, cabe a prefeitura ingressar com ação judicial para conseguir ordem para usar força, o que não aconteceu”, diz ele. 

Questionada por O Diário, a prefeitura informou que “os secretários municipais de Segurança, André Ikari, de Assistência Social, Celeste Gomes, e de Assuntos Jurídicos e responsável pela Coordenadoria de Habitação, Sylvio Alkimin” estiveram, durante a tarde no local, para verificar o que aconteceu e conversar com os moradores.

A administração pública esclarece que apenas “uma construção inacabada e não habitada foi demolida, enquanto os moradores de outro imóvel foram notificados a desocupar a residência construída em local irregular”.  Isso aconteceu durante uma “ação preventiva para evitar a ocupação de área de proteção ambiental permanente, com a participação do Departamento de Fiscalização, Guarda Municipal, Polícia Militar e Secretaria Municipal de Serviços Urbanos”.

Um dos objetivos da visita dos secretários ao endereço foi “apurar denúncias sobre violência durante a ação”, e “caso seja verificado comportamento não adequado, serão adotadas providências”. Os secretários também “conversaram com moradores para entender a situação das famílias que vivem no local, em construções irregulares e em área de risco por estar às margens do Rio Jundiaí, para buscar soluções que possam ser adotadas para a melhoria da vida destas pessoas”.

É a partir deste encontro que a gestão Caio Cunha (PODE) deve estabelecer estratégias para conter ocupações irregulares, e atender famílias em situação semelhante a de Berenice.