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MEMÓRIA

Empresário e um dos fundadores do CVV de Mogi, Toninho Andere morre aos 87 anos

Nascido em Suzano, Antonio Elias Miguel Seman Andari era uma das lideranças de Braz Cubas. Assessor do prefeito Waldemar Costa Filho, ele colecionou casos e histórias da política regional

Eliane JoséPublicado em 20/11/2021 às 05:47Atualizado há 9 dias
Toninho Andari tinha orgulho do acervo de notas, jornais, documentos e fotos sobre Mogi das Cruzes / Arquivo O Diário
Toninho Andari tinha orgulho do acervo de notas, jornais, documentos e fotos sobre Mogi das Cruzes / Arquivo O Diário

Filho de libaneses e empresário, Antonio Elias Miguel Seman Andari, Toninho Andere, como era conhecido, faleceu na noite de sexta-feira (19). Ele vinha tratando de complicações de problemas como diabetes e cardiopatias.Tinha 87 anos, deixa filhos e netos, amigos e muitas histórias.

Familares e amigos participaram das últimas homenagens  no Velório Cristo Redentor e o enterro ocorreu às 11h30, no Cemitério São Salvador. Entre as muitas coroas recebidas, estava a da família de Valdemar Costa Neto, do PL.

Com memória afinada, Toninho desfrutou de um lugar estratégico nos bastidores do processo de desenvolvimento social e econômico de Mogi das Cruzes em boa parte do século passado e deste - bem relacionado, comerciante e depois dono de uma empresa de turismo, com sede em Braz Cubas, foi cabo eleitoral e depois assessor do político e prefeito Waldemar Costa Filho (1923-2001).

Se tornou uma liderança comercial de Braz Cubas, com atuação em pleitos de interesse do distrito, como a busca de soluções para o trânsito e a segurança do lugar.

Em uma das saborosas páginas da série "Entrevistas de Domingo" - publicada durante tempos por este jornal, Toninho Andari desvendou particularidades da vida social de Mogi e de si próprio.

Como viveu e se relacionou com pessoas de muitas matizes e origens e políticos, sabia de detalhes de conquistas e derrotas pessoais e coletivas de seus interlocutores. Bom de conversa e observador, Toninho não seria outra coisa senão uma potente fonte de informações e dados para jornalistas como Darwin Valente, de O Diário.

O filho de Suzano e não de Mogi, contava o que viu acontecer e mudar, não apenas na politica, mas também no esporte, no comércio, nos restaurantes e points que abriram e fecharam na cidade.

A O Diário, compartilhou, por exemplo, as artimanhas que usava para tratar o prefeito Waldemar conhecido pelas explosões de humor e temperamento nem sempre palatáveis para se acompanhar tão de perto. 

"Se ele (o prefeito) usava o óculos na testa era porque estava meio nervoso, mas se a mandíbula saltasse, era sinal de que ele estava muito nervoso. Fora do trabalho, ele era uma pessoa aberta e tínhamos liberdade de passar os pedidos das pessoas a ele", disse.

Toninho nasceu em Suzano, estudou em um colégio interno, e orgulhava-se de municiar um acervo composto por documentos, registros e memórias, organizado em álbuns - inclusive, com incontáveis recortes de reportagens publicadas por este meio de comunicação que ele viu nascer - O Diário completa no mês que vem 64 anos de fundação.

Ali estavam fatos, curiosidades, animosidades entre opositores, recortes da vida do próprio autor da coleção.

Foi Toninho Andere - que na verdade, era Andari, e só veio descobrir isso já adulto - o responsável pela conquista da primeira sede do Centro de Valorização à Vida (CVV), localizada no Alto do Ipiranga. O braço mogiano do projeto de prevenção ao suicídio o reconhece como um dos fundadores e principais apoiadores do trabalho social voluntário, que se mantém um posto na cidade.

