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INVESTIGAÇÃO

Diocese de Mogi afasta padre após denúncia de abuso sexual

Processo em segredo de justiça apura denúncia envolvendo sacerdote que foi afastado das funções pelo bispo dom Pedro Luiz Stringhini

Eliane JoséPublicado em 24/09/2021 às 08:17Atualizado há 23 dias
Divulgação
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A Diocese de Mogi das Cruzes divulgou nota sobre o afastamento do padre Ismael Almeida Santana de suas funções e cargos na igreja católica após o recebimento de denúncia de abuso sexual feita por um ex-seminarista. Um processo canônico foi instaurado, com a comunicação do fato à Nunciatura Apostólica do Brasil e à Santa Sé.

Em nota sobre o episódio que passou a ser comentado nos meios católicos a partir dos preparativos de reportagem de uma rede de televisão - que ainda não foi ar, a Diocese de Mogi das Cruzes afirma que recebeu oficialmente uma denúncia contra o sacerdote, que foi suspenso do uso de ordens e de todas as funções religiosas por tempo indeterminado, podendo ser proibido de exercer o ministério sacerdotal, e também “lamenta profundamente o ocorrido”. Na nota, o nome do padre não é informado.

Segundo curta chamada para a exibição da denúncia, um jovem afirma que foi vítima de abuso sexual e violência física. Em determinado trecho da entrevista, que traz imagens do padre, da vítima e do que parece ser uma visão aérea da Fazenda Tabor, em Mogi das Cruzes, que pertence à Diocese mogiana. “Socorro, você está me enforcando”, diz o entrevistado, que relata ainda sobre uma rotina de festas com bebidas e sexo.

Por meio de nota, a Diocese de Mogi das Cruzes detalha medidas adotadas. “Considerando que, na esfera eclesiástica (e não civil-criminal), tratava-se de suposto delito canônico envolvendo dois adultos cientes de suas responsabilidades, imediatamente, na presença do denunciante, foi determinado pelo Bispo Diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini, mesmo antes de ouvir o acusado”,as medidas cabíbeis, como o afastamento das funções do sacerdote e a instauração de um processo que irá apurar os fatos.

O religioso tem 31 anos, e foi ordenado padre em 22 de setembro de 2018, após freqüentar o Seminário Diocesano de Guarulhos.

Também por meio de nota, o advogado Caio Vano Cognhesi declara que a defesa do padre Ismael Almeida Santana “refuta veementemente toda e qualquer acusação de abuso ou assédio sexual, por serem mentirosas. Esclarece, outrossim, que no seminário não houve qualquer tipo de festa fora do escopo da formação religiosa”.

Cognhesi também informa sobre um processo judicial que tramita em “segredo de justiça e a divulgação realizada contraria a lei e a determinação judicial”

Por fim, o advogado sublinha “nosso cliente mantém confiança na lisura da justiça e em sua inocência”.

Nascido em São Paulo (SP) em 1990, o padre Ismael ingressou no Seminário Imaculada Conceição, na Diocese de Guarulhos, em 2009, onde completou os estudos de Filosofia e Teologia. Em 2017, foi acolhido na Diocese de Mogi das Cruzes e realizou o estágio pastoral na Paróquia São Judas Tadeu, no bairro Conjunto Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes, onde continuou após a ordenação.

Após isso, atuou em missas esporádicas em paróquias como a de São Benedito, em Biritiba Mirim. Também foi nomeado reitor do extinto Seminário Menor São João XXIII, que funcionou na Avenida Braz de Pina, mas teve as atividades encerradas.

A instituição foi instalada em 2014 e inaugurada em janeiro do ano seguinte, com o objetivo de oferecer a formação inicial para os candidatos à formação sacerdotal. Naquele momento, eram três instituições para a formação de seminaristas: o Seminário Menor, a Casa Propedêutica Nossa Senhora do Socorro e o Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus.

O Diário buscou uma entrevista com o sacerdote, mas recebeu a informação de que o advogado Caio Vano Cognhesi responderia às questões em nome dele.

Leia a íntegra do comunicado à Imprensa divulgado pela Diocese de Mogi das Cruzes, assinado pela Mitra Diocesana de Mogi das Cruzes:

“A Diocese de Mogi das Cruzes- SP esclarece que recebeu denúncia formalmente em desfavor do sacerdote que está sendo mencionado nas reportagens. Considerando que, na esfera eclesiástica (e não civil-criminal), tratava-se de suposto delito canônico envolvendo dois adultos cientes de suas responsabilidades, imediatamente, na presença do denunciante, foi determinado pelo Bispo Diocesano, dom Pedro Luiz Stringhini, mesmo antes de ouvir o acusado, que:

 1) O padre fosse, a partir daquele momento, afastado das funções e encargos que ocupava na diocese;

2) O padre fosse suspenso do uso de ordens e de todas as funções por tempo indeterminado, inclusive sendo proibido de exercer o ministério sacerdotal;

3) Um Processo Canônico foi instaurado imediatamente para fins de julgamento do mérito e ao final veredicto, no tempo oportuno, acerca da situação. Até aqui, são os fatos e as medidas concernentes às obrigações canônicas tomadas pela Diocese de Mogi das Cruzes.

O que daqui decorreu, no que se refere a processo judicial civil impetrado pelo denunciante, ultrapassa os limites do âmbito eclesiástico e passa a transcorrer em segredo de justiça, causando perplexidade qualquer publicização do caso, diante do que esta Igreja Particular deverá tomar as devidas providências, deixando claro que, da mesma forma, esta Diocese acatará as decisões, seja da esfera eclesiástica, seja da esfera civil.

A Nunciatura Apostólica e a Santa Sé estão cientes do caso, podendo agir a qualquer momento, se necessário.

A Diocese de Mogi das Cruzes lamenta profundamente o ocorrido e, também, todo uso do fato por interesses outros que não sejam os da verdade.

Ressalta, ainda, que o denunciante citado nunca foi seminarista desta Diocese. Por fim, reafirma seu intento de oferecer, além de sofrimento e oração, a necessária colaboração para o correto desfecho do que está em andamento, para o bem de todos”.

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