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O PIOR DA PANDEMIA

Com dívidas, União dos Aposentados pode fechar em Mogi

Entidade paralisou assistência jurídica a 1,8 mil aposentados e deve suspender atendimento a 10 mil pessoas por ano.

Eliane JoséPublicado em 20/04/2021 às 17:58Atualizado há 22 dias
Eisner Soares

É incerto o futuro da União dos Aposentados e Pensionistas de Mogi das Cruzes, a Uapemc, que este ano completa 36 anos de atividades e está instalada na rua dos Aposentados, no Alto do Ipiranga. Sem atividades sociais e renda, a entidade corre o risco de fechar e desassitir cerca de 30 pessoas que diariamente a procuravam para esclarecer dúvidas, pleitear e revisar benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), segundo admite o presidente Osmir Batista. 

A dívida, somente com o pagamento do IPTU, diz Batista, chega a R$ 30 mil. Apesar de ser de utilidade pública, a Uapemc não recebe apoio financeiro governamental.

Essa obra iniciada pelas mãos de fundadores como Astrolino Souza e Silva, em 1985, sobrevive do pagamento das mensalidades dos associados - R$ 25,00 - e dos bailes realizados dois dias por semana.

A pandemia da Covid-19 atingiu em cheio o vigor da associação, e, mais grave do que isso, reduziu a base de frequentadores. Batista não consegue estimar quantos associados morreram desde março do ano passado, quando a sede foi fechada, em função do Plano SP.

Como o público alvo era o grupo mais vulnerável à Covid-19, informa ele, "não conseguimos manter nem a assistência jurídica", o que, inclusive gera apreensão e reclamações dos cerca de 1,8 mil pessoas, com algum processo pendente na Justiça, e que são representados pela entidade.

A Uapemc tem 13 diretores, que "não podem tirar o dinheiro do bolso para pagar as despesas", como comenta o presidente.

Por mês, essas despesas somam cerca de R$ 2 mil. Desde o ano passado, as contas estão acumuladas. O presidente admite que a entidade corre sério risco de fechar, especialmente, pela falta de perspectiva sobre quando, os bailes da terceira idade, que são a principal fonte de renda, serão retomados.

Esses bailes costumavam atrair moradores de diversas cidades da região, e tinham um público rotativo estimado em centenas de pessoas por noite.

Efeito cascata

Outro reflexo  negativo foi a perda de fôlego na representação dos aposentados em questões que passaram a ser ainda mais graves, como a demora para a liberação de benefícios, parados há mais de um ano, e a falta de assistência para outras queixas e causas da categoria.

Outro efeito negativo são os golpes, cada vez mais frequentes e aplicados por fraudadores do crédito consignado. "De manhã, sai a aposentadoria, à tarde, o beneficiário já tem um crédido consignado irregular, no nome dele. Agora, a lei mudou um pouco, mas essas pessoas não param de usar indevidamente, os nome dos aposentados. Na verdade, para mim, a gente sempre caiu neste golpe", exemplifica o presidente.

Para ele, a corrupção, neste setor, é "muito grande. Alguém, que tem acesso à lista dos 200 aposentados naquele dia, facilita esse golpe", pondera. 

Em geral, esse tipo de irregularidade acontece com as novas aposentadorias. "Muita gente fica tão envididada que não reclama mais".

A principal recomendação, nesse caso, afirma, é não fornecer nenhum dado pessoal em transações pela internet. Com a pandemia, conseguir reverter as irregularidades ficou ainda mais difícil, pela impossiblidade de o aposentado ir até a Uapemc, de sair de casa. "Na maioria das vezes, ele não consegue acessar sozinho os sistemas dos bancos", lamenta Batista.

Futuro

Osmir Batista afirma que não se trata de pessimismo, mas ele crê que a pandemia ainda permanecerá durante todo este ano e parte de 2022. Ele afirma que a falta da vacinação e ordem são os fatores complicadores para a retomada da normalidade".

História

A ameaça de fechamento da Uapemc é uma perda para a categoria. O recuo das atividiades começou há mais tempo. Segundo Batista, no início dos anos 2000, a Uapemc somava 3,150 sócios. Hoje, são 1,8 mil. Ele credita isso ao fato de que a maioria dos associados permanece pagamento a mensalidade somente durante o tempo em que transcorre algum processo previdenciário ou trabalhista.

A entidade, no passado, teve grande protagonismo na luta por direitos e melhorias no atendimento aos aposentados. Um passado que corre o risco de ficar somente na memória de Mogi das Cruzes, quando a pademia passar.

  

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