Divorciado da professora Elza Urbano, é pai de Antonio Carlos, Maria Tereza, Otto Augusto e de Ana Beatriz. Deixou os netos: Leonardo, Pedro Augusto, Lara e Ana Clara, além de muitos amigos.

Confira, a seguir, a Entrevista de Domingo concedida por ele à jornalista Carla Olivo, e publicada em 2006, quando o empresário tinha 72 anos.

 As histórias de Mogi, contadas por Toninho Andari

Fotografias, cartões, ofícios, bilhetes e reportagens de jornais cuidadosamente organizados em álbuns ajudam a contar boa parte da história política mogiana. O arquivo é guardado como um tesouro pelo comerciante Antonio Elias Miguel Seman Andari, conhecido como Toninho Anderi, 72 anos. Filho de libaneses, ele nasceu em Suzano - na época ainda distrito de Mogi -, estudou seis anos em colégio interno na Capital e concluiu o curso Científico no Colégio do Estado, em Mogi das Cruzes, para onde sua família se mudou em 1954. Na Cidade, deu continuidade aos negócios do pai à frente do armazém de secos e molhados, se envolveu nas campanhas eleitorais do ex-prefeito Waldemar Costa Filho, com quem trabalhou na Prefeitura, foi sócio-proprietário da Mito Turismo - ao lado do empresário Miguel Nagib - e desde 1982 comanda a Abite Turismo, atualmente em Braz Cubas. Divorciado após 28 anos de casamento com a professora aposentada Elza Urbano, ele é pai de Antonio Carlos (casado com Georgia), Maria Tereza (esposa de Sérgio), Otto Augusto (marido de Yamara) e de Ana Beatriz. Tem quatro netos: Leonardo, Pedro Augusto, Lara e Ana Clara. Em entrevista a O Diário, não faltam histórias para contar. Confira:

O Diário - Sua família é de origem libanesa. Quando seus pais vieram para o Brasil?

Antonio Elias Miguel Seman Andari, o Toninho Anderi - Meus pais (Elias Andari e Thereza Abud Andari) nasceram e se conheceram no Líbano. No tempo da 1ª Guerra Mundial, o país tinha muita pobreza e diziam que quem viesse para o Brasil conseguiria fazer a vida. Então, eles vieram ainda solteiro, cada um com suas respectivas famílias, e depois de alguns anos se reencontraram aqui e se casaram. Primeiramente se estabeleceram em Suzano, onde meu pai montou um armazém de secos e molhados em Palmeiras e depois na Glicério (Rua General), bem no Centro da Cidade. Éramos em três filhos (eu, o Michel, já falecido, e o Milton).

O Diário - Seu sobrenome é Andari. Por que é conhecido como Toninho Anderi?

Toninho - Isso aconteceu com várias pessoas da minha família por causa de erros do Cartório. Naquela época, meu pai tinha vindo do Líbano há pouco tempo e os funcionários do Cartório registravam o nome que ouviam, então, ficamos com sobrenomes diferentes. Aliás, aprendi a escrever meu nome aos 20 anos porque antes disso nunca tinha manipulado meus documentos. Isso aconteceu quando vim de São Paulo transferido para o Colégio do Estado e fui preencher minha filha. Como meu pai sempre me dizia que eu me chamava Antonio Elias Michail Seman Andari, assim escrevi no papel. Olhando aquilo, o diretor disse que estava errado porque, conforme meus documentos, meu terceiro nome era Miguel e não Michail.

O Diário - O senhor nasceu em Suzano e morou lá até quando?

Toninho - Fiquei em Suzano até meus 20 anos e lá estudei o primário no Grupo Escolar que ficava ao lado da Igreja Matriz, na região central. Depois, fui para São Paulo fazer o ginásio e o colégio interno, que estudei no Colégio Arquidiocesano, na Vila Mariana. Só podia sair de lá aos domingos para visitar a família em Suzano. Fiquei lá desde a Admissão até o primeiro ano do curso Científico, quando meus pais se mudaram para Mogi das Cruzes e vim completar o segundo e terceiro anos do curso Científico no Colégio Estadual, que ficava no prédio da Rua Coronel Souza Franco, em frente ao 17º Batalhão da Polícia Militar e onde hoje funciona a Diretoria de Ensino.

