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ATRASO

Ciclofaixa da avenida João XXIII, em Mogi, é adiada para novembro

A inauguração estava prevista para o penúltimo dia deste mês de outubro, mas segundo a prefeitura, que não definiu uma data exata para a conclusão das obras, as chuvas atrapalharam o cronograma

Heitor Herruso
21/10/2021 às 18:07.
Atualizado em 21/10/2021 às 18:49

Até que as obras sejam concluídas, a recomendação oficial é que os ciclistas não usem a ciclofaixa (Divulgação - Prefeitura de Mogi)

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ATRASO

Ciclofaixa da avenida João XXIII, em Mogi, é adiada para novembro

A inauguração estava prevista para o penúltimo dia deste mês de outubro, mas segundo a prefeitura, que não definiu uma data exata para a conclusão das obras, as chuvas atrapalharam o cronograma

Heitor Herruso
21/10/2021 às 18:07.
Atualizado em 21/10/2021 às 18:49

Até que as obras sejam concluídas, a recomendação oficial é que os ciclistas não usem a ciclofaixa (Divulgação - Prefeitura de Mogi)

Em junho, O Diário mostrou, com exclusividade, que a avenida João XXIII, em Mogi das Cruzes, ganharia uma ciclofaixa, anunciada oficialmente dias depois. Agora, quatro meses mais tarde, este jornal informa, também em primeira mão, que houve um novo atraso na entrega do equipamento. A inauguração estava prevista para o penúltimo dia deste mês de outubro, mas será somente em novembro que os ciclistas poderão transitar com segurança no local.

Para entender em que ponto está a obra, a reportagem conversou com o diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Secretaria Municipal de Transportes, José Guilherme Caseiro. “Intempéries” atrapalham o processo, diz ele. Ou seja, as recentes chuvas são apontadas como causadoras do adiamento.

“A previsão era de entrega até o final do mês. Entretanto, tivemos bastante intempéries nestes últimos dias, e talvez atrase um pouquinho. Estava sendo feito o muro de arrimo depois da ponte, no sentido César de Souza, e as ilhas para a travessia mais segura. Tem parte que precisa ser pavimentada, e com chuva não é possível. Mas a parte bruta, estrutural, está praticamente pronta”, avalia o responsável.

Questionado sobre o novo prazo para a inauguração, José Guilherme diz que deve ser alguma data em novembro próximo. Mas não define. “Acredito que não chegue em dezembro”, afirma, apenas.

Segundo a comunidade de ciclistas da cidade, este não é o primeiro atraso. Um dos representantes do Coletivo MTB Mogi, Ubirajara Nunes, mais conhecido como “Bira”, expõe que, no início das conversas, o prazo de 2 de outubro foi informado. Mais tarde, 30 de outubro foi estabelecido como o dia final. Ele ficou sabendo do novo adiamento por meio de O Diário.

 Ciclofaixa ainda não deve ser usada

Quem passa pela avenida João XXIII pode se perguntar por quê os ciclistas ainda não utilizam a ciclofaixa, e sim seguem andando na margem direita da pista, onde o perigo de atropelamento é muito maior. Embora aos leigos pareça que tudo está pronto, já que a pintura das bordas foi feita, com tinta vermelha, não é bem assim. Até que as obras sejam completamente concluídas, a recomendação oficial é contrária ao uso da ciclofaixa, e inclusive existem cavaletes ao longo do percurso para impedir o tráfego de ciclistas.

José Guilherme Caseiro explica: ainda não há sinalização suficiente. “Hoje tem que utilizar o viário normal. Não (deve-se) utilizar a ciclovia achando que estará totalmente seguro lá, pois não tem total sinalização”.

De acordo com ele, trafegar nesta área agora “pode ser até pior”, já que o motorista “não consegue, às vezes, ter medida cautelar para evitar acidente”. Faltam, por exemplo, os tachões próximos das curvas, para “impedir o acesso dos veículos”.

Outra dúvida é sobre a cor da ciclofaixa. Ora, se a pintura da ciclofaixa da Júlio Perotti, que cruza a João XXIII, é completamente vermelha, por quê esta apenas apresenta as bordas nesta cor?

