Em uma coletiva de imprensa virtual nesta tarde, o prefeito Caio Cunha (PODE) deu mais detalhes sobre a fase vermelha, que teve início na cidade nesta quarta (3) e segue pelo menos até segunda-feira (8). Entre as explicações, estão os procedimentos de fiscalização, informações sobre a preocupante taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 na cidade e ainda a confirmação da continuidade de vacinação em esquema drive-thru, neste sábado, para a segunda dose em idosos com 90 anos ou mais.

Segundo a administração municipal, os índices são 100% de leitos ocupados no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, 94% no Hospital Ipiranga, 110% no Hospital Santana e 100% Hospital Municipal de Braz Cubas, que deve, até o final da semana, inaugurar cinco ou seis novas vagas, na atual ala de endoscopia.

Depois de apresentar estes dados, que motivaram a gestão municipal a tomar a “atitude bem drástica e severa” de impor medidas mais restritivas que as previstas no próprio Plano São Paulo, o prefeito esclareceu quais serão os próximos passos da vacinação contra a Covid-19 na cidade.

“Amanhã teríamos vacinação para o público de 78 anos, e na sexta, de 77 anos. Mas suspendemos, pois recebemos só 37% do volume total de vacinas. No próximo sábado (6) vai ocorrer normalmente a vacinação da segunda dose para idosos com 90 anos ou mais”. Essa etapa será em esquema drive-thru, no Pró-Hiper e em Jundiapeba. Também no sábado serão abertos “10 postos de saúde”, onde “serão vacinados os profissionais da saúde para 2ª dose”.

Ainda sobre imunização, tanto Cunha como a vice-prefeita Priscila Yamagami (PODE) e também o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, pediram que as pessoas que forem tomar a primeira dose sempre se cadastrem previamente no site do Governo do Estado, para "ganhar tempo".

Fiscalização

Durante a coletiva de imprensa, Caio Cunha confirmou que “o secretário municipal de Segurança, André Ikari, aumentou o efetivo” de segurança nas ruas, “tanto de fiscais como de guardas municipais”.

Contudo, as abordagens, garante o prefeito, não são truculentas, até mesmo porque ainda há “muitos comerciantes que não sabem da fase vermelha”. Embora reconheça que nesta terça (2) “foi a aprovada a lei que aumenta a rigidez e a punição daqueles que desrespeitarem", o chefe do Executivo diz que “este primeiro momento é um dia de adaptação, de instruir as pessoas, orientar, mostrar o problema e solicitar que cumpram as regras adequadamente”.

“Mais que o comércio, o grande problema são as festas clandestinas, que não pararam. Todo fim de semana a gente fecha no mínimo três delas, isso sem contar estabelecimentos de casa noturna, que mesmo multados continuam abrindo”, continua Cunha.

Sobre a abordagem, o prefeito disse que a prioridade é por um procedimento “super respeitoso”, tanto de convencimento como de aviso. “A multa não só dobrou, como agora temos sequência. Primeiro a pessoa é notificada. Na segunda autuação, ela é multada, em aproximadamente R$ 3,6 mil. Na terceira, essa multa dobra, e o alvará do estabelecimento é congelado. Se conseguir liberar o alvará depois, e ainda assim cometer infração, a multa chega a 100 mil UFMs, que dá aproximadamente 18 mil reais”, explicou ele, que ainda afirma ter diretriz para colocar “barreiras físicas” , caso isso seja necessário. Leia mais sobre as penalidades.

Nova avaliação

Ao anunciar o novo pacote de medidas restritivas, Caio Cunha disse que na próxima segunda-feira (8) haverá uma nova avaliação para decidir se Mogi continua na fase vermelha ou avança para a laranja. Questionado nesta quarta (3) sobre os critérios desta análise, ele confirmou que um dos índices mais importantes, e portanto "o foco" é a taxa de ocupação de leitos.