O Diário - Qual seu primeiro emprego na Cidade?

Toninho - Viemos para Mogi em 1954 e, dois anos depois, meu pai ficou doente, então comecei a trabalhar para ele no armazém, que ficava na Avenida Fernando Pinheiro Franco (Voluntário), no prédio onde hoje funciona uma videolocadora.

Como era Mogi na década de 50? Toninho - As décadas de 50 e 60 foram os anos dourados, principalmente em Mogi, onde se levava uma vida de cidade pequena, onde todos se conheciam e formavam uma grande família. Aqui, a vida social era intensa e todos freqüentavam os mesmos lugares. Como fui diretor do Itapeti Clube, em 1957, tive oportunidade de acompanhar de perto a época dos grandes bailes com orquestras trazidas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nas formaturas, os homens usavam smoking e todos da Cidade participavam dos grandes bailes realizados uma vez por mês no Clube, assim como das festas juninas e carnavalescas.

O Diário - Quais outras distrações da juventude?

Toninho - Gostávamos de passear no jardim, com homens e mulheres andando em sentidos opostos, e ir ao cinema era obrigatório, sendo que aos sábados, toda a sociedade se encontrava no Avenida e aos domingos, no Urupema. Havia um detalhe interessante, já que os que não assistiam aos filmes, ao final ficavam na frente do cinema só para ver quem tinha ido lá. Outro ponto de encontro de namorados era a missa das 10 horas, na antiga Matriz, onde alguns iam apenas para paquerar.

O Diário - O senhor praticava algum esporte na Cidade?

Toninho - Freqüentava o Clube Náutico, onde jogava bola nas famosas peladas das 10 horas de domingo. Todo o pessoal da sociedade participava e ganhava apelidos. Tínhamos companheiros de campo como o ex-prefeito Waldemar Costa Neto, que era conhecido como Promessão por ser político, além do Gilberto Natálio, apelidado de Mata-Cobra, além do Carlito (Carlos Augusto Ferreira Alves), o Ceguinho, e muitos outros. Jogávamos até meio-dia e depois tomávamos um banho e o cérebre aperitivo de domingo. Dentro do Clube ficava o Bar do Armando, que era ponto de encontro e oferecia além dos salgadinhos especiais, cerveja, aperitivos, batidas e caipirinhas. Também fiz parte do primeiro time de futebol de salão de Mogi.

O Diário - Qual foi?

Toninho - O time, que nasceu dentro do Itapeti Clube, se chamava Café Society e reunia esportistas de toda a Cidade, sendo que o já falecido advogado José Miragaia era um dos diretores e inventou, inclusive, a camisa de cetim para os jogadores. Participávamos de disputas em Mogi e também com times de fora, mas era mais por diversão e com o tempo foram surgindo times profissionais na Cidade. Depois, em 1966 tive mais uma passagem pelo esporte mogiano como presidente do União Futebol Clube, nos tempos áureos do time.

Há histórias desta época? Toninho - Tínhamos somente dois grandes times de futebol na Cidade, então, os mogianos torciam para o União ou para o Vila Santista, que participavam de campeonatos disputadíssimos.

O Diário - Como era esta rivalidade?

Toninho - A rivalidade entre os dois times era tanta que os torcedores do Vila não podiam passar em frente do bar freqüentado pelos unionistas, em frente ao Cine Odeon. Da mesma forma, pela calçada do Bar do Davi, em frente ao jardim, na Praça Oswaldo Cruz, só andavam os simpatizantes do Vila. Já presenciei muitas brigas entre as duas torcidas e também jogadores rivais, mas esta foi a época mais vibrante do futebol mogiano.

O Diário - Quais os melhores restaurantes e lanchonetes da Cidade naquele tempo?

