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BISPO DE MOGI

Despedida de dom Paulo é marcada pelo carinho de fiéis, na Catedral de Santana

Desde as primeiras horas do dia, uma série de missas está sendo realizada em homenagem ao bispo emérito, que esteve ligado à Diocese de Mogi das Cruzes durante as últimas três décadas. O Diário acompanhou a celebração das 16 horas

Heitor Herruso
02/06/2022 às 19:32.
Atualizado em 02/06/2022 às 19:57

(Heitor Herruso)

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BISPO DE MOGI

Despedida de dom Paulo é marcada pelo carinho de fiéis, na Catedral de Santana

Desde as primeiras horas do dia, uma série de missas está sendo realizada em homenagem ao bispo emérito, que esteve ligado à Diocese de Mogi das Cruzes durante as últimas três décadas. O Diário acompanhou a celebração das 16 horas

Heitor Herruso
02/06/2022 às 19:32.
Atualizado em 02/06/2022 às 19:57

(Heitor Herruso)

Homens e mulheres de todas as idades e de diferentes lugares se reuniram nesta quinta-feira (2), na Catedral de Santana, em Mogi das Cruzes, para se despedir de dom Paulo Mascarenhas Roxo, que faleceu ontem, aos 93 anos. Desde as primeiras horas do dia, uma série de missas está sendo realizada nas exéquias em homenagem ao bispo emérito, que esteve ligado à Diocese de Mogi durante as últimas três décadas. O Diário acompanhou a celebração das 16 horas.

(Heitor Herruso)

A primeira das missas exequiais, no início da manhã, foi presidida pelo bispo diocesano de Mogi, dom Pedro Luiz Stringhini. Mas esta, do meio da tarde, teve um convidado especial: o recém nomeado bispo auxiliar de São Paulo, dom Rogério Augusto Neves. Também estiveram presentes outros religiosos, como o  padre Antonio Carlos Fernandes, o Toninho, pároco da Paróquia Cristo Rei, na Vila Oliveira, e o padre Lázaro Mendes, da Igreja Nossa Senhora de Fátima, na Volta Fria.

Também compareceram vários fiéis, sempre com algum nível de relacionamento com dom Paulo Roxo. Valdeli Félix, 61, o conhecia dos tempos de catequese das filhas: “era muito bom”, afirmou ela. Já José Antonio lembrava dos tempos de crisma, em Guararema. “Ele era  divertido e humilde. Andava sempre de terno e boina”, lembrou ele, já com saudades do terceiro bispo diocesano do Alto Tietê.

Ao olhar para os muitos assentos ocupados na catedral, não era difícil encontrar olhos marejados pela emoção. Ou então olhos fechados, direcionados para mãos que rezavam, acompanhando bocas que cantavam. Toda a igreja era carinho pelo bispo que se foi, mas estava ali, de corpo presente – e quem quis pôde chegar perto para se despedir.

Corpo de dom Paulo Mascarenhas Roxo (Heitor Herruso)

Uma das pessoas que estava visivelmente abalada com a morte de dom Paulo é Maria Assunta Vano, de 90 anos. Ela estava acompanhada da filha, Lídia Vano de Almeida França, de 64 anos, também visivelmente emocionada. Mesmo caminhando a passos lentos, com a ajuda de uma bengala, Maria precisava estar lá. Afinal, é uma grande amiga de dom Paulo.

Maria Assunta Vano, de 90 anos, e a filha Lídia Vano de Almeida França, de 64 anos (Heitor Herruso)

“Ele fazia parte da nossa família, nos amava. Coordenava a equipe de Nossa Senhora, formada por cinco casais, dos quais eu e meu marido, Leopoldo, fazíamos parte”, contou ela a O Diário. Além da amizade de décadas, recentemente, um triste acontecimento a deixou ainda mais próxima do religioso.

Em fevereiro, o italiano Leopoldo Vano, conselheiro da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Mogi das Cruzes e esposo de Maria, morreu. Ele tinha 91 anos, e quem presidiu a missa de sétimo dia foi o amigo dom Paulo Mascarenhas Roxo.

Como se fosse pouco, foi também o membro da Ordem Premonstratense (Opraem) quem, em 2021, fez contato com o papa Francisco para que ele enviasse um documento à família Vano, parabenizando Leopoldo pelos 90 anos de vida e 68 anos de casamento.