“Vamos avaliar os diversos casos. Hoje a gente foi muito rígido inclusive com igrejas. O governador (João) Doria colocou igrejas como serviços essenciais, mas nós restringimos mais. Ele falou que as aulas poderiam ser feitas, e aqui não vai ter aula presencial, seja na escola estadual, na municipal ou na particular. Na segunda faremos nova avaliação para ver como os ambientes estão se comportando e como podem ser comportar somados aos dados que tivermos em relação a ocupação dos leitos de UTI e enfermaria na nossa cidade”, explicou

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Mais leitos

Caio Cunha disse que a prefeitura “segue em constante pedido de quase clamor” ao Estado para a implementação de novos leitos no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no distrito de Jundiapeba. A UnicaFisio não seria uma opção para este fim já que precisaria de “uma pequena reforma”. Entretanto, enquanto isso não acontece, a administração municipal se mexe para conseguir mais vagas de UTI para pacientes com sintomas de Covid-19.

“Estamos correndo atrás, em vias de operacionalizar cinco leitos dentro do Hospital Municipal”, conta o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel. “Temos uma área onde é feita endoscopia, e cabem ali mais cinco ou seis leitos de UTI. Não é muito, mas já ajuda bastante”. Para que isso aconteça, a cidade espera receber respiradores até o final desta semana, não do governo estadual ou federal, mas sim por “iniciativa própria”.

Mogi das Cruzes já pediu ao Estado mais equipamentos de ventilação, mas a resposta, segundo Naufel, é que não há novas unidades para nenhuma cidade de São Paulo. “Estão fazendo uma 'catação', por assim dizer, para resgatar em torno de 200 ventiladores de pontos em que não estão sendo utilizados”. Mesmo que o apoio não venha desta forma, a prefeitura espera ajuda financeira do Estado.

Diferente do que já fizeram outras cidades do País, por enquanto está descartada a possibilidade de utilizar ambulâncias como UTIs emergenciais. "Essa é uma possibilidade de desespero. O que a gente espera é que o governo do Estado assuma o compromisso que tem com a região de aumentar os leitos na região", cravou Cunha, que espera mais atenção não apenas para Mogi como para as demais cidades que compõem o Alto Tietê. "Talvez agora, por conta dessa situação, eles se sintam mais sensibilizados e obrigados a instalar novos leitos".

Comércio

Pouco tempo após a divulgação da fase vermelha, a Associação Comercial de Mogi e também o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) denunciaram a falta de diálogo entre poder público e os comerciantes, o que impossibilitou o preparo da categoria, que deve registrar prejuízos nesta semana. O Sincomércio aliás, disse ter enviado um ofício à prefeitura na terça (2), que foi recebido no final da tarde desta quarta (3). Na coletiva de imprensa, o prefeito estranhou essas afirmações. “A gente está em constante diálogo, e ficamos desenhando aqui, estudando a melhor forma. Tentamos evitar o mínimo de impacto”.

Já a vice-prefeita, Priscila Yamagami, comentou medidas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. “Todos nós (gestão pública, iniciativa privada e sociedade civil) precisamos fazer um pacto pela vida, o que é inegociável. E o restante vamos correr atrás. Temos um pacote de ações para ajudar que os negócios continuem acontecendo”, disse.

Essas medidas, segundo ela, não são exatamente uma novidade. “Já estão acontecendo há algum tempo. A gente tem todas as instruções, fazendo videozinhos curtos, abertura de multicanais. Sabemos que não tem mais condição (do comerciante) ficar só no físico. É preciso ir para o online. São 10 meses de acontecimentos mostrando a venda online é imprescindível”, disse Priscila, que listou ainda a existência de “grupos de WhatsApp para orientar” e dois e-books com dicas, sendo um lançado durante a campanha de Caio Cunha para prefeito, e outro mais recentemente.

Decreto

Foi publicado no final da tarde desta terça-feira (2), o decreto municipal 19.916 que estabelece medidas restritivas excepcionais da fase 1 - vermelha do Plano SP em Mogi das Cruzes, com medidas ainda mais duras que as previstas pelo Governo do Estado; veja o que pode abrir na cidade nos próximos dias.

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