Toninho - Foi exatamente nesta época que Mogi teve seus melhores restaurantes como a Cantina Mogiana, na Rua Dr. Deodato (Wertheimer), onde está fica o Lojão do Brás, o Antarctica, no prédio que abriga hoje a Lojas Riachuelo, e o Estância dos Reis, na área onde atualmente fica o NEC (Núcleo Educacional e Cultura. Lá havia um tipo de hotel fazenda, onde os jogadores do Corinthians costumavam se concentrar. O dono era o Carlos Barattino, que depois montou o restaurante Piatto D’Oro, na Avenida (Voluntário Fernando Pinheiro Franco), em frente à Finacional.

O Diário - Havia outros?

Toninho - Outro bom restaurante, apesar de simples, era o do Simões, em Braz Cubas, que pertencia a um português e onde havia a melhor comida de Mogi. Ele servia bacalhau, camarão, frango, entre outros, de acordo com os pedidos dos fregueses, que telefonavam antes avisando o que gostariam de comer. Uma curiosidade deste lugar é que, após o jantar, as pessoas costumavam quebrar as coisas, era uma brincadeira, num ritmo bem descontraído.

O Diário - E lanchonetes?

Toninho - No prédio onde hoje fica a Lojas Marisa, era o Bar do Lanche, outro ponto de encontro da juventude, que pertencia ao João Mendes, famoso como João Ladrão. Ele ganhou este apelido porque havia os clientes que consumiam e deixavam a conta marcada por mês. Na hora do pagamento, ele somava tudo, desde os valores que a pessoa devia, até a data do mês até o número da nota, mas era amigo de todos. Tinha também o Bife Esquisito, que poucos sabem como surgiu.

O Diário - O senhor sabe como foi?

Toninho - Os amigos Júlio Cardoso, Honda e Nelson Cruz, gostavam de tomar aperitivo juntos, mas depois, geralmente o Júlio e o Honda jantavam, enquanto o Nelson ia embora. Uma noite, ele resolveu ir junto com eles no restaurante japonês, mas como não comia comida japonesa, o Honda chamou o Jorginho, que era o dono, e o Nelson pediu um bife a cavalo com ovos ou fritas. Para ser gentil, o japonês fez um prato caprichado, com um belo bife com batata, ovo, arroz e salada. Quando o prato chegou à mesa, o Jorge falou para o Nelson que era esquisito. O Nelson disse: ‘Esquisito mais gostoso. Todas as noites virei aqui comê-lo’. Assim nasceu o bife esquisito e depois, o restaurante continuou servindo os pratos da cozinha japonesa, mas incluiu este no cardápio e passou também a ser conhecido por este nome.

O Diário - Como foi seu envolvimento com as campanhas políticas do ex-prefeito Waldemar Costa Filho?

Toninho - Quando cheguei a Mogi morava na Avenida (Voluntário Fernando Pinheiro Franco) e era vizinho do Waldemar. Ficamos amigos e na vida adulta, passei a acompanhá-lo na política, indo às reuniões e comícios. Lembro que ele perdeu as eleições de 62 na última semana já que, por causa de seu temperamento, acabou arrumando confusão com um grupo que se virou contra ele. Na época, o Rodolfo Jungers foi eleito e o Waldemar desistiu da política, mas na eleição seguinte, os companheiros do Carlos Alberto Lopes os procuraram, insistindo para que ele se candidatasse a vice. Embora não quisesse, acabou aceitando e recebeu 12 mil votos, o dobro do que o candidato ao cargo de prefeito.

O Diário - Por que logo depois ele deixou a Prefeitura?

Toninho - Quando foi eleito vice, ele quis ter uma sala na Prefeitura, mas como começou a tomar conta e centralizar tudo, teve uma briga com os Lopes e eles o tiraram de lá. Então, o Waldemar se afastou da Prefeitura e começou sua campanha de 68, que contou com o apoio do Padre Melo (Manoel Bezerra, ex-prefeito) e de todas as lideranças de Mogi. Ele ganhou e foi uma vitória brilhante.