“Este documento veio de Milão para Brasília, depois para o Rio de Janeiro. Quando chegou em Mogi, dom Paulo foi pessoalmente levar em casa. Eram 20 horas e ele tocou a campainha. ‘É dom Paulo’, disse. Até achamos que era trote”, recorda-se Maria.

Histórias como essa também foram lembradas no altar. Padre Toninho deixou claro que “dom Paulo soube viver cada passo”. E diz isso “com maestria”, pois foi ordenado por ele, que ensinou “esse amor puro”. Além disso, também falou que o que o bispo emérito queria “que todas as pessoas pudessem ser a Igreja”, que ele tinha “alegria de poder sermos um”.

Para acompanhar estas passagens, por duas vezes a Catedral de Santana uniu forças em um coro animado, para cantar uma das músicas favoritas de dom Paulo, ‘Nossa Senhora’, de Roberto Carlos. Era um costume dele, entoar, ao final das missas que celebrava, os versos “Nossa Senhora me dê a mão / Cuida do meu coração / Da minha vida, do meu destino”. Ele gostava de cantar.

A O Diário, padre Lázaro Mendes comentou a relação do bispo emérito com Nossa Senhora, algo muito mencionado durante a missa. “Era uma relação de filho predileto. Ele sabia, assim como todos os padres sabem, que nós somos filhos prediletos. Mas ele tinha certeza disso, assim como eu também tenho, absoluta. Toda missa terminava cantando a música”, lembra ele, que foi ordenado por dom Paulo em 1994 e mais tarde enviado para uma missão no Haiti.

Simpático apesar de triste, Lázaro mostrou à reportagem fotos sorridentes ao lado do bispo emérito, e leu em voz alta a última mensagem enviada pelo mestre via WhatsApp: “parabéns padre Lázaro. Deus prolongue sua vida com coragem, entusiasmo e muita alegria”.

(Heitor Herruso)

“O legado dele é de alegria, paz, superação, entusiasmo e certeza de vida eterna, de não deixar se entregar. Foram 93 anos de muito brilho. Uma pessoa que o mundo perdeu”, finaliza Lázaro.

Embora conhecesse dom Paulo há menos tempo, há cerca de quatro anos, quando da pregação para o clero de São José dos Campos, em Atibaia, dom Rogério Augusto das Neves, que presidiu a missa das 16 horas, também nutre carinho pelo religioso que será sepultado na cripta da Catedral de Santana. Tanto que, ao descobrir que o sepultamento será amanhã, sexta-feira (3), a partir das 9 horas, quando tem compromisso, decidiu vir hoje mesmo e teve a "alegria" de "presidir a missa e rezar com a comunidade".

“Foi um verdadeiro mestre. Eu o conhecia de ouvir falar muito dele pelo investimento que fez nos leigos, sobretudo alguns que enviou para estudar teologia. Portanto, um mestre, uma pessoa que queria ajudar a preparar as pessoas. Um bispo que fala aos outros padres como um irmão, de maneira impressionante, diferente. Ao mesmo tempo pai e irmão, entende você, as suas falhas, as suas fraquezas. Naturalmente a gente se sente atraído por uma pessoa assim”, disse ele em entrevista a este jornal. O que fica, “com certeza”, como finaliza dom Rogério, é a saudade.

 Sepultamento

(Heitor Herruso)

Após as seis missas de corpo presente em homenagem à dom Paulo Mascarenhas Roxo, realizadas nesta quinta-feira na Catedral de Santana, o corpo de dom Paulo Mascarenhas Roxo será sepultado às 9 horas desta sexta-feira (3), na cripta da Catedral de Santana. Haverá uma missa exequial presidida por dom Pedro Luiz Stringhini e antes disso a Alvorada do Divino, às 5h, será realizada dentro da igreja.

O bispo emérito que estava prestes a completar 94 anos, no próximo dia 12 de junho, era membro da Ordem Premonstratense (Opraem) e passou os últimos 33 anos ligados à Diocese de Mogi das Cruzes - pouco mais da metade do tempo da criação da regional da igreja católica nas cidades da região do Alto Tietê que, neste ano, está completando 60 anos de existência.. Clique aqui para relembrar a trajetória religiosa de dom Paulo Mascarenhas Roxo.

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