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EDUCAÇÃO

Escola Sentaro Takaoka decide não participar do Programa de Ensino Integral

Conselho escolar se reuniu com a comunidade no início da noite desta segunda (14) e votou contra a adesão ao novo modelo de escola de tempo integral

Heitor HerrusoPublicado em 15/06/2021 às 10:01Atualizado em 16/06/2021 às 08:01
Arquivo O Diário - Eisner Soares
Arquivo O Diário - Eisner Soares

Está decidido. A Escola Estadual Dr. Sentaro Takaoka, no Cocuera, em Mogi das Cruzes, não participará do Programa de Ensino Integral (PEI). O conselho escolar se reuniu no início da noite desta segunda-feira (14), na Associação dos Agricultores do bairro, e o resultado é quase unânime: 14 votos contra, três a favor e duas abstenções.

O encontro foi aberto à comunidade, e além dos membros do conselho (seis professores, cinco pais, três alunos do terceiro ano do ensino médio, quatro funcionários, diretora e vice-diretora), participaram também membros do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), como a vereadora em Mogi, Inês Paz (PSOL).

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O assunto levantou opiniões divergentes dentro da escola. Professores -que não quiseram se identificar- conversaram com a reportagem de O Diário e apresentaram alguns dos argumentos contra a ideia, que colocaria a unidade de ensino para funcionar ininterruptamente até as 21 horas, estabelecendo jornadas de até nove horas e meia para os estudantes, com três refeições diárias.

A primeira contestação do corpo docente é em relação a segurança. “É uma escola que fica na beira da rodovia, murada na frente, mas não atrás, por conta da lei dos mananciais”, dizem eles.

Ainda sobre segurança, muitas crianças “se deslocam de Biritiba Mirim à Mogi das Cruzes”, e portanto, ficariam à noite no ponto de ônibus, o que consideram “perigoso”, já que “não há policiamento, os carros passam muito rápido e a iluminação é pouca”.

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Outras questões sobre o transporte preocupam a comunidade. De acordo com os professores, hoje as crianças e adolescentes são beneficiadas com o “transporte público escolar”, ou seja, “vão e voltam de van para a escola”. Mas, caso a Sentaro Takaoka fizesse parte do PEI, este direito seria transformado em “transporte gratuito exclusivamente por passe”. Em outras palavras, a van seria substituída por ônibus, com “horários que não atendem” às necessidades.

Está inclusa na argumentação dos que são contra, ainda, a evasão escolar. “Muitos alunos vão para a escola em um período, e ajudam o pai na roça no outro, ou cuidam do irmão para a mãe ir para a roça. Se ficassem o dia inteiro na escola, não teriam como ajudar, e acabariam saindo da escola”.

O Diário enviou perguntas à Secretaria Estadual de Educação, mas obteve apenas a seguinte nota: "Sobre a Escola Estadual Doutor Sentaro Takaoka, a reunião foi realizada com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre o modelo de ensino integral e também ouvir a comunidade antes de qualquer indicação".

A Pasta explica ainda que "escolas da rede pública estadual têm até esta terça-feira (15) para enviar documentação e manifestar interesse em aderir ao Programa Ensino Integral (PEI)".

O que é o PEI

Como consta no site da Secretaria Estadual de Educação, o Programa de Ensino Integral (PEI) ou o Novo Modelo de Escola de Tempo Integral estabelece jornadas de até nove horas e meia para os estudantes, incluindo três refeições diárias. Na matriz curricular, os alunos têm orientação de estudos, preparação para o mundo do trabalho e auxílio na elaboração de um projeto de vida. Além das disciplinas obrigatórias, eles contam também com disciplinas eletivas, que são escolhidas de acordo com seu objetivo.

Os professores do PEI atuam em regime de dedicação exclusiva e, para isso, recebem gratificação de 75% em seu salário, inclusive sobre o que foi incorporado durante sua carreira.

Atualmente, são 437 mil estudantes do ensino fundamental e ensino médio beneficiados em 1.077 escolas, de 309 cidades. Segundo o Estado, "o programa potencializa a melhoria da aprendizagem e o desenvolvimento integral dos estudantes, nas dimensões intelectual, física, socioemocional e cultural".

O processo de adesão ao PEI foi iniciado em março, contemplando "apresentação do programa, diálogos com a comunidade escolar e manifestação de interesse à Diretoria de Ensino". O ingresso das unidades "será definido a partir da priorização das unidades maiores e mais vulneráveis".  

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