“Ela só terá os bordos vermelhos. O manual permite fazer dos dois jeitos, e fazendo assim gera maior economia para o município”, argumenta José, que continua: “Assim, quando vai revitalizar, não precisa gastar tanto material, e a funcionalidade é a mesma”. No entanto, para chamar mais atenção dos motoristas, nos retornos será feita a pintura completa, chamada de “tapete”.

A pintura começou a ser feita em 13 de setembro. Relembre.

 Equipamento "misto"

Ciclista ativo, Ubirajara Nunes, mais conhecido como “Bira”, tem acompanhado a construção de uma rota para os ciclistas desde a entrega de uma carta com reivindicações assinada por coletivos de ciclistas à Comissão de Transportes da Câmara Municipal e do pré-projeto anunciado pelas secretárias de Transportes, Cristiane Ayres, e de Serviços Urbanos, Camila Souza, em 25 de junho. Portanto, ele conhece bem o projeto, que foi discutido e validado com os ciclistas antes de ser implantado. Será, como ele define, um equipamento “misto”, com “características peculiares”: um “trecho de ciclofaixa” e outro de “ciclovia compartilhada”.

Fazendo o traçado bairro-Centro, da Elgin até a ponte do rio Tietê o caminho se apresenta como “ciclovia compartilhada com pedestres”; depois, da ponte do Tietê até o cruzamento com a rua Júlio Perotti, será ciclofaixa “bidirecional”; e finalmente, da Júlio Perotti até o Largo do Socorro (Praça 18 de Junho), ciclofaixa “unidirecional”.

Isso quer dizer que neste primeiro trecho os ciclistas terão mais segurança, já que não estarão no mesmo ambiente que os carros; mas a partir do segundo, serão separados dos veículos apenas pela faixa pintada no chão e pelos tachões, nos pontos mais perigosos. E primeiro será possível transitar nos dois sentidos, mas depois somente em um deles.

Além de analisar o traçado, Bira, como não poderia ser diferente, comemora a implantação da ciclofaixa na avenida João XXIII. Mas critica a demora. “Essa discussão começou em 2016, quando ciclistas participaram atividade da construção do Plano Cicloviário”. Após a criação de uma ciclorrota (sinalização colocada na via para informar ao motorista que o espaço, sem demarcações especiais, é dividido com ciclistas, e que portanto, a velocidade máxima permitida é reduzida), é somente agora, cinco anos depois, que a conquista ganha vida. “É de se lamentar. Cinco anos para se construir poucos quilômetros”, finaliza.

 Próximas ciclofaixas

Em agosto, O Diário publicou uma série de reportagens especiais sobre o programa ‘Viva Mogi!’. Em uma delas, mostrou que será criada uma rede cicloviária de 30 km na cidade. O plano segue mantido, mas a definição final dos traçados ainda não aconteceu, já que os estudos de mobilidade encomendados pela prefeitura ainda não saíram do papel.

Por isso, o diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Secretaria Municipal de Transportes não soube responder qual seria a próxima ciclofaixa, ciclovia ou ciclorrota a ser implantada. Até que o estudo saia, os trabalhos entrarão em hiato após a conclusão das intervenções na avenida João XXIII.

José, porém, confirma a ideia já compartilhada pelo secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Claudio de Faria Rodrigues, de criar uma rota “toda conectada”, que leve “do bairro até o centro” e vice-versa.

 Ruídos no diálogo

O diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Secretaria Municipal de Transportes, José Guilherme Caseiro, diz ter participado de alguns dos encontros entre poder público e ciclistas. Foi o diálogo que deu início à construção da ciclofaixa na avenida João XXIII, mas ao que parece, existem ruídos de comunicação. 

“Nas últimas reuniões, o departamento de Educação para o Trânsito chamou os ciclistas para reunião, mas teve algumas em que não foi ninguém”, disse ele a O Diário. Seriam encontros realizados em setembro.

De um lado, o poder público reclama da quase nula adesão. Do outro, os ciclistas alegam terem sido convidados em cima da hora, e apontam que não apenas os representantes dos coletivos deveriam participar, mas a população interessada de modo geral.

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