O Diário - O senhor foi trabalhar com ele na Prefeitura?

Toninho - Após seis meses de sua primeira administração, fui trabalhar com ele como diretor do Ambulatório Municipal, que ocupava uma ala da Santa Casa de Mogi, em frente ao estacionamento, onde havia um atendimento ambulatorial completo, com médico 24 horas e remédios à população. O prefeito fez uma parceira para ajudar a Santa Casa e alugou uma de suas salas para montar este ambulatório. Havia dentistas durante o dia e também uma unidade móvel que percorria os bairros mais periféricos levando profissionais desta área.

O Diário - Por que o Ambulatório Municipal foi fechado?

Toninho - O próprio Waldemar o abriu e fechou em sua segunda gestão porque, quando voltou, em 1977, o ambulatório tinha passado a atender a toda a Região, então as despesas subiram muito e não havia mais condições de mantê-las. O Waldemar era muito temperamental e quando cismava com alguma coisa, não tinha jeito. Ele decidiu fechar o ambulatório e fui trabalhar como chefe de gabinete.

O Diário - Como o senhor lidava com o temperamento difícil do ex-prefeito?

Toninho - Conseguia trabalhar bem com ele porque sabia a hora certa de falar qualquer coisa. Às vezes chegava a entrar e sair da sala 10 vezes com o mesmo papel em mãos esperando o melhor momento para falar sobre o assunto. Se ele usava o óculos na testa era porque estava meio nervoso, mas se a mandíbula saltasse, era sinal de que ele estava muito nervoso. Fora do trabalho, ele era uma pessoa aberta e tínhamos liberdade de passar os pedidos das pessoas a ele. O Waldemar atendia todo mundo e era especialista em falar não, mas quando dizia sim, ele cumpria. Depois, na segunda administração, em 77, ele me convidou para dirigir o Semae (Serviço Municipal de Águas e Esgotos), onde fiquei dois anos e voltei novamente ao gabinete para controlar as administrações regionais e serviços externos.

O Diário - E no terceiro governo do Waldemar?

Toninho - Após as eleições de 88, ficamos estremecidos e não trabalhei com ele. Apesar de ser sempre convidado para me candidatar a vereador, nunca tinha saído. Mas neste ano, disputei o cargo pensando que com o meu nome e trabalho conseguiria ser eleito facilmente, mas graças a Deus não fui. O Waldemar tinha me apoiado, mas quando perdi, ele nem me ligou e ficamos 6 anos distantes, sem nos falar, até que um dia, encontrei com o Boy (Valdemar Costa Neto) e ele me convidou para um café com seu pai, no qual conversamos bastante, como se nada tivesse acontecido e retomamos nossa amizade quando ele estava na quarta administração.

O Diário - O senhor também atuou no CVV (Centro de Valorização da Vida)...

Toninho - Fui voluntário e presidente do CVV na época da construção da sede no número 1.000 da Avenida Perimetral. O Waldemar tinha nos tirado da casa onde atendíamos as pessoas, na Rua Gaspar Conqueiro, quando doou a área para o Centro de Hemodiálise. Nesta época, ele não quis conversa e os voluntários ficaram revoltados. Depois deste nosso encontro, no qual ele estava em estado de graça, contei que participava do CVV e ele chamou os voluntários para uma reunião, da qual todos saíram gostando dele. O Waldemar pediu para o Dr. Melquíades (Machado Portela, vice-prefeito) nos acompanhar até a Cobal, no Mogilar, onde havia algumas salas vazias que poderíamos usar. De fato ficamos lá até 2002, quando nos mudamos para a atual sede, construída no terreno doado pela Associação dos Moradores de Braz Cubas.

O Diário - O senhor jamais deixou o comércio?

Toninho - O armazém fechou em 1960, quando fui trabalhar com o Waldemar até 1972. No ano seguinte, junto com o Miguel Nagib fundei a Mito Turismo, que fazia fretamentos para indústrias e excursões. O escritório ficava na esquina das ruas Coronel Souza Franco com Padre João e garagem na Rua Bruno Schripa, 263. Em 1976, sofri um enfarte, fiquei no hospital e vendemos a Mito para a família Eroles. Um ano depois voltei a trabalhar com o Waldemar e fiquei até 82, quando abri a Abite Turismo, na Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, 790, que há 6 anos funciona em Braz Cubas e trabalha com viagens nacionais e internacionais aéreas, terrestres e marítimas.

O Diário - Hoje, qual sua distração?

Toninho - Além do trabalho na Abite, sou aluno da Pró-Vida, uma instituição filosófica que ensina o homem a trabalhar com a mente, melhorando o homem para construir um mundo melhor. Sou um dos diretores da unidade de Mogi, que fica na Rua Monsenhor Nuno, 157, no Mogilar, e tem um clube de campo em Araçoiaba da Serra. Além desta atividade, também gosto de ir ao teatro e jantar em São Paulo. Há muito tempo desisti de jogar futebol, mas torço para o Palmeiras. Desde os tempos de solteiro também gosto de ir ao Rio de Janeiro. Estou divorciado há 18 anos, depois de 6 anos e meio de namoro e 28 anos de casamento com a Elza, que foi uma grande e especial mulher na minha vida. De público quero pedir o meu perdão a ela, por todo o sofrimento que causei.

O Diário - O senhor guarda lembranças do tempo em que trabalhou na Prefeitura?

Toninho - Outra distração é arquivar algumas recordações. Sou muito organizado e tenho guardado, por exemplo, várias fotografias, reportagens do jornal O Diário e documentos sobre a campanha do Waldemar em 76, na época do regime militar, quando ele, que era da Arena, teve 21.905 votos, enquanto os três outros candidatos, do MDB, somaram 16.306 votos, com 3.376 para o Américo Kimura, 10.582 conquistados pelo Rubens Nogueira Magalhães e 2.348 do padre Herval Brasil.

O Diário - O que mais há neste arquivo?

Toninho - Tem fotos de comícios, reuniões, com a participação de Junji Abe, Zé Bezerra e Mauricio Najar, entre outros, inclusive algumas com dedicatórias do Waldemar, que após uma vitória nas eleições sempre dizia ‘Agora é honrar a confiança. Sou homem cheio de defeitos, mas nunca menti para o povo de Mogi’. Tenho também o arquivo do tempo em que trabalhava na Prefeitura no atendimento ao público, vários cartões e bilhetes, inclusive de pessoas que já morreram. Todos os meses, fazia um balancete no ambulatório para ser entregue ao Waldemar, incluindo medicamentos e gastos em geral. Uma das correspondências é assinada pelo então vereador Tarcísio Damásio, que pedia ajuda para uma mulher, cujo filho estava morto há três dias e ainda não tinha sido enterrado. Falei com o Dr. Glauco (De Lorenzi), que pediu para que levássemos a criança até o ambulatório. O Mauro da funerária fez isso, o médico realizou os testes e deu o atestado de óbito para enterrar o garoto.

O Diário - O senhor teve outras atividades em Mogi?

Toninho - Fui diretor-secretário da Associação Comercial e Industrial de Mogi durante quatro anos, quando o presidente era o Henrique Borenstein e o vice, o Anésio Urbano. Aureliano Arizza e Caetano Vieira também faziam parte da diretoria. Em 1980, fui fundador do Rotary Clube Norte, do qual cheguei a ser presidente e onde desenvolvi vários trabalhos voltados à comunidade.

O Diário - Como o senhor avalia a violência hoje no Líbano?

Toninho - Tenho parentes lá e iria viajar para o Líbano, pela primeira vez, neste ano. Agora, já desisti. Desde o começo dos tempos, esta guerra não acaba nunca porque os povos carregam muito ódio nas artérias do coração. Seqüestraram dois soldados e agora estão acabando com um país, matando velhos e crianças. É lamentável.

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