O comerciante Marcelo dos Santos Santana, de 46 anos, afirma que não possuía seguro da loja de tecidos, a VW, tocada por ele, a mulher, Léa, e três filhos Wesley, Marcelo, Marcela. Todo o material estocado em dois prédios foi consumido pelas chamas em alguns minutos, deixando um prejuízo estimado entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. O incêndio ocorreu na noite desta terça-feira (6).

Os imóveis foram interditados pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, na manhã desta quarta-feira (7). Marcelo afirma que dois peritos iniciaram as análises sobre as causas do incêndio, que chamou a atenção de milhares de pessoas, na noite de terça-feira, como contou O Diário.

Apesar de ter apenas um ano no local a loja passou a ser conhecida, nos intervalos de abertura do comércio, desde março, quando começou a pandemia. Marcelo é proprietário de um depósito de tecidos, na Capital, que também está fechado por imposição do Plano SP de Retomada Econômica.

Residente em Poá, e trabalhando com a venda dos tecidos para o atacado, a família tinha o sonho de abrir a própria loja.

Primeiro, a unidade foi aberta em um outro número da rua Barão de Jaceguai. Pouco tempo depois, foi feita a mudança para a esquina com a rua Padre João, no mesmo local onde durante anos funcionou um restaurante.

Mais recentemente, Marcelo alugou o imóvel conhecido por abrigar, também durante anos, a Bolanho Vidros. "Eu abri um acesso entre as duas lojas, mas o movimento estava muito parado", contou.

Sem ter seguro, segundo ele, Marcelo, que tambem é pastor da Igreja Pentecostal Guerreiros de Deus, no Jardim Emília, em Poá, afirma que irá conseguir superar a adversidade. "Deus irá nos honrar com a glória, assim como aconteceu ontem", disse, contando que estava em casa, quando uma vizinha da WM, telefonou, dizendo sobre o incêndio. Ele veio para Mogi, e acompanhou os serviços de rescaldo do Corpo de Bombeiros.

É investigado, entre as causas, algum problema elétrico. "Porém, o perito disse que somente a perícia vai dizer o certo".

Os dois prédios foram interditados. Segundo a Prefeitura,  "devido ao risco de queda da estrutura". Em nota, a Defesa Civil informa que "o responsável foi orientado sobre os procedimentos e deve buscar o auxílio de profissional para a retirada da estrutura em risco e posteriormente solicitar a desinterdição com a apresentação de laudo com ART assinado por engenheiro",

Segundo o proprietário, apesar das altas labaredas, o fogo que rapidamente se espalhou pelas peças de tecido, foi controlado em cerca de 15 minutos. "Destruiu tudo", resumiu. Ele não consegue estimar a quantidade de material existente no interior do estabelecimento.

Nascido na Bahia, Marcelo trabalha no comércio desde 1995. E enfrenta o pior momento da história recente do setor, causado pela pandemia, considerada por ele, como um sinal "do fim dos tempos". Para ele, a sociedade não está levando a sério o que está acontecendo.

Ele estima que as vendas praticamente paralisaram, com seis, sete clientes sendo atendidos por dia. Ele critica a condução do combate à Covid-19. "Está morrendo mais pessoas agora, do que antes, quando mesmo com restrições, o comércio estava aberto e seguia as regras. Para mim, um lockdown, com tudo fechado, e somente posto de gasolina e ambulâncias funcionando, poderia dar resultado. Mas, isso que temos, com alguns locais fechados, outros abertos, não está funcionando. Tanto, que as mortes só aumentam", reflete.

Ajuda

Uma vaquinha virtual foi aberta por conhecidos para auxiliar na recuperação da finanças da família. "Nós temos clientes fiéis, e acreditamos que Deus tudo proverá", diz ele.

Para auxiliar com "a reconstrução de um sonho", o endereço da contribuição que pode ser feita pela internet éundefined https;//vaka.me/197358. Até as 15 horas de hoje, foram doados R$